sexta-feira, 21 de junho de 2013

Um Futuro Cada vez Mais Presente

João vai ao consultório do psicólogo, e começa a falar já em lágrimas:

- Eu vim aqui, porque meu pai morreu...

O psicólogo o interrompe:

- Antes de começarmos, você trouxe o seu encaminhamento médico?

- Encaminhamento?

- É! Antes de poder atendê-lo eu preciso de um encaminhamento feito por um médico dando o seu diagnóstico que irá conduzir o meu trabalho.

- Mas, mas, eu não tenho.

- Então não posso fazer nada.

- Mas, eu estou com uma tristeza tão profunda, uma melancolia, uma sensação de vazio profunda.

- Aí que você se engana. Você precisa ir em um médico para que ele possa atestar que você tem tristeza, melancolia ou vazio. Dessa forma fica muito vago, é preciso um diagnóstico preciso e isso só um médico pode fazer.

- Mas já tem mais de duas semanas que isso aconteceu e ...

- Aí já é um transtorno de humor. Mas por favor, não fale pra ninguém que eu disse isso. Eu posso ser preso por exercício ilegal da medicina. Vá a um médico e pegue o seu encaminhamento.

João conseguiu marcar o médico apenas três meses depois, sobrecarregado com pessoas que procuravam tratamentos psicológicos, fonoaudiológicos, fisioterápicos, etc. Após dez minutos saiu com uma prescrição de rivotril duas vezes por dia e dez sessões de psicoterapia, com indicação para retornar quando acabasse, tanto o rivotril quanto a terapia, para que o médico avaliasse se precisava de mais.

Este é o futuro que a Lei do Ato Médico e o DSM-V nos acena. E está cada vez mais presente nos planos de saúde e serviços públicos.

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