sábado, 11 de maio de 2019

Autismo 01 — A Minha História com o Autismo

Autismo 01 — A Minha História com o Autismo

Primeiro post aqui no Medium sobre um tema que me interessa muito.
Autismo.
Para começar esse papo, quero contar a vocês a minha história com o autismo.
Dia vinte e um de fevereiro de dois mil e cinco. Meu primeiro dia na faculdade de psicologia. Uma turma lotada com mais de sessenta pessoas (sim, eu contei quantos tinham), aula de estatística, o terror dos alunos de psicologia (menos para mim que sempre gostei de matemática rs).
Eu não conhecia ninguém. Havia entrado na faculdade de psicologia com a ideia de complementar meu trabalho como acupunturista (Sim, eu também tenho essa formação). Entre a fisioterapia e a psicologia eu escolhi a psicologia por estarem aparecendo na época muitos pacientes cujas questões tinham uma base psicológica e eu me sentia sem recursos para ajudá-los. Além disso, o Conselho Federal de Psicologia tinha regulamentado a acupuntura como um dos recursos possíveis ao psicólogo.
O professor de estatística começou a aula com aquele papo de primeira aula para conhecer a turma, fazendo algumas perguntas que as pessoas levantavam a mão e algumas ele pedia para falar um pouco mais.
Até que em determinado momento, ele perguntou se alguém da turma já tinha alguma formação superior anterior, mesmo incompleta. Eu levanto a mão nessa hora e falo dos meus três períodos na faculdade de filosofia.
Duas fileiras à minha frente uma moça levanta a mão também e diz ser formada em fisioterapia. Eu penso: “Nossa, ela fez o contrário do que estou pensando em fazer (porque na época eu ainda pensava em fazer a faculdade de fisioterapia depois da de psicologia), talvez ela possa ser uma pessoa legal para fazer amizade.”
Hora do intervalo, eu me aproximo dela e começo a conversar. Puxei papor exatamente falando da minha ideia de fazer uma segunda faculdade de fisioterapia depois da psicologia.
Durante a conversa percebo ela constantemente olhando para o celular. Eu, já super me achando psicólogo, faço uma interpretação e pergunto “Você tá preocupada com alguém? Tô vendo você toda hora olhando o celular.”
Ela me responde “É o meu filho. Se a escola me ligar eu tenho de sair correndo.”
“Mas ele está doente ou coisa assim?”
“Não, o meu filho é autista.”
E vocês não podem imaginar a minha cara de tacho nessa hora.
Esse foi o meu primeiro contato com o autismo. Tirando filmes como Rain Man (e em outro post futuro eu falo desse filme). Também é o dia que eu marco como sendo o momento que eu comecei a pesquisar e tentar entender o que é autismo. E já se vão quatorze anos buscando conhecer essas pessoas maravilhosas.
Ah! Quanto a moça, ela se tornou uma das minhas mais queridas amigas, senão a mais querida, até hoje.
Por hora, vou parando por aqui. No futuro pretendo falar mais sobre tudo que eu descobri desse fascinante mundo azul que é o autismo.

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