quinta-feira, 5 de julho de 2012

Resenha - Tortura Cor-de-Rosa - Lycia Barros



A família de Ava se muda para São Paulo e Ava precisa se adaptar, mais uma vez, a uma nova casa, novo colégio, novos amigos de turma, enfim, uma vida nova. Mas as coisas não são tão fáceis quando ela se vê na mira de um grupo de garotas de sua nova escola que começam a persegui-la e ameaça-la.

O livro é um romance infanto-juvenil com a temática do bullying. Mais especificamente, o bullying entre meninas. Ao longo da história, vemos o crescimento de Ava diante das adversidades impostas pelo grupo encabeçado por Jaque, uma menina mimada e manipuladora. 

Como recurso para trabalhar a temática em sala de aula e com adolescentes, sua utilidade é indiscutível. Todos os principais elementos para discussão estão ali, inclusive uma cartilha que acompanha o livro com questões sobre o tema que podem ser usadas de forma individual ou em grupo.

A história acompanha as humilhações sofridas pela protagonista e sua reação, não permitindo ser intimidada e dar-se por vencida. Entretanto, a história pouco demonstra de onde ela retira suas forças para continuar a lutar, chegando a parecer desistir em pelo menos dois ou três momentos.

Quando se trabalha com crianças e adolescentes em situação de bullying, é necessário estabelecer o que chamamos de "rede de apoio", normalmente formada por familiares e amigos, dentro ou fora da instituição de ensino onde a o bullying ocorre. No caso de Ava, a autora cria uma situação em que estas redes de apoio típicas não são acessíveis, fazendo parecer que a protagonista consegue forças por si mesma, o que pode acontecer, mas é muito mais difícil. 

Apenas no final descobrimos a rede de apoio de Ava, o que é compreensível no aspecto dramático, mas como psicólogo eu acho que seria mais interessante ter visto ela aparecer mais vezes ao longo da história.

Mesmo com esta crítica, a autora contrói uma ótima narrativa sobre o assunto, o que torna impressionante o fato do livro ter sido escrito em apenas 45 dias. Por isso, e pela utilidade como recurso psicopedagógico dou quatro estrelas.

Nota: Em um evento a cerca de um mês, a autora disse que havia escrito um outro final para a história, mas preferiu mudar na revisão por indicação da editora. Fiquei curioso quanto a qual seria o outro final.

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