domingo, 23 de novembro de 2014

Resgate da Loucura

A loucura sempre nos assustou. Mesmo entre os profissionais de saúde, nenhuma área é mais temida e evitada do que a de saúde mental.

Esse mendo provém do fato da loucura do outro reverberar em nossa própria loucura. Aquela que escondemos no ponto mais profundo de nossas almas com temor de que algum dia venha a tona como um vulcão a muito adormecido.

Mas se a loucura tem este caráter marginal, como algo a ser temido e evitado, também possui a qualidade de uma liberdade irrestrita. O louco é aquele que não se enquadra nas leis e nas regras da sociedade. Talvez exatamente por isso seja temido e evitado e, da mesma forma, é por isso que tenta-se enquadra-lo e conte-lo em alguma psicopatologia.

Etimologicamente, a palavra psicopatologia pode ser partida em suas raízes gregas para encontrar psiquê-pathôs-lógos ou, em uma tradução livre:  o discurso das emoções da alma. Por algum motivo, um grego qualquer decidiu que isso representava algo ruim e doentio e por séculos nós compramos esta ideia.

E se resignificarmos este pensamento? Se neste mundo repleto de regras e normatizações recuperarmos o discurso das emoções da alma de cada um? Se resgatarmos a nossa loucura?

Na verdade, acho que este resgate é uma necessidade urgente. Pois o silêncio de tantas almas caladas é ensurdecedor.

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