quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Reflexões Acerca do Aborto


Quero começar dizendo que sou contra o aborto.

Essa é a parte fácil. Ser contra. Ser a favor. Posições extremas são simples. Fáceis.

Na minha adolescência, fiz um trabalho sobre o tema para o colégio. Pesquisei a fundo, tive a ajuda de parentes que faziam parte de um grupo anti-aborto que me mandaram um monte de material que descrevia os vários métodos de aborto, reflexões religiosas e filosóficas, dados estatísticos, etc.

Tirei uma nota ótima no trabalho, mas aquelas informações nunca mais me abandonaram. E a partir delas, fiquei com muita raiva de todas mulheres que cometiam aborto. Afinal, era um assassinato, o que tornava essas mulheres criminosas.

Mas o Destino, esse velho safado que fica se divertindo assistindo a vida de nós pobres mortais em uma TV gigantesca tomando cerveja, me pregou uma peça (uma não, várias) e ao longo dos anos, eu tive amigas que se sentiram a vontade para compartilhar comigo terem vivido essa experiência.

Aquelas mulheres não eram os monstros que eu imaginara, eram mulheres doces, minhas amigas. Muitas se arrependiam de terem feito um aborto, algumas o fizeram por riscos a sua própria vida, outras por pressão familiar ou do namorado, ainda havia as que fizeram por vergonha, como se tivessem feito algo errado, sem esquecer aquelas que o fizeram por não considerarem o “momento certo”.

A maioria delas me contou como seus namorados não se opuseram as suas decisões, mas também não deram nenhum apoio, no máximo se ofereciam para pagar o procedimento, quase como se não tivessem, ou não quisessem nenhuma responsabilidade no ato.

Em pesquisas recentes, foi divulgado que uma em cada quatro mulheres que fazem aborto no Brasil morrem no procedimento, na maioria das vezes em clínicas clandestinas, mas que todo mundo sabe o que fazem, sem nenhum cuidado ou atendimento diante de uma ação tão agressiva ao corpo da mulher. Pensar que uma de minhas amigas poderia ser uma das vítimas dessa estatística me embrulha o estômago.

Lembro de um dos meus primos que citei no início me contando que muitas das mulheres que eles abordavam no grupo anti-aborto só precisavam de uma pessoa dizendo para não fazerem. Isso era tudo o que bastava para desistirem.

Diante destes relatos, muitas vezes emocionados, eu comecei a questionar e refletir.

Será que todas as mulheres que fazem um aborto estão fazendo isso por escolha, realmente? E se estiverem, elas teriam realmente o direito de “fazer o quiserem com seus corpos”, como muitos grupos pró-aborto propagam? Será que podemos considerar o embrião um ser vivo ou ele só pode ser assim considerado quando já é um feto (depois de nove semanas)? Será que se os homens fossem mais participativos, menos abortos seriam realizados? Ou até teríamos menos crianças sem uma figura paterna presente (desculpe se estou divagando, mas acho pertinente? Será que manter o aborto como crime está fazendo algum bem a sociedade? Afinal, mesmo proibido o aborto continua acontecendo, e mulheres continuam morrendo na mão de carniceiros que se dizem médicos. Será que descriminalizar causaria um aumento dos abortos? E temos números atualmente para comparar? Ou será que descriminalizar permitiria um acompanhamento psicológico a essas mulheres que poderiam até mudar de ideia? O embrião ou o feto (considerando-o como ser vivo) fruto de um estupro poderia ser penalizado pelo ato do estuprador? E a mulher, deveria ser obrigada a dar continuidade a uma gravidez não apenas não desejada, mas decorrente de um ato de violência que deixará marcas que vão além de seu corpo?

Muitas perguntas, não tenho respostas.

Na verdade, apenas uma: No geral, continuo contra o aborto. Mas, como já disse, essa é a parte fácil.



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