quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Bienal do Livro 2013 - 1o dia

29/8/2013

No momento que escrevo estas palavras estou sentado em um café dentro do Riocentro, aguardando o início de um debate com o tema: “Nobos tempos, novos escritores” e sinto meu coração acelerar ao pensar que sou um destes novos escritores.

Fiz o meu credenciamento como autor no site da bienal a cerca de uma semana, e desde então fiquei em um estado de ansiedade e agitação. É a minha primeira bienal como um autor publicado.

Por várias vezes fiquei imaginando que seria barrado na entrada, afinal sou apenas um contista, não tenho nem ao menos um livro com meu nome na capa (ainda!), mas isso tudo se mostrou uma fantasia da minha cabeça. A verdade é que eu só relaxei mesmo quando, após mostrar a minha credencial na entrada, o rapaz fez sinal para que eu entrasse.
Sempre foi tão bonito assim? Ou o meu olhar estava iluminado por estar ali em uma nova condição?

Dei-me conta agora a pouco que já faz pelo menos seis anos desde que eu pisava em uma bienal. E tenho a sensação de que os estandes estão mais arrumados, mais belos, os livros gigantes pendurados no estande da Novo Conceito são a coisa mais legal que eu vi até agora.

Enquanto caminhava minha bola foi baixando um pouco. Ninguém ali sabia que eu era autor. Não haveriam eventos para mim, eu não daria palestras nem autógrafos.

Ao chegar no estande da Saraiva, vi alguns terminais para inscrição no Publique-se, sistema de autopublicação criado por esta livraria/editora para fazer frente aos novos tempos e ao questionar alguns pontos duvidosos do termo de compromisso aos atendentes fui interpelado pelo próprio criador da plataforma com quem troquei alguns argumentos e que soube defender muito bem o seu peixe.

Saí de lá com a mesma sensação que me contaminou desde o meu credenciamento pela internet. Que se dane que ninguém ali soubesse que eu sou um autor, eu sabia! E ninguém poderia tirar isso de mim.

* * *

O Café Literário foi um pouco frustrante. Acabou sendo muito mais uma apresentação dos quatro autores envolvidos, que supostamente representariam a nova geração de escritores, mas fiquei com a sensação de que o tema proposto (“Novos tempos, novos escritores) não foi sequer arranhado.

Ao sair de lá, tentei chegar a tempo no Espaço Ziraldo para assistir a apresentação de uma peça cantada pelo Menino Maluquinho com histórias de dois livros de seu criador (Flicts e Bichinho da Maçã), mas quando consegui chegar lá (após me perder um pouquinho. rs) a apresentação já havia começado e fiquei sem graça de entrar no meio.
Decidi sair de lá e voltar para assistir um outro dia.

E ao sair dali, passei em frente ao estande da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil e fiquei vendo alguns dizeres nos murais explicativos lá e fui convidado por um expositor para entrar e conhecer o estande. Lá dentro, após ver alguns livros expostos, vi que este expositor (chamado Moisés, ou Musla, como ele explicou depois), estava em um papo animado com um rapaz e uma senhora, que se revelaram serem um padre chamado Lélio e sua mãe chamada Jussara, uma figura dourada com opiniões fortes e sem o menor medo de expressá-las.

Acabamos formando um grupo de debate que por umas duas horas trocou informações sobre religião, fanatismo, respeito, etc com a participação posterior de uma jovem muculmana chama Silvia e um outro expositor que eu não lembro o nome, mas que todos se referiram como o carioca (outros expositores eram de São Paulo, Minas, etc).

Saí de lá com um exemplar do Alcorão Sagrado e a sensação de uma deliciosa experiência de troca respeitosa de opiniões.

Depois disso, ao sair da Bienal, tirei a minha credencial de autor e sorri para ela, guardando-a com cuidado em minha bolsa. A primeira de muitas, assim espero.


2 comentários:

Karen Alvares disse...

Parabéns, Sandro! Deve ser uma emoção enorme, mesmo que os outros não saibam, a gente sabe. Me senti um pouquinho assim quando peguei o exemplar de Dragões na livraria. Ninguém sabia que eu tinha escrito algo naquele livro, mas eu sabia! :)
Fiquei curiosa... desculpa aí, mas quem eram os autores que você viu nessa palestra que no final não falou do tema proposto?
Não sabia que podia se inscrever como autor mesmo apenas com contos. Ano passado eu poderia ter entrado assim... mas entrei credenciada como professora, então também foi legal. Mas ano que vem, se tudo der certo, eu já terei um livro só meu. Quem sabe vamos estar os dois lá vendendo e autografando? :D

Sandro Quintana - Andarilho® disse...

Obrigado, Karen!
Eu também não tinha certeza se me aceitariam como "apenas" contista, daí o meu nervosismo. rs
Deixa eu pegar aqui no jornal da Bienal. Os autores eram: Noemi Jaffe, Vinícius Jatobá, Wesley Peres e Nuno Camarneiro, e o mediador foi Paulo Roberto Pires.
Teve uma coisa que o Wesley Peres falou que bateu muito com essa minha reflexão antes do fórum sobre sentir-se autor que eu pretendo aproveitar para um futuro post.
Espero que estejamos os dois ano que vem (e muitos anos que vem) vendendo e autografando nossos livros.
Grande abraço! :)