terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Tão Próximos, Tão Distantes


Outro dia, no metrô para o trabalho, lotado como sempre, com trens novos ou não, acabei indo com um cara me imprensando o ombro nas costas e outro mané me empurrando na frente, mesmo ele tendo um pouco mais de espaço que permitiria que tanto eu quanto ele viajássemos mais folgados.
Eis que entre as estações Cidade Nova e Central, a composição deu uma freada brusca que quase me derrubou, e consequentemente todos que estavam atrás de mim. Logo depois retomávamos a viagem e o condutor se desculpava e explicava pelo sistema de som que um passageiro estava passando mal e a parada havia sido porque alguém acionara o canal de emergência. E por fim completou:
"Peço que os clientes sinalizem para os seguranças da estação Central em qual carro se encontra o passageiro passando mal afim de agilizar o socorro."
Ao que, um indivíduo perto de mim respondeu:
"Eu não. Deixa que morra."
Duas pessoas próximas a ele deram risada da gracinha sem graça, e eu comecei a prestar atenção nos papos ao meu redor aonde as pessoas reclamavam que era assim mesmo, que todo dia era um que passava mal com o metrô cheio desse jeito, que iriam se atrasar pro trabalho.
Fiquei pensando como nos tornamos pessoas insensíveis, preocupados apenas com o nosso próprio espaço e que se danem os outros. Apesar de tão próximos fisicamente, naquele vagão, estávamos tão distantes emocionalmente.
A viagem continuou e pouco depois escuto um rapaz no meu vagão dizendo:
- Senhora, está passando mal? Senhora? Senhora!?
Tentei ver o que acontecia, mas o mundaréu de gente entre nós me impedia,e logo depois as portas se abriram na estação Uruguaiana e quem conhece o metrô do Rio sabe como a parada nessa estação se assemelha com um estouro de boiada. Depois disso não vi nem o rapaz nem a tal senhora, mas aquelas simples palavras de preocupação com outra pessoa reacenderam minha esperança na humanidade.
Minha viagem chegou ao fim na estação Botafogo e parti para o trabalho com as palavras do condutor Diogo ao se despedir de nós:
"Tenham um bom dia. E que, mesmo diante das dificuldades e percalços da vida, que nossos projetos e sonhos possam se realizar."
Que assim seja, Diogo.

Um comentário:

Lu Huche disse...

Sandro, sua narrativa me fez pensar na falta de cuidado que temos para com o outro hoje em dia. Ficamos tão focados na própria vida, nos nossos problemas que esquecemos de olhar para o lado. Talvez até olhamos, mas não vemos, ou não queremos ver, perceber. Creio que essa dinâmica ocorre no nosso dia a dia nas coisas mais simples, como na sua viagem de metrô para o trabalho, em uma ida ao mercado ou à farmácia, ou ainda com as pessoas que nos relacionamos, convivemos e ainda assim, não percebemos ou não ligamos. O olhar para o outro, para o próximo de forma despretenciosa pode ser simples mas ao mesmo tempo pode significar mudança de atitude, de agir. Mas para a ação, basta fazê-lo.