domingo, 18 de abril de 2010

Reflexões Acerca da Inclusão: O Complexo de Tadinho

Durante uma aula na minha faculdade, estavamos discutindo a respeito da inclusão de pessoas com necessidades especiais no campo acadêmico, desde creches e escolas primárias (o que costuma ter a maior parte da atenção nesta questão), quanto ensino médio e superior (é comum esquecer que essas pessoas crescem).

Durante a discussão, um colega de turma começa um relato onde ele conta ter ficado muito tocado, pois em uma escola onde ele havia feito o estágio de licenciatura em psicologia, ele fora convidado pela turma para participar da formatura no ensino médio na mesma. E que a turma estava pedindo para esperar para começar a cerimônia, que já estava um pouco atrasada, para esperar uma aluna que ainda não tinha chegado e que era cadeirante (detesto este termo, mas como já se entranhou na sociedade, vou usá-lo apenas por questão de praticidade), mas que já haviam falado com ela no celular e que ela estava chegando. Meu colega então disse que devido a essa mobilização da turma eles aguardaram a aluna e que isso seria uma forma de inclusão.

A maioria dos meus colegas balançaram a cabeça, concordando com ele, incluido a professora, entretanto fiquei com um incômodo e por fim perguntei: "Mas onde ela estava quando ela ligou?"

Meu colega disse que não sabia e não tinha entendido a relevância da pergunta. Ao que expliquei para ele mais ou menos como se segue:

"Se ela estava no estacionamento, ou no prédio, e não tinha chegado ainda, isso realmente demonstra um reconhecimento da singularidade dela e das dificuldades próprias que ela tem que lidar, isso é inclusão. Agora se ela havia se atrasado por algum outro motivo, isso podia ser um assistencialismo."

Minha questão maior é se a turma havia se mobilizado através de qual destes pensamentos:

1) "A turma não está completa, vamos esperar todos estarem aqui para podermos viver esse momento juntos, já que trilhamos esse caminho juntos"

Ou,

2) "Tadinha da fulana, ela é cadeirante, vamos pedir pra esperar mais um pouquinho pra começar, por causa dela."

Percebam que a linha que divide um pensamento inclusivo e um pensamento assistencialista é extremamente fina e muitas vezes nós a atravessamos tão facilmente que nem percebemos que ela estava ali. Mas essa linha pode ser identificada pela presença da palavra "tadinho(a)" em uma parte do pensamento (normalmente logo no início).

Apenas para refletir... quantos tadinhos estão escondidos por tras das suas ações?

2 comentários:

Joanna disse...

Sandrão, concordo com você que muita gente pensa no "tadinho, vamos ajudar?". Mas não podemos generalizar.
Vivemos numa sociedade onde a moda é incluir, porém qual é a inclusão que existe se para começar temos lei para obter isso no real??? Se há inclusão pra que lei?? Se somos iguais e logo podemos viver no mesmo lugar e temos o mesmos direitos pra que lei??
E nesse caso, é um posto lindo dizer "eu ajudei ao um cadeirante". Vc ganha um lugar no céu e tudo (rs). E vamos ser justo? Para ganhar um lugar no céu, vale tudo!!
Acredito que irá entender minha resposta.
beijos

Tiago M? (o Berro d'água) disse...

Infelizmente é muito bom