sexta-feira, 18 de março de 2011

A Nova Revolução Sexual

"É possível ter sucesso sozinho, mas com quem você vai brindar o champagne?"
- Alejandro Spamgenberg

A poucos dias, uma amiga lançou a seguinte pergunta em uma rede social: "O que querem os homens?"

Juro que minha vontade foi mandar uma piadinha do tipo "mulher pelada, cerveja gelada e pizza quente." Mas cheguei a conclusão que a piadinha seria muito da sem graça e não responderia a pergunta em si.

Então o que querem os homens? Será que sabemos? Poderia devolver a pergunta para ela, questionando "O que querem as mulheres?" Será que elas sabem? Acho que a verdade é que ninguém sabe realmente o que quer.

Na década de 60, a mulher quis "tomar o lugar do homem", ou melhor dizendo, quis tomar os lugares que antes eram ocupados pelos homens e com "igualdades de direitos e deveres".

E o que ela conseguiu com isso? A mulher atual mergulha no "mundo masculino" lutando por se manter feminina. Tem que equilibrar carreira, casa, relacionamentos, filhos, e ainda cuidar de si mesma. Uma verdadeira malabarista. Não é a toa que o número de infartos em mulheres aumentou e está quase equiparado ao dos homens nas últimas décadas.

E os homens nessa história? Sim, porque fala-se sempre da revolução sexual pelo lado das mulheres, mas e como isso afetou a nós, homens? A verdade é que estamos perdidos, sem saber pra onde ir e o que fazer.

Antigamente, os papéis do homem eram claramente definidos. Ele era o provedor, o senhor do castelo, o macho-alfa. E agora? O que fazer diante desta mulher poderosa, que ganha seu próprio sustento, que não precisa mais dele nem mesmo para gozar, e com o desenvolvimento da engenharia genética, talvez um dia não precise dele nem pra ter filhos?

O sistema sempre tenta se equilibrar, por isso, ao longo dos anos, ao homem sobrou "tomar o lugar da mulher", o que se reflete nos homens que moram sozinhos e cuidam de suas casas, no maior cuidado com a aparência e a saúde (tendo a sua expressão máxima nos metro-sexuais), no aumento da população masculina em profissões que eram, antigamente, eram unicamente femininas, como a enfermagem, a psicologia e a educação infantil.

Mas ao mesmo tempo que o sistema busca se equilibrar, ele tenta permanecer como está, lutando contra a mudança que o campo exige, e desta forma nós homens somos ensinados ainda nos moldes antigos. "Homem não chora" ainda é um mantra que a maioria ouve na infância e carrega ao longo de sua própria história, e algumas vezes ainda vem com o peso cultural de uma espécie de missão de "retomar o poder roubado pelas mulheres".

Desta forma, o homem de hoje se encontra fendido, dividido entre mergulhar um pouco mais em sua sensibilidade e pressionado para recuperar um suposto poder, ele é como um homem partido ao meio onde uma das mãos impede a outra de agir.

E quando este homem fendido encontra a mulher malabarista, como eles podem ter algum tipo de contato? Ele tem as mãos cruzadas, uma preocupada demais em segurar a outra para alcançá-la, e ela não pode parar de jogar seus malabares para o alto, incapaz sequer de tirar os olhos destes e olhar para ele.

Talvez, e isso é apenas uma conjectura, o truque esteja em não mais lutar pelo poder, seja de um lado ou do outro. Pois poder por si só não basta. Poder é sempre poder para fazer algo, mas para que haja relação, é preciso o poder de se entregar, a coragem de abrir mão do poder não um para o outro, mas de ambos para a relação.

Claro que tudo isso é uma grande generalização, assim como a pergunta que provocou toda esta reflexão, e como toda generalização, é falha ao tentar enquadrar questões tão pessoais, subjetivas, íntimas até eu diria, em um modelo que abarque um grupo, uma população.

Se a pergunta fosse dirigida a mim, diretamente, "Sandro, o que você quer em uma relação?", eu diria: Quero poder amar plenamente alguém que me ame plenamente... tão simples, não é? E tão complicado neste mundo que tem tão pouco espaço para as coisas simples...

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