domingo, 26 de dezembro de 2010

A Louça e a Vida

A louça e a vida

Diante da pia lotada, não sei por onde começar, parece que a bagunça não tem início nem fim.

Escolho começar pelos talheres, os problemas pequenos são mais fáceis de resolver. Ajeitando um por um.

Logo não há mais problemas pequenos e tudo que me resta é olhar para os grandes e enfrentá-los.

Me concentro nos pratos, mais fáceis de arrumar, de forma parecida, ao pegar o jeito, resolver um é como resolver qualquer outro.

Mantenho o foco, pois corro o risco de me perder concentração e deixar um prato cair e quebrar. Perder-se na repetição, só porque os problemas parecem (e apenas parecem) iguais, sempre aumenta o problema.

Limpar e organizar se tornam uma tarefa só. É preciso abrir espaço.

Plásticos, travessas e panelas são os próximos, deixei alguns de molho com detergente logo no início, tenho que tomar cuidado para não escorregar da mão e nem deixar de limpar nenhuma parte. Os problemas maiores e de formas variadas, devem ser encarados um a um, cada um com suas peculiaridades e singularidades.

Termino com os copos, o que mais detesto limpar. Deixamos os problemas mais incomodos pro final, mas isso não os torna melhores ou piores, eles permanecem lá, nos esperando. Teremos que resolvê-los, cedo ou tarde, o importante é não deixá-los acumular.

Diante da pia vazia, diante da vida clara e calma, estamos prontos para partir... quando sempre chega mais um pouco de louça esquecida na mesa. Sempre pintam problemas inesperados, principalmente quando todos parecem ter sido resolvidos, o jeito é respirar fundo e ir em frente...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Nascimento

A todos os amigos: Que hoje vocês estejam com aqueles que amam e que lhes amem em retorno, pois esta é a verdadeira família, quer vocês estejam comemorando o natal, o hannukah, o yule, o solstício (de inverno ou de verão), a celebração de Amaterasu, o festival Beiwe, o deygan, o festival dongzhi, o hogmanay, o inti raymi, ou simplesmente estejam com amigos e amados apenas por estar.
Muito amor em seus corações e em suas famílias, tenham vocês o mesmo sangue ou não.

Grande abraço a todos e que venha 2011!
PS: Que vocês possam renascer hoje e sempre!

sábado, 30 de outubro de 2010

Para que haja diá-logos

Para que haja diá-logos

Para que haja diálogo, já diz a sabedoria popular, é necessário que haja abertura. Mas que tipo de abertura é essa?

Para que haja diálogo, é necessária abertura para escutar, e não me refiro simplesmente a ter os ouvidos limpos e funcionando, mas estar aberto a possibilidade de ser transformado pela fala do outro, estar aberto a possibilidade de deixar o lugar onde se está, de mudar de opinião, de se tornar uma pessoa diferente de quem se é agora (e talvez até de se tornar mais você mesmo).

Para que haja diálogo, também é necessária abertura ao falar, essa abertura se manifesta em uma fala respeitosa, que expõe uma posição ou uma opinião exatamente como o que ela é: uma posição ou uma opinião dentre tantas outras, e não uma verdade absoluta regida por Deus e escrita em pedra imaculada e intocável.

Para que haja diálogo, é preciso, acima de tudo, abertura para ser, para ser quem se é e abertura para que o outro também o seja.

Só então, nessa abertura, os discursos se abrem e se misturam, deixando de ser meus ou seus, mas nossos, provenientes de um entre nós. Um diá-logos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Democracia, Messianismo e Eleições 2010

"Escolher o menor de dois males, ainda é escolher um mal."
- Ditado japonês

"Eu só posso ver o que eu posso ver, eu só posso ouvir o que eu posso ouvir."
- Merleau-Pounty

Diz a sabedoria popular que futebol, política e religião não se discute. Eu discordo! O que não se discute é paixão desportiva, escolha política e convicção religiosa, em suma, o que não se discute é fé!

Fé é algo que ou se tem, ou não se tem, ponto. É exatamente nessa questão que quero tocar quando digo que a muito eu não tenho fé na democracia, especialmente na chamada "democracia representativa", sistema vigente em boa parte do mundo atual, e particularmente no nosso país.

O problema deste sistema, na minha opinião, é ele ser embasado e sustentado pelo messianismo, na espera de um salvador da pátria, um messias, que viria resolver todos os problemas da cidade, do estado, do país e do mundo. E, com isso, nunca se resolve problema algum, porque são
exatamente os problemas a mola propulsora do sistema.

No máximo, faz-se uma maquiagem, uma solução aparente do problema, apenas o suficiente para angariar votos, e quando esta não se sustenta, acusa-se o governante atual, martirizando-se o salvador anterior que, "pobrezinho", não deixaram fazer o trabalho direito.

Então ficamos neste movimento, ora a espera de um salvador que nunca vem, ora nostalgizando-se um passado onde "eu era feliz e não sabia", e o presente, onde algo pode ser feito de efetivo, se perde.

Outra característica interessande da fé, a fé verdadeira, é que ela nos abre horizontes, nos permite enxergar luz onde a razão e a lógica só nos permitiam ver escuridão e desespero. Por outro lado, a fé cega, o fanatismo, nos encurta a visão, e passamos a enxergar apenas uma possibilidade e uma verdade, a de nosso(a) salvador(a), e todos os que não conseguem vê-lo(a) como você são vendidos, manipulados, neoliberais, comedores de criancinhas, comunistas, hippies, maconheiros, ingênuos, iludidos, pré-conceituosos, utópicos... e todos as demais novas
nomenclaturas para os hereges infiéis (aliás, interessante comentar que "herege" é a palavra grega para "diferente").

Diante desta dinâmica, perdoamos todos os erros e todos os defeitos de nosso salvador, e ainda acusamos quem os aponta de "má-fé", o que não deixa de ser verdade, afinal no fanatismo só se faz possível olhar para qualquer possibilidade que não a nossa como "má", e nessa dicotomia do certo e do errado, do bem e do mal, perde-se toda a diversidade das multiplas possibilidades, e com isso não percebemos que o outro está apenas fazendo o mesmo movimento que nós, ou quando percebemos este movimento fanático no outro, não somos capazes de enxergá-lo em nós mesmos.

Chegamos ao ponto de nos esquecermos que estamos depositando nossa fé em seres humanos, não em deuses. E todos os seres humanos tem qualidades e defeitos... ou como eu prefiro chamá-las, características que eu gosto e características que eu não gosto (pois dessa forma me coloco no olhar, ao invés de fazer referência a uma suposta medida "soberana" e "imparcial").

Peço então que no próximo domingo, votem com o coração sim, com fé em ideais, não em pessoas, mas também votem com a cabeça, analizando a história, os erros e os acertos (sob o seu próprio ponto de vista e assumindo-o como tal) de cada candidato, e principalmente, votem com conciência, de que quem quer que ganhe, de que a responsabilidade pela cidade, pelo estado, pelo país, e pelo mundo que se constrói, também é sua, e não apenas no momento da eleição, para tranferí-la para outros.

Grande abraço!

domingo, 5 de setembro de 2010

Construindo Caminhos

Construindo Caminhos

"Não há maior sinal de loucura do que fazer uma coisa repetidamente e esperar a cada vez um resultado diferente."
- Albert Einstein

Estou escrevendo este texto pelo cel. Isso mesmo, na base do clic-clic-clic. Pensei nisso após uma rápida conversa agora a pouco com um amigo sobre a relação inspiração/tempo para escrever.

Assim que tive a idéia, pensei logo na dificuldade que seria escrever nesse tecladinho, catando cada letra, depois descobri que não teria como transferir o texto direto do celular para o computador (meu celular não é um desses"computadores de bolso", mas me serve bem), então teria que transcrever tudo depois. Mas ora bolas, eu não teria que fazer o mesmo se escrevesse no papel?

Ao me dar conta disso, percebi o quanto é mais fácil irmos para as dificuldades de fazer algo, do que efetivamente fazer algo. Resolvi tentar.

***

Criamos mil fantasias em como as coisas podem dar errado. Neste momento, tento fugir deste texto. Começo a vagar (e faço um esforço para não me dissociar dizendo "minha mente vagueia", como se minha mente não fizesse parte de mim) por vários outros textos que quero escrever, que seriam "mais merecedores" da minha atenção.

Incríveis os mecanismos de auto-sabotagem que usamos, não? Ao gastarmos tanta energia criando bloqueios, não é de se estranhar que tenhamos tanta dificuldade em encontrar caminhos.

E vejam só! Não é que um belo texto se formou desta experiência? :-)

***

Neste momento terminei de transcrever o texto acima, que foi escrito no caminho para o trabalho ontem dentro do metro, entre a zona norte e a zona sul do rio de janeiro em uma viagem de pouco mais de uma hora.

Me percebi pensando que o texto é bobo, incompleto, e outras sensações de menosprezo me passaram enquanto o transcrevia. Ao me dar conta destes sentimentos e olhar para eles, vejo-os se desfazer como castelos de areia diante das ondas do concientizar, do dar-se conta...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Terá a cultura e a educação no Brasil se tornado "cara e ineficiente"?

06/07/2010
Sérgio Cabral tirou nota ZERO na educação, e o Rio de Janeiro tem o segundo pior desempenho do Ideb
http://www.guiasulfluminense.com.br/blog/?p=15746

01/06/2010
Governo Lula corta R$ 1,28 bilhão da Educação
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/governo-lula-corta-r-128-bilhao-da-educacao/

04/08/2010
Bomba: TV Cultura vai cortar programas e demitir até 1.400
http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2010/08/04/bomba-tv-cultura-vai-cortar-programas-e-demitir-1-400/

Alguem mais percebe um padrão aqui?

Eu REALMENTE preciso falar mais alguma coisa?

Sem mais por hoje, apenas questões e reflexões para quem quiser pensar...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Incerteza dá Angústia

"Existem milhões de "se" na mente de um homem, nenhum em suas ações."
- Amanhecer Esmeralda

"Coragem não é a ausência do medo, mas a capacidade de seguir em frente, apesar do medo."
- Atribuído a Napoleâo Bonaparte

Anteontem, pouco depois de postar aqui no blog, um amigo comentou sobre o meu post (Escolhas e Expectativas) com a frase que entitula este post (que eu estou usando com a permissão dele, é claro). A frase ficou martelando na minha cabeça esses dois dias e tenho que concordar com ela. A incerteza, o não-saber, causa angústia, medo, apreensão, ansiedade... Mas como seria um mundo sem incerteza?

Comecei a me imaginar em um mundo onde eu soubesse o desvelar de cada escolha. Onde eu soubesse o que eu iria conseguir, e o que eu não conseguiria não importa quanto eu tentasse. Não sei se você que está lendo isso também está fazendo esse pequeno exercício existencial, mas pelo menos eu senti uma enorme angústia ao fazê-lo.

Nesse caso, a angústia veio do tédio que uma realidade assim traria. Não haveria mais a emoção de conquistar algo, simplesmente porque já se saberia ter conquistado antes mesmo de se iniciar. Também não haveria decepção por tentar algo que já saberíamos de antemão que daria errado... mas também não haveria a esperança para fazer assim mesmo.

Hoje, caminhando na rua após a chuva, vi várias pessoas (acredito que cerca de metade delas, mais ou menos) ainda tinham seus guarda-chuvas abertos, mas não estava mais chovendo. Só que elas não tinham como saber, pois estavam embaixo dos seus guarda-chuvas. Percebem a contradição aqui? Nos protegemos do mundo porque ele nos ameaça, nos fere, nos angústia, mas só saberemos se a ameaça se foi se nos abrirmos ao mundo. Se pelo menos por um instante nos permitirmos sair do guarda-chuva e corrermos o risco de nos molhar.

O que torna os humanos, humanos, é esse não saber, esse desconhecimento ativo de para onde as coisas vão e ainda assim... ir em direção as coisas.

Pelo menos em minha opinião...Mas quem sou eu pra ter certeza?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Escolhas e Expectativas

"Expect for the worse, hope for the best"
- Ditado Estadonunidense (ou norte-americano. rs)
Em uma tradução livre:
"Tenha expectativas pelo pior, mas tenha esperanças pelo melhor."

"Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não quere-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a magica presença das estrelas!"
- Mário Quintana, Das Utopias

Como coloquei anteriormente, me propus a escrever um post por dia para o blog, e estava ontem pensando sobre o que escrever. Tinha várias idéias, mas precisava escolher uma, e foi quando me veio a idéia brilhante: que tal falar sobre escolhas?

Passei o dia de hoje refletindo sobre este tema, e sobre como poderia abordá-lo, mas todas as formas que me vinham me pareciam muito "lugar comum". Falar sobre a importância das escolhas? Sobre a responsabilidade de nossas escolhas e de aceitarmos as consequências? Sobre como é necessário escolher diariamente para conseguir um objetivo? Tudo isso me parecia tão batido, até por mim mesmo, seja aqui no blog, seja em outras encarnações que este blog já teve.

Pensei até em abandonar até em abandonar o tema das escolhas e simplesmente resgatar um texto das tais encarnações anteriores do blog e postar aqui como "tapa buraco". "Só por hoje" eu me dizia.

Conversando com algumas amigas hoje, me dei conta de que tudo isto podia ser uma certa auto-sabotagem. E daí se o texto era lugar comum? E daí que não ficasse bom? E daí?

E daí que a ansiedade por querermos que o mundo seja perfeito as vezes nos domina. A ansiedade, como tudo mais no Universo, pode ser boa ou ruim. A ansiedade que sentimos diante de uma conquista, ou de um presente, ou do reencontro com alguem querido é algo fantástico. É essa ansiedade, essa esperança, esse não-saber, que nos permite maravilharmos diante do mundo.

Quando crianças o mundo é uma grande aventura, cada dia uma surpresa, um mistério, mas quando nos tornamos adultos vamos perdendo isso. Deixamos de ter esperanças e passamos a ter expectativas, e é aí que a ansiedade deixa de ser algo bom e se torna algo ruim.

Passamos ter expectativas pelo nosso emprego, nossos relacionamentos, nossos amigos. Criamos em nossa mente como as coisas devem ser para sermos felizes, como se pudessemos ser diretores de nossas vidas. E quando a vida não atende a nossas expectativas, vem o sofrimento, a decepção, a tristeza.

Não podemos ser diretores de nossas vidas. Para os que acreditam, como eu, em uma força maior, esse trabalho já foi tomado. Mas podemos nos tornar protagonistas de nossas vidas. Para isso é preciso lidar com a vida como ela é, e não como desejamos ou tememos que ela seja. Só assim é possível atuar em nossas vidas.

Não se trata de abandonarmos nossos sonhos, até porque são eles o nosso combustível para a vida, mas se temos a esperança de torná-los reais, isso só será possível se estivermos com os pés no chão, diante da realidade.

Bom, este é o meu post por hoje. E quanto ao tema das escolhas? Escolhi deixá-lo para outro dia. rs Tenham esperança de que ele vai aparecer no momento devido.

PS: Ainda tinha expectativas de tornar este texto melhor, mas escolhi postá-lo assim mesmo, para não dar chance a auto-sabotagem. rs

domingo, 1 de agosto de 2010

31 dias, 31 posts

"Uma longa jornada começa pelo primeiro passo." - Provérbio Chinês

Nos últimos tempos não tenho dado atenção a este blog, e não porque eu não tenha o que falar aqui, apenas me falta o tempo (ou a disciplina, ou a programação) para escrever e postar.

Tem cerca de 2 meses que eu não escrevo aqui e a última vez foi um texto que nem era meu.

Pensando nisso resolvi fazer uma experiência ao longo do mês de agosto, aproveitando que eu vou ter um pouquinho mais de tempo neste mês do que tive nos últimos. A experiência é tentar postar todos os dias ao menos um post, por mais curto ou imperfeito que ele seja, apenas soltar minhas idéias nas ondas virtuais.

Não sei se meus incríveis 11 seguidores (os 2 que são eu mesmo incluídos rs) terão paciência para aguentar meus textos diários, mas em todas as encarnações anteriores do meu blog eu sempre escrevi para mim em primeiro lugar, pois sempre pensei que eu sou a primeira pessoa que tem que ficar feliz com algo que eu faça, só assim essa felicidade poderia se expandir e ressoar em outras pessoas e algumas vezes ecoar em comentários (favoráveis ou não). Mas em algum ponto do percurso eu me tornei muito perfeccionista e isso acabou bloqueando minha escrita.

Tenho várias idéias de textos para postar aqui, agora é botar mãos a obra e escrever.

Espero ter companhia nessa jornada...

sábado, 12 de junho de 2010

O Nosso Maior Medo

"É possível mudar o mundo, uma pessoa de cada vez"
- Nelson Mandela

"Nós contamos histórias de Heróis para nos lembrarmos de que nós também podemos ser grandes."
- Tao de Shinsei

Alinhado com o meu momento pessoal e aproveitando a copa do mundo na África do Sul, resolvi resgatar este texto e compartilhá-lo com quem acompanha o meu blog.

Nosso Maior Medo

"Nosso maior medo não é sermos inadequados. Nosso maior medo é não saber que nós somos poderosos, além do que podemos imaginar.
É a nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso?”.

Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus.

Você, pensando pequeno, não ajuda o mundo. Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor.

Todos nós fomos feitos para brilhar, como as crianças brilham. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus dentro de nós. Isso não ocorre somente em alguns de nós; mas em todos.

Enquanto permitimos que nossa luz brilhe, nós, inconscientemente, damos permissão a outros para fazerem o mesmo.

Quando nós nos libertamos do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente libertará outros.”

Nelson Mandela, no discurso de posse
como presidente da África do Sul

domingo, 18 de abril de 2010

Reflexões Acerca da Inclusão: O Complexo de Tadinho

Durante uma aula na minha faculdade, estavamos discutindo a respeito da inclusão de pessoas com necessidades especiais no campo acadêmico, desde creches e escolas primárias (o que costuma ter a maior parte da atenção nesta questão), quanto ensino médio e superior (é comum esquecer que essas pessoas crescem).

Durante a discussão, um colega de turma começa um relato onde ele conta ter ficado muito tocado, pois em uma escola onde ele havia feito o estágio de licenciatura em psicologia, ele fora convidado pela turma para participar da formatura no ensino médio na mesma. E que a turma estava pedindo para esperar para começar a cerimônia, que já estava um pouco atrasada, para esperar uma aluna que ainda não tinha chegado e que era cadeirante (detesto este termo, mas como já se entranhou na sociedade, vou usá-lo apenas por questão de praticidade), mas que já haviam falado com ela no celular e que ela estava chegando. Meu colega então disse que devido a essa mobilização da turma eles aguardaram a aluna e que isso seria uma forma de inclusão.

A maioria dos meus colegas balançaram a cabeça, concordando com ele, incluido a professora, entretanto fiquei com um incômodo e por fim perguntei: "Mas onde ela estava quando ela ligou?"

Meu colega disse que não sabia e não tinha entendido a relevância da pergunta. Ao que expliquei para ele mais ou menos como se segue:

"Se ela estava no estacionamento, ou no prédio, e não tinha chegado ainda, isso realmente demonstra um reconhecimento da singularidade dela e das dificuldades próprias que ela tem que lidar, isso é inclusão. Agora se ela havia se atrasado por algum outro motivo, isso podia ser um assistencialismo."

Minha questão maior é se a turma havia se mobilizado através de qual destes pensamentos:

1) "A turma não está completa, vamos esperar todos estarem aqui para podermos viver esse momento juntos, já que trilhamos esse caminho juntos"

Ou,

2) "Tadinha da fulana, ela é cadeirante, vamos pedir pra esperar mais um pouquinho pra começar, por causa dela."

Percebam que a linha que divide um pensamento inclusivo e um pensamento assistencialista é extremamente fina e muitas vezes nós a atravessamos tão facilmente que nem percebemos que ela estava ali. Mas essa linha pode ser identificada pela presença da palavra "tadinho(a)" em uma parte do pensamento (normalmente logo no início).

Apenas para refletir... quantos tadinhos estão escondidos por tras das suas ações?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Um mundo melhor.... para quem?

"É possível mudar o mundo, uma pessoa de cada vez."
- Nelson Mandela

"Seja a mudança que você quer no mundo."
- Mahatma Gandhi

"Ernest Hemingway escreveu certa vez: 'O mundo é um lugar bom, e vale a pena lutar por ele.' ...concordo com a segunda parte."
- Detetive Sommerset, personagem de Morgan Freeman no filme Se7en, os Sete Crimes Capitais

Estava conversando com um amigo outro dia sobre política e falavamos da importância de cada pessoa tomar para si a responsabilidade de transformar nosso país e nosso mundo em um lugar melhor. Só que aí ele começou a dar uma série de exemplos e me dei conta de que ele (e cada um de nós) tem uma idéia do que as pessoas deveriam fazer para criar um mundo melhor, e que partimos de nosso próprio referencial, do que nós mesmos consideramos um mundo melhor.

No caso, se todos fizessem o que ele falou, pra mim seria um inferno pois seria um mundo robotizado e oprimido, ainda mais escravo de leis injustas e moralidades duvidosas... mas aí que está, essa é a minha opinião. Para ele seria um mundo mais organizado, limpo, justo, sem impunidades.

Não sei se minha visão ou a de meu amigo estão mais corretas, mas me fizeram começar a refletir. Todos (ou pelo menos a grande maioria) queremos um mundo melhor, mas seria interessante perguntar: Um mundo melhor... para quem? Para mim? Para minha família? Para aqueles que são iguais a mim (mesma profissão, mesmo bairro, cidade, país, time de futebol, mesma classe social, mesma "raça")?

E quanto aos "outros"? Sempre os outros atrapalhando tudo, não é? E quem são esses outros? Os diferentes, os excluídos, os marginais.

Na maioria das vezes, quando criamos um "mundo melhor" esquecemos da diversidade desses outros, e até como poderíamos? Se a diversidade do Ser Humano (em maiúsculas mesmo) é infinita? Mas se faz necessário ampliar nosso campo de visão e tentar enxergar esses outros no mundo melhor que desejamos criar. Senão corremos o risco de concordar com Foucault, para quem o marginal e o diferente não eram excluídos da sociedade, mas ocupavam um lugar já predeterminado para a existência da sociedade, eram parte do sistema incluídos em sua exclusão.

Demorei dois meses para escrever este texto e não sei se ele está completo, se consegui colocar nele tudo o que eu queria dizer e tudo que penso sobre o assunto (que nem sempre são a mesma coisa), mas irei postá-lo assim mesmo. Acho que é assim que construímos um mundo melhor, fazendo o melhor que podemos, fazendo o que acreditamos ser o certo, e lidando com as consequências de nossos atos, mas agindo sempre!