segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

E o Mundo Não Acabou... Será?


Ao longo deste ano, como já aconteceu no final do século passado, fomos assombrados por mensagens apocalípticas que prometiam que deste ano o mundo não passaria. Muitos se embasaram para tais afirmações no fim do calendário maia (mas no meio do ano já haviam descoberto um outro calendário deles que continuava a contagem dos anos para muito além no futuro) chegando a postular uma data específica para o evento, 21/12/2012. Aliás, eu não sei como chegaram a esta data, já que o calendário gregoriano, aquele usado hoje em dia na maioria dos países, só foi promulgado em 1582, e os maias nem tinham ideia de que ele viria a existir um dia.

Como ainda estamos aqui, logo se assumiu que o mundo não terminou e choveram piadinhas das mais diversas sobre o acontecido (as minhas preferidas são o vídeo com o Galvão Bueno narrando o fim do mundo e o Ultraman caindo na porrada com o Godzilla no fim do mundo japonês), além de explicações esotéricas dizendo se tratar de um fim do mundo metafórico, no sentido de uma mudança de era, paradigma, ressonância energética, etc.

Mas será mesmo que o mundo não acabou?

É comum nesta época de final de ano, pensarmos sobre as realizações alcançadas e nas não alcançadas ao longo do ano que se passou e colocarmos nossas esperanças e planos no ano que está por vir, o ano novo. Só que as pessoas se esquecem de que para existir um ano novo, é preciso ter havido um ano velho, um tempo que se foi e que não existe mais. Um mundo de possibilidades que deixaram de acontecer.

Pare por um instante e lembre de quem você era um ano atrás, no final de 2011, e compare com a pessoa que você é agora. Se puder, pense em cada escolha que você fez ao longo destes  últimos 365 dias, quanto o seu mundo seria diferente agora se você tivesse escolhido diferente naquelas ocasiões, e perceba quantos mundos acabaram em 2012, apenas para você.

Cada vez que fazemos uma escolha, estamos abdicando de infinitas possibilidades que poderiam ter vindo a ser, estamos destruindo mundos, e isso nem sempre é fácil. Na verdade, é bem angustiante ser responsável por tanta destruição. Mas não escolher, de uma certa forma, também é uma escolha, o que não nos exime da responsabilidade do mundo criado desta forma, então estamos presos nessa liberdade e o melhor é escolhermos tentando construir o mundo que realmente desejamos.

Que em 2013 vocês possam destruir muitos mundos, na incessante busca de contruir o mundo que desejam.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Você já tem o seu manual para o fim do mundo?



Até o dia 21 de dezembro de 2012, data que segundo alguns o mundo termina, vocês poderão comprar comigo (através do e-mail andarilhor@uol.com.br) o livro 2013 Ano Um pelo valor de R$26,00, com frete grátis para todo o Brasil e ganharão um marcador e um mini-conto de minha autoria chamado "O Pesadelo dos Pesadelos".

Para quem não conhece esta publicação, trata-se de uma antologia de contos aonde quinze autores (entre eles este que vos fala) retratam suas visões do fim do mundo, e do que acontece depois dele.

Não esperem o mundo acabar para adquirir o seu!



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

10 Passos para se Tornar um Escritor Melhor


10 Passos para se Tornar um Escritor Melhor

1) Escreva
2) Escreva MAIS
3) Escreva AINDA MAIS
4) Escreva AINDA MAIS que ISSO
5) Escreva quando VOCÊ NÃO quiser
6) Escreva quando VOCÊ QUISER
7) Escreva quanvo VOCÊ TIVER alguma coisa a dizer
8) Escreva quando VOCÊ NÃO TIVER
9) Escreva TODO DIA
10) CONTINUE escrevendo

- Brian Clark

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Conto - Prisioneiro Interior


 O prisioneiro se debate contra as amarras que o contém. Cego e surdo ao mundo ao seu redor, tudo o que lhe resta é dor e sofrimento. Seu nome é sofrimento.
Busca de todas as formas uma saída do seu cárcere. Debatendo-se encontra uma fresta por onde sente a luz do dia, da liberdade.
Pela fresta o prisioneiro grita com toda a força que pode, em uma tentativa insana de conseguir ajuda. Mas seu grito não tem mais voz, de tanto tempo que esteve calada nesta prisão. Mesmo assim, não desiste, gritando seu lamento em silêncio, movido por puro desespero.
Pelo lado de fora, tudo o que o mundo vê é um homem sorridente. Ninguém percebe uma mísera lágrima se formando no canto do olho esquerdo...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Razão Total


Outro dia, em um almoço entre amigos, discutiamos sobre religião e as diferenças entre diversas crenças e igrejas. No meio do papo, que estava até bastante descontraído, apesar da seriedade do tema, alguém joga a seguinte frase:

"- Razão total é uma coisa que ninguém tem."

A maioria das pessoas concordou, mas eu, ao ouvir aquilo, com o humor afiadíssimo que me é característico tive um surto criativo e mandei uma piada hilariante, aproveitando o gancho que foi oferecido.

"- Claro que tem razão total! Um sobre um. Dois sobre dois. Etc, etc, etc."

Aposto que você, meu leitor, está se escangalhando de tanto rir ao ler isso, não é? Afinal, razão total, um número sobre si mesmo é igual a um, sacaram?

Pois é, eu sei que a piada foi horrível, aliás eu já sabia antes mesmo de pronunciá-la, e se ainda me restava alguma dúvida, a cara dos meus colegas diante dela, nem mesmo um sorrisinho, atestava o quanto ela era sem graça. Para completar, meu sobrinho pós-adolescente colocou a última pá de cal em quaisquer devaneios que eu tivesse de me tornar um astro do stand up comedy:

"- Tá ligado que essa piada foi horrível, né tio?"

Sonhos perdidos à parte, fiquei com isso na cabeça, e comecei a pensar no sentido da minha piada nem um pouco engraçada. Fazendo uma relação entre "razão total" e o fato de, matematicamente, ela só ser conseguida quando se tem dois números iguais um sobre o outro.Será que minha colocação foi tão sem noção assim? Sem graça, eu concordo, mas sem noção, eu não sei.

Pois é exatamente o que acontece com os grupos que defendem uma única forma de pensar, são formados por pessoas que pensam sempre iguais, a ponto de um confirmar o outro, e todos acreditam piamente serem detentores de uma "razão total", e menosprezam (ou até atacam) qualquer forma diferente de ser, pois isso perturbaria a sua equação perfeita.

Claro que estar com pessoas que concordam conosco é bom. Nos confirma e dá força para continuar nosso caminho, mas às vezes também é bom trocar com quem discorda de nós, quem nos provoca, nos questiona, nos faz pensar ou sentir coisas que nem imaginávamos existir.

Essas pessoas nos acrescentam, subtraem, multiplicam, potencializam.

Afinal, não é só de razão que vive a matemática, e nem a vida.

sábado, 15 de setembro de 2012

Paradigma


Paradigma
Para-dogma
Dogma que nos para, paraliza
Precisa se abrir para não morrer, definhar
Mas ao se abrir, se destrói, desconstrói
Da destruição, ressurge, reforma
Nova ideia, nova forma, novo dogma
Fechando-se em si mesmo
Até se permitir nova abertura.

domingo, 22 de julho de 2012

Resenha - 2013 Ano Um - Vários Autores


E se o calendário maia, as previsões de Nostradamus, as teorias mais catastróficas estiverem todas corretas? E se o fim estiver próximo? E depois?

Neste livro, quinze autores expõem sua visão do fim do mundo e como sobreviveremos à ele. Não são histórias sobre o fim, mas sobre novos começos.

Mesmo sendo suspeito, como um dos autores, achei a maioria dos contos indo do bom ao excelente, com apenas um conto caindo na categoria "não gostei".

O livro abre com o prefácio de César Silva que apresenta muito bem a proposta do livro, demonstrando que se trata não de um livro sobre o desespero do fim, mas sobre a esperança de novos começos.

O primeiro conto, Terra Brasilis, traz a versão mais original de "fim do mundo" do livro inteiro. Gerson Lodi-Ribeiro nos conduz por uma expedição na selva que se tornou o mundo de forma primorosa, deixando com a impressão de que o conto é, na verdade, o início de uma história maior (bem adequado com a premissa da antologia). Única falha é não ter traduções para os termos militares e em outra língua, o que dificultou um pouco o fluir da história.

Logo depois somos lançados em uma história de ação em A Rapineira de A.Z. Cordenonsi. O autor sabe como descrever cenas de ação de forma que a sensação é de estarmos assistindo um filme e não lendo um livro. Destaque para o questionamento quanto ao valores em um mundo onde as facilidades modernas se foram.

Fiquei um pouco incomodado com Antigos, de Duda Falcão, devido as semelhanças com meu próprio conto, mas a temática dele é bem diferente, apesar dos elementos em comum. Gostei do foco na continuidade da humanidade como conceito mais do que como raça.

A Imagem do Homem, de Carlos Relva, foi um dos contos que mais gostei. Com uma clara referência à "Matrix" o autor constrói um questionamento interessante sobre o que é ser humano e sobre o nosso sistema social. Difícil falar mais alguma coisa sem entregar a história.

Em contrapartida, O Último Homem, de Ademir Pascale, foi o conto que menos gostei, aliás foi o único conto de que não gostei em toda a antologia. A história simplesmente não se encaixa, começa várias vertentes sem terminar nenhuma. Única coisa que eu gostei foi do final.

Projeto Olimpo de Paulo Fodra é bem interessante ao manter uma história o tempo todo em figura e no final mostrar uma outra história por trás desta. Só senti falta de mais passagens com as interações entre os "deuses" para explorar melhor suas relações, o que tornaria o final ainda mais surpreendente do que já é. 

Em Para Viver na Barriga do Monstro, Roberto de Souza Causo nos tráz um olhar sobre o impacto do fim do mundo fora das grandes cidades, fazendo um contraste entre o olhar moderno do fim como algo terrível e o olhar antigo do fim como parte de um ciclo. 

O conto seguinte, Os Filhos do Dragão, é muito bom, fantástico e escrito por um autor maravilhoso que vai fazer mais sucesso que o Paulo Coelho. Brincadeira! Não vou avaliar o meu próprio conto, deixo isso para vocês. Quem quiser ler uma degustação veja aqui.

Reino, de Josué Oliveira, traz novamente a temática da sobrevivência com um toque de crítica social. Só não gostei do final por considerá-lo um pouco forçado, já que o elemento que conduziu ao final me causou estranheza por ser algo que não encaixa com a postura do protagonista ao longo do resto da história.

Outro conto com um fim do mundo diferente é O Dia em que as Nuvens Caíram, de Adriano Siqueira, ou seria melhor dizer que é uma forma diferente de apresentar um tema comum, o apocalipse zumbi. só senti falta de um pouco mais de amarração entre as cenas, o conto é um pouco rápido demais, pulando de uma cena para a outra de forma tão vertiginosa que precisei reler alguns trechos para entender "onde" estava. Fora isso, o conto é muito bom e também causa a sensação de ser o início de uma história maior.

Daniel Tréz fez um conto bem polêmico em Irmãos do Espírito, onde o líder de uma seita religiosa que comanda a nova sociedade humana faz um desabafo em seu leito de morte. A história é basicamente uma forte crítica social ao pensamento dogmático e seu final fecha com chave de ouro a temática.

Já tinha ouvido falar de Ana Lúcia Merege e seu romance O Castelo das Águias, e foi com certa expectativa que li o seu conto Deixando o Condado. Expectativas mais do que correspondidas, superadas até! Sendo um dos contos que mais gostei da antologia. Sua visão das relações humanas em uma situação de sobrevivência extrema é uma excelente reflexão. Mais um conto que me deixou curioso quanto ao que acontece depois, fica a proposta para a autora de um dia escrever uma continuação, talvez um ano depois com Octavio e Laura retornando ao condado.

Outro conto que explora as relações humanas ao extremo é Sempre o Sol de João Rogacianomas aqui não vemos a tensão inter-psíquica do conto anterior, mas uma tensão intra-psíquica onde o protagonista divaga sobre a sua própria transformação diante das mudanças do mundo. Adorei a forma em que o "fim do mundo" se apresenta no final da história.

Curiosamente O Retorno de Marcelo Bighetti é o único conto da antologia a colher inspiração diretamente do mito sobre o calendário maia, apresentando duas histórias paralelas, uma no presente e outra no passado, que por fim se encontram. Não sei muito bem o que opinar sobre essa história, não é que eu não tenha gostado, eu gostei, mas fiquei com a impressão de que faltou "algo", e eu não sei bem o que. Ou talvez eu esparasse um final diferente do que foi apresentado, apenas isso.

Mariana, de Tibor Moricz, fecha a antologia com uma história de recomeços diante das destruições, mostrando o conceito que foi o foco do projeto como um todo, a resiliência do ser humano, nossa capacidade de nos reconstruirmos diante dos abalos, criando novos sentidos para o mundo ao nosso redor, mesmo quando esse mundo desmorona.

O Pósfácio dos organizadores Alícia Azevedo e Daniel Borba fecha o livro discorrendo sobre a temática do homem diante da finitude, novamente trazendo a tona a questão central da antologia "O que acontece depois do fim?"

O livro é primoroso, tanto em seus autores quanto em sua apresentação, e eu espero ansioso por novas chances de trabalhar com a editora ornitorrinco e de compartilhar espaço novamente com muitos companheiros de caneta que participaram deste projeto comigo.

Contos que mais gostei: Terra Brasilis, Deixando o Condado e A Imagem do Homem.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia do Amigo


Dia do amigo

E hoje é dia do amigo.

E daí?

O que é ser amigo?

Nesses dias de redes sociais, em que temos centenas ou milhares de "amigos" qual é o valor e o sentido dessa palavra?

Fotos em uma tela que impassíveis observam o desenrolar de nossas vidas postadas, publicadas, curtidas e compartilhadas que de tempos em tempos, como zumbis saídos de uma tumba aparecem desenterrados para um comentário mordaz em algo que você postou?

NOTA: Se você identificou algum amigo ou "amigo" seu na frase acima, volte, releia e reflita se o zumbi não é você.

Ser amigo é estar presente, mas aí surge outra questão, o que é estar presente? É estar todo dia ao lado da pessoa? No trabalho, em casa? Conheço pessoas que convivem todos os dias e nem por isso são amigos. E pessoas que ficaram anos sem se ver e mantém o mesmo sentimento.

Então amizade é apenas um sentimento? Mas sentimentos precisam ser manifestados, senão ficam apenas trancafiados "no lado esquerdo do peito, perto do coração". Como? Com um abraço, com um aperto de mão, com uma mensagem pelo meio que for, com um estar presente, mesmo que ausente.

Amigos são pessoas que estão lá quando você precisa delas. E parece que o Universo tem um jeito todo especial de fazer essas pessoas aparecerem no momento certo, mesmo quando se está a muitos anos sem ver nem ter notícias. Até porque amigos se procuram, se não por telefone e internet, ao menos em pensamento, e pensamento gera energia.

Mas amigos também são aqueles que estão lá quando você não precisa deles. Não apenas no momento que você está no chão, para te ajudar a levantar, mas quando você está no topo, para te aplaudir.

Falsos amigos podem te dar a mão para levantar, mas depois eles não te largam, não permitem que você cresça mais do que eles.

Quantos amigos passaram pela sua mente lendo esse texto? A quanto tempo você não os procura nem que seja para um tão banalizado "Tudo bem?". Que tal aproveitar esse dia do amigo para fazer isso?

domingo, 15 de julho de 2012

Vamos marcar?


Duas palavras que estão na minha lista negra entre as mais odiadas (junto com inconstitucionalissimamente e dogma) são muito comuns nos dias de hoje "Vamos marcar".

Situação típica: Você está andando pelas ruas da cidade, saiu do curso, do trabalho, da casa de alguém, e encontra um velho amigo ou amiga que não vê faz muito tempo. Sem contar por facebook, onde você vê a cara da figura todos os dias, mesmo sem nem dar um "oi".

Aí, depois daquela sessão nostalgia em que você em poucos minutos se atualizam do que estão fazendo da vida, com várias trocas de "vi no seu face/twitter/istagram" no meio do caminho, vem a maldita frase na hora da despedida "Poxa, vamos marcar de sentar com mais calma para pôr o papo em dia."

Vocês se despedem, e apesar de terem celular, e-mail, messenger, facebook, twitter e mais o diabo-a-quatro, é preciso uma nova intervenção divina para que vocês se encontrem de novo da mesma forma acima descrita.

E NADA foi marcado...

Por isso que toda vez que algum amigo me vem com estas palavras malditas, eu já respondo "Vamos! Quando, onde, como?"

E já tento marcar naquele momento, aproveitando a providência celestial que permitiu de reencontrar em carne e osso aquela pessoa (coisa cada vez mais difícil neste tempo de virtualidade extrema).

Se não der, não deu e então marcamos de novo.

Mas sem essa de "vamos marcar" e sim "marquemos!", aqui e agora.

sábado, 14 de julho de 2012

Filhos & Fardos


Corinne Maier,uma psicanalista francesa publicou recentemente um livro sobre não ter filhos, onde ela defende que filhos são fardos, parasitas, e na melhor das hipóteses serão grandes decepções.


Nada contra quem pensa assim, ou por qualquer outro motivo, razão ou circunstância decida não ter filhos, o que mais me chamou a atenção sobre este livro, e mais especificamente sobre esta autora é o fato dela ter dois filhos, um de 11 e outro de 13 anos.


Tudo bem que as crianças podem não ser anjos, mas fico imaginando como deve ser para eles ter sua mãe declarando para o mundo todo (porque o livro já é um best-seller) que eles são "fardos", "parasitas", "decepções" e que  “custam caro, poluem e sobretudo afundam a existência das pessoas"


Fiquei com a sensação, ao ler uma matéria sobre o livro que se trata de uma espécie de vingança perversa contra essas crianças que ficavam doentes quando ela estava pronta para sair para se divertir ou que que a fizeram renunciar a todo o resto, a vida de casal, amigos, sexo e mesmo sucesso social (situações citadas no livro).


Fico me perguntando se os filhos dela são um fardo, ou se carregam o fardo emocional dela, com todas as questões mal resolvidas, sobre os quais ela não quer (ou não consegue) assumir responsabilidade.


Se você quer ter filhos ou não, ou realizar qualquer outro sonho ou projeto, ou desistir destes, preste muita atenção às suas escolhas para depois não transferir para ninguém os fardos da sua responsabilidade.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Jogo Criativo - Três Palavras (2)



Reativando este jogo que eu comecei aqui

Palavras enviadas por minha amiga Luciana Aguiar: Carta, Coração, Cama

Quando ela chegou em casa a CARTA estava esperando por ela na caixa do correio. Como todas as outras, sem remetente, mas o o perfume que emanava dela era inconfundível.
Seu coração batia acelerado, ansioso para ler o conteúdo, mas ela resistiu até terminar seus afazeres, tomou um banho rápido e vestiu uma camisola sensual antes de ir para a CAMA e só lá rasgou a ponta do envelope e começou a devorar as palavras delicadas escritas a mão.
Ela não leu a carta, fez AMOR com ela, deliciando-se com as declarações de seu amante oculto e misterioso até embalá-la em um sono satisfeito, onde ele a encontrava em sonhos nos quais nunca via seu rosto...

Palavras enviadas por minha amiga Cinthia Dutra Struchiner: Subida, Semente, Semblante

A SEMENTE cai na terra,
logo a vida começa sua SUBIDA
até a flor se abrir em explosão
revelando seu tímido SEMBLANTE

Palavras enviadas por minha amiga Gisa Cavalcante: Intuição, Ardente, Leveza

Me aproximo dela suavemente, ela se volta em minha direção, sua INTUIÇÃO lhe diz que estou aqui. Ela me procura ao redor, mesmo sabendo que não poderá me ver. Em certo momento chega a ficar tão próxima do meu rosto que sinto sua respiração sobre mim e fico tentado a tomar-lhe os lábios nos meus.
Abraço-a por trás, envolvendo-a com minhas asas, algumas penas caem com LEVEZA. Nossa paixão ARDENTE nos aquecendo mutuamente. Sentindo o pulsar de seu coração em meu peito, desejando que eu tivesse um para bater em sintonia com o dela.

Suspense, Terror e Horror




Existe muita confusão a respeito destes três gêneros literários, então resolvi escrever um pouco sobre a minha visão deles. Apesar de parecidos, a principal diferença entre uma história de suspense, terror ou horror, é o sentimento que a história visa promover em quem a lê.

Praticamente toda a história tem um pouco de suspense. A antecipação do que está por vir, um gancho levando a um conflito, sua resolução (ou a tentativa de resolução) levando à outro gancho, e assim por diante. Isso é porque o sentimento primordial do suspense é a ansiedade, a expectativa do que está por vir.

As histórias que rotulamos como suspenses são, na maioria, histórias de outros gêneros, tais como mistério e terror, mas onde esta ansiedade se torna mais importante do que qualquer outro sentimento que ela possa vir a despertar.

Já as histórias de terror visam instigar não apenas a ansiedade, mas o medo. Há até mesmo estudos que relacionam certos elementos das histórias de terror com alguns medos mais primordiais do ser humano, como uma ligação entre zumbis e nosso medo da morte. As boas histórias de terror nos colocam diante de nossos medos, nos permitindo encará-los e, talvez, até enfrentá-los.

Mas o horror não lida com o medo também? Sim! Mas as histórias de horror focam em um medo específico, talvez o medo mais primordial do ser humano: o medo do desconhecido. Ao fazer isso, estas histórias provocam um outro tipo de sentimento, a angústia. Uma história de horror trabalha com a busca de sentido no universo, e nos nega este sentido, deixando apenas pistas que nem sempre se encaixam completamente, ou trabalhando com uma lógica tão alienígena que desafia a nossa razão.

Cabe ao escritor decidir qual sentimento ele deseja provocar em seu leitor quando elabora sua história.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Resenha - Tortura Cor-de-Rosa - Lycia Barros



A família de Ava se muda para São Paulo e Ava precisa se adaptar, mais uma vez, a uma nova casa, novo colégio, novos amigos de turma, enfim, uma vida nova. Mas as coisas não são tão fáceis quando ela se vê na mira de um grupo de garotas de sua nova escola que começam a persegui-la e ameaça-la.

O livro é um romance infanto-juvenil com a temática do bullying. Mais especificamente, o bullying entre meninas. Ao longo da história, vemos o crescimento de Ava diante das adversidades impostas pelo grupo encabeçado por Jaque, uma menina mimada e manipuladora. 

Como recurso para trabalhar a temática em sala de aula e com adolescentes, sua utilidade é indiscutível. Todos os principais elementos para discussão estão ali, inclusive uma cartilha que acompanha o livro com questões sobre o tema que podem ser usadas de forma individual ou em grupo.

A história acompanha as humilhações sofridas pela protagonista e sua reação, não permitindo ser intimidada e dar-se por vencida. Entretanto, a história pouco demonstra de onde ela retira suas forças para continuar a lutar, chegando a parecer desistir em pelo menos dois ou três momentos.

Quando se trabalha com crianças e adolescentes em situação de bullying, é necessário estabelecer o que chamamos de "rede de apoio", normalmente formada por familiares e amigos, dentro ou fora da instituição de ensino onde a o bullying ocorre. No caso de Ava, a autora cria uma situação em que estas redes de apoio típicas não são acessíveis, fazendo parecer que a protagonista consegue forças por si mesma, o que pode acontecer, mas é muito mais difícil. 

Apenas no final descobrimos a rede de apoio de Ava, o que é compreensível no aspecto dramático, mas como psicólogo eu acho que seria mais interessante ter visto ela aparecer mais vezes ao longo da história.

Mesmo com esta crítica, a autora contrói uma ótima narrativa sobre o assunto, o que torna impressionante o fato do livro ter sido escrito em apenas 45 dias. Por isso, e pela utilidade como recurso psicopedagógico dou quatro estrelas.

Nota: Em um evento a cerca de um mês, a autora disse que havia escrito um outro final para a história, mas preferiu mudar na revisão por indicação da editora. Fiquei curioso quanto a qual seria o outro final.

domingo, 1 de julho de 2012

Sorteio 2013 Ano Um - Resultado


Olá a todos,

Só hoje é que foi possível postar o resultado do sorteio do livro 2013 Ano Um.

O sorteio foi realizado colocando o nome de todos os participantes em uma planilha, atribuindo-lhes um número pela ordem em que cada um postou o seu comentário e depois foi sorteado um número aleatoriamente através do site random.org. O resultado vocês conferem na foto abaixo:



Parabéns Tatinda!

Estarei entrando em contato para enviar o livro em breve.

E para os outros, ainda tenho alguns exemplares para vender. Se desejarem, entrem em contato comigo ou adquiram pela minha lojinha na estante virtual (www.estantevirtual.com.br/andarilhor)

Agradeço a todos os que participaram com suas respostas criativas!

Grande abraço!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Sonhos

Alguns dizem que não se deve acreditar.
Outros que é preciso construí-los.
Há aqueles que não param de pensar neles.
E os que imaginam um atrás do outro.
Mas não é nada disso!
Sonhos são para serem vividos.
Quando você sonha, você apenas vive o sonho.
O que nos impede de fazer o mesmo de olhos abertos?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Conto - Carta da Rio+200 para a Rio+20


Meu avô contava que este deserto infindável um dia havia sido uma floresta. E não uma floresta qualquer, mas a maior floresta de todo o mundo.
Eu não sei se é verdade. Meu avô gostava de exagerar em suas histórias.  E eu adorava ouvi-lo contá-las.
Ele morreu alguns meses atrás.
Câncer!
Assim como todos os outros da minha tribo.
Eu sou o último.
Ele também dizia que o riacho de água barrenta que sempre saciou a sede de nossa tribo um dia foi um rio gigantesco. Tão largo e com tanta água que você não conseguia ver a outra margem.
Mais um de seus exageros, sem dúvida.
De qualquer forma, tudo o que restou foi esse deserto escaldante, onde o céu é constantemente azul, e quando há nuvens, isso não é motivo de alegrias, mas de preocupação, pois as tempestades que elas trazem são tão violentas tanto em enxurrada quanto em raios e trovões, que é preferível permanecer com o sol.
Hoje está um dia fresco. Apenas 50 graus celsius.
Segundo meu avô, o fim da floresta e do rio, as cidades afundadas pelo mar crescente (e meu avô adorava contar histórias sobre cidades afundadas, principalmente de uma que tinha o nome de rio), tudo enfim, foi por causa de um tal dinheiro. Que as pessoas se matavam por ele, e viviam para ele.
Como eu não sabia o que era, meu avô me mostrou algumas folhas coloridas que ele guardou consigo. “Para lembrar dos velhos tempos”, dizia.
Depois que ele morreu, eu resolvi provar uma delas para ver se o gosto era tão bom assim para valer isso tudo.
Era horrível!
Talvez a folha estivesse velha e passada, não sei. Apesar que eu tomei o cuidado de escolher uma bem verdinha.
Ou talvez meus antepassados fossem simplesmente malucos.
Pensei em jogar todas as folhas fora, mas acabei guardando. Elas me lembram do meu avô e são bonitas, com todas as suas cores e símbolos. Quem sabe não era por isso que meus ancestrais faziam tudo por elas?
Será que não percebiam o que faziam com a mãe terra por umas folhas coloridas de gosto ruim?
Meu avô dizia que não.
Que eles chegaram a dizer que não era culpa deles, e que era capaz de seus descendentes até agradecerem pelo aumento do calor.
Eu sou seu descendente. E agradecimento está muito longe do que eu quero dizer a vocês.
Mas ofender vocês agora também não vai adiantar nada.
Eu não sei se alguma coisa ainda vai adiantar.
Mas eu estou tomado pela doença e pela solidão. Assim como aconteceu com o meu avô e com o resto da minha tribo, eu também estou morrendo. E já faz um mês que eu não vejo outra viva alma neste deserto.
Se a mãe terra, em sua infinita sabedoria, me conceder esta última dádiva, e esta mensagem puder chegar até vocês, meus ancestrais, eu trago essa mensagem:
Façam alguma coisa!
Por menor que possa parecer, façam alguma coisa para impedir que este mundo, este deserto sem fim, venha a existir.
Se vocês conseguirem, aí sim, seus descendentes terão algo a lhes agradecer.

Tomé, Deserto Amazônico, 20 de junho de 2192

sábado, 16 de junho de 2012

"Nada não. Eu só gosto de fazer polêmica."

"Nada não. Eu só gosto de fazer polêmica."

Recentemente tive um papo com uns amigos sobre um certo humorista (ou pelo menos assim ele se denomina), que após fazer várias piadas agressivas e sem graça, resolveu se por de vítima da sociedade feia e má que não entendeu suas brincadeiras, ao invés de admitir que errou na dose e se desculpar com seu público.

Esse papo me lembrou de uma colega de faculdade que adorava fazer uns comentários e contar umas histórias completamente fora do contexto das discussões rolando na aula. Particularmente ele adorava contar uma história que, segundo ela, era uma crítica a falta de solidariedade humana nos dias de hoje. Depois de ouvir a tal história umas 20 vezes, sendo usada em meio as mais variadas discussões, um certo chato (esse que vos escreve) resolveu perguntar "Fulana, mas o que isso tem a ver com o assunto aqui?" e a resposta dela foi (mais de uma vez, porque eu sou brasileiro e não desisto): "Nada não. Eu só gosto de fazer polêmica."

E ela realmente fazia. Pois a discussão se perdia e todos se voltavam para comentar a história dela. O mais incrível é que ninguém percebia o fato dela já ter contado a mesma história sei lá quantas vezes. E eu, ao questionar a relevância da mesma é que era considerado o chato.

Agora, você pode me perguntar (como eu fiz a tal fulana), Sandro, o que isso tem a ver com o humorista do primeiro parágrafo? TUDO! As duas pessoas não têm o que acrescentar então resolvem gerar polêmicas. Por que? Porque vende! Porque atrai atenção! E o que essas pessoas querem, não é gerar polêmicas, mas sim ter atenção.

E dá-lhe humoristas que fazem piadas sem graça com estupro e deficientes, modelos popozudas raspando o cabelo em rede nacional, apresentadoras de audiência descendente fazendo revelações bombásticas, atrizes de habilidade duvidosa que se deixam fotografar sem calcinha, seguindo a máxima de um velho ex-presidente "Falem mal, mas falem de mim". E tudo isso estoura na mídia. E estoura porque nós consumimos isso! Um monte de baboseira que não nos acrescenta me nada mas nós ficamos ávidos por mais e mais. E quando digo "nós" não estou de maneira alguma me isentando da minha responsabilidade nesse circo dos horrores. Tanto é que eu tenho certeza de você ter identificado a maioria das pessoas citadas aqui sem muito esforço.

Então taí, eu também resolvi fazer polêmica... espero que tenha conseguido com um pouco mais de conteúdo para sua reflexão, pois esse era o objetivo.

sábado, 2 de junho de 2012

Degustação - "Os Filhos do Dragão"

Um trecho de "Os Filhos do Dragão", meu conto publicado na antologia "2013 Ano Um", para a degustação de vocês:

"Um novo burburinho se espalhou pelo salão, recheado de excitamento. Toda criança já ouvira falar dos filhos do dragão. Suas baladas eram cantadas para elas antes mesmo de nascerem. As histórias de seus feitos eram trocadas como tesouros, mesmo aquelas que muitos achavam exageradas e fantasiosas, aliás, essas eram as mais valiosas dentre todas. Eles eram a base da sua sociedade, com suas lições de companheirismo, auto-sacrifício, honra e compaixão.

O velho aguardou que as vozes mais uma vez cessassem, e quando, ao invés disso, elas foram se intensificando mais e mais, levantou sua mão de três dedos pedindo silêncio. Quando isso também não adiantou passou a bater com sua bengala no chão, buscando chamar a atenção, mas as vozes das crianças se sobrepunham às suas batidas. Mesmo assim ele continuou a bater cada vez mais forte, aos poucos imbuindo sua bengala não apenas de força física, mas também do poder que corria pelo seu corpo, gerando ondas invisíveis a cada toque desta com o chão. Quando estas ondas atingiam as crianças causavam-lhes dor e desconforto que só foi diminuindo conforme elas se calavam. O velho saboreou o silêncio conseguido, sentindo-se orgulhoso de ainda conseguir canalizar o poder desta forma, para só então continuar sua narrativa."

Se você se interessou, pode concorrer ao sorteio que estou realizando no blog aqui ou adquirir o seu exemplar na minha lojinha do estante virtual aqui. Nos dois casos você receberá como brindes um marcador de livros da antologia e um livreto com um outro conto meu "O Pesadelo dos Pesadelos".

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sorteio - 2013 Ano Um


Sorteio - 2013 Ano Um

Nostradamus, Calendário Maia, Apocalipse.

Quando será o fim do mundo?

O ser humano sempre foi fascinado pelo fim. Do mundo, dos tempos, da vida. Estar diante dessa finitude é que nos define, nos coloca em contato com nossa mortalidade e a forma como lidamos com ela.

Mas e se o fim for apenas um novo começo?

Em 2013 Ano Um, antologia de contos da Editora Ornitorrinco da qual sou um dos autores selecionados, o fim do mundo atribuído ao calendário maia realmente acontece, mas será mesmo este o nosso fim? Que mundos surgiriam depois que o velho mundo já não existisse mais?

Em comemoração ao lançamento de meu primeiro conto publicado, "Os Filhos do Dragão", estou sorteando aqui no blog um exemplar deste livro, acompanhado de um marcador de livro e um livreto com mais um conto meu "O Pesadelo dos Pesadelos".

Para se inscrever, basta seguir publicamente o blog e fazer um comentário neste post respondendo "O que seria o fim do mundo para você?"

O sorteio ocorrerá no dia 30/06/2012, alguns meses antes do fim do mundo para dar tempo de ler todas as histórias incríveis contidas aqui.

Grande abraço, e boa sorte!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nanocontos - Loucura

Post um pouquinho atrasado, mas lá vai:
Semana passada, dia 18 de maio, foi o dia internacional da luta anti-manicomial, por causa disso, resolvi escrever uma série de nanocontos com o tema "loucura". Acabou que fiz mais alguns ao longo do final de semana e o resultado você vê aí embaixo:

#depressao Apenas aqueles que atravessam o vale das lágrimas podem encontrar o sorriso perdido.

#panico Ela havia se preparado tanto para o casamento, mas acabou pré-parada diante da felicidade.

#autismo Dentro de sua bolha azul, no mundo e fora deste, tentava alçar palavras, mas não conseguia. A música tornou-se a sua voz

O psicologo procurava alcançar a loucura, mas ela fugia dele. Frutrado, desistia. Não percebia que a fuga era um convite.

Era um anjo esquisito. Sentia o vento eriçando suas penas, mas nunca abria suas asas, pois temia as alturas...

Temia os olhares das pessoas reprovando e condenando. Mas o olhar que mais temia era aquele que vinha do espelho...

Fazia tudo igual todos os dias. Não arriscava fazer nada diferente. Toda noite reclamava que nada em sua vida mudava.

Sempre dissera que os aliens iam nos dominar, ninguém acreditava, chamavam-no de paranóico. Todos riam dele, inclusive os aliens.

Para quem quiser me acompanhar no twitter: www.twitter.com/andarilhor

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Resenha - Orgasmos Fatais

Uma mulher é brutalmente assassinada em seu apartamento no bairro de botafogo e as suspeitas reacem sobre sua rival, uma mulher sedutora, enigmática e provocante.

Esse é o início de "Orgasmos Fatais", escrito por Fernanda Borges. Um romance policial que não tem nada a dever para grandes autores estrangeiros como Tess Gerritssen, mas com um tom tipicamente carioca nos personagens e na narrativa.

Douglas, o policial civil encarregado do caso, é um homem que ainda acredita na justiça, por mais cega e preguiçosa que ela às vezes seja. Ele não se importa de em forçar os limites da lei, para para acordá-la um pouco, como ocultar dados da investigação até o último momento ou blefar em interrogatórios.

Em meio a investigação, ele se envolve com sua principal suspeita e o texto de Fernanda Borges nos deixa em suspense até o surpreendente final se este relacionamento é real ou apenas parte de um jogo para ludibriar o honesto investigador.

Com um texto bem escrito, personagens bem elaborados, e uma trama envolvente, a autora nos conduz em um caso onde vemos que todos têm segredos obscuros à esconder.

Uma ressalva deve ser feita: Este não é um livro para crianças! Existem cenas extremamente picantes, e aqueles que se incomodam com isso devem evitar este livro.

Fora isso, a única crítica que posso fazer ao livro é uma certa "quebra" de ritmo em alguns momentos, parecenco que algumas palavras ou frases foram adicionadas na revisão e não encaixaram tão bem quanto poderiam. Isso, entretanto, não atrapalha de sobremaneira a leitura. Cheguei a pensar em usar esta crítica para provocar a autora dando-lhe quatro estrelas, mas isso seria uma injustiça para com ela e com seu trabalho, por isso, dou cinco estrelas e aguardo ansioso pelo seu próximo trabalho com o detetive Douglas em "O Reverso do Destino".

sábado, 12 de maio de 2012

Nanocontos de 10 de maio de 2012

Na espera de solo fértil e do clima perfeito, a flor apodreceu, sem nunca deixar de ser semente...

Parte dele dizia para ser forte, outra parte para ser sensível. De parte em parte, acabou fendido, sem saber quem era afinal.

A malabarista tenta manter as bolas no ar. Carreira, família, casa, amizades.Tanto olha para o alto, q não sabe mais aonde pisa.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Nanocontos de 29 de abril de 2012

Ele tinha tão claro o que queria em sua vida, mas foi em um desvio de percurso que encontrou aquilo que o buscava.

Do banco de clones, humanos saiam em série. Programados com suas funções. Mas um secretamente tinha um defeito: era criativo.

Diante das gotas caindo, ele fecha a janela, temendo a chuva. Mas não há chuva essa noite, e as gotas q caem do teto são sangue.

Mesmo com o corpo doendo dos ossos quebrados, ele olha para os motoqueiros sorrindo. Hoje é lua cheia, e o céu está se abrindo.

Não havia nada lá! Tinha certeza. Mas sentia que estava sendo observado. Como se as próprias sombras tivessem olhos.

domingo, 29 de abril de 2012

Nanocontos 27 e 28 de abril de 2012

Continuando os nanocontos.
Comentários são bem vindos

28/04
Após uma vida inteira, havia alcançado o pico do monte. Lá de cima, apenas um pensamento lhe vinha: "Agora, como eu desço?"

27/04
Sem saber como ali chegara, se viu diante de três caminhos. A cada passo, os caminhos permaneciam, e ele se transformava.

Olhando a imagem no espelho, ele perguntou "quem é vc?". Imaginem o susto quando o reflexo respondeu!

Ela se viu perdida na pior das prisões, a de ser quem era. Não via saída a não ser se transformar, mas tinha medo de suas asas.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Nanocontos - 26/04/2012

Como um exercício criativo, comecei ontem a postar nanocontos na minha conta do twitter (www.twitter.com/andarilhor).

Um nanoconto é uma história contida em um espaço curto de caracteres, no caso eu estou usando um máximo de 129 (11 são para a hashtag #nanoconto), e é interessante tentar expressar uma cena, uma ideia, em um espaço tão curto.

Não sei se farei isso todos os dias, mas sempre que fizer estarei postando aqui os nanocontos que escrevi no dia anterior.

Comentários são bem vindos.

Grande abraço, e divirtam-se:

---------------------------------------------------------------------------------

Quando o último grão se soltou do topo da ampulheta, ele tambem se lançou no vazio, tentando agarrar aquele instante derradeiro.

Diante de uma escolha, ela se dividiu. Viveram suas vidas, mas sempre com um "se". Ao se reencontrar, pediram "vamos trocar?"

Um momento, era tudo o que queria. Estar com ela novamente, mesmo que por um mísero momento, seria a eternidade...

Corria sempre atrasado, nunca chegando ao presente, sempre no passado. De tanto correr, acabou adiantado. Continuou desalinhado.

terça-feira, 20 de março de 2012

A Criança no Espelho

E hoje eu vejo no espelho,
um rosto há muito esquecido.
Um sorriso inocente,
que eu dava como perdido.
Se antes eu olhava para o adulto,
que um dia eu seria,
hoje é meu eu criança
que me espreita,
cheio de alegria.
Que eu possa atender aos anseios desta criança,
que em meu peito adormece.
Meu Deus,
eu te faço essa prece.
Que a alegria de viver dela me contagie,
e nunca o reverso.
Pois, como adulto sou cheio de prosa,
mas quando criança, era cheio de verso.
Seus sonhos eu não realizei,
ainda assim sorri para mim.
O que me diz que no total,
não tive uma história tão ruim.
Espero, um dia, estar ao seu lado,
olhando através do espelho.
Quando formos bisbilhotar,
um eu bem mais velho.
E da mesma forma que ela me faz hoje,
quero brindar-me com um sorriso.
Dizendo “Parabéns,
você seguiu o caminho preciso.”

quinta-feira, 15 de março de 2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

Jogo Criativo - Suspense e Cotidiano

Jogo Criativo - Suspense e Cotidiano

Ele olha para a sua vítima indefesa sobre a mesa e pega a faca segurando firme. Há um leve brilho na lâmina quando ela reflete o seu rosto.
O primeiro golpe é forte e firme. Existe uma urgência, um desejo que move seu atos. Os golpes se tornam mais suaves, quase cirúrgicos, mas ainda assim são golpes tremidos, instáveis, ansiosos.
A vítima se tinge de vermelho com os golpes dele. Ele para e admira sua obra. Se levanta para pegar algo que havia esquecido, deixando a vítima exposta as moscas. Logo uma se aproxima, imaginando que teria um banquete, mas é afugentada por ele que agita o objeto antes esquecido, um grande rolo de papéis.
Ele se senta, e toca sua vítima, sentindo a expectativa do que está por vir.Um ruído de algo se quebrando seguido por um gemido abafado.
Um simples pensamento lhe vem a mente "Que delícia começar o dia com uma torrada com geléia de morango enquanto leio o jornal!"

______________________________________________

Para os que não entenderam patavinas:
Gosto de criar esses pequenos jogos criativos como experimentos para aprimorar a minha habilidade como escritor. A proposta aqui foi tentar criar suspense ao descrever uma cena cotidiana, no caso uma pessoa passando geléia de morango em uma torrada e depois sentando para ler o seu jornal.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Jogo Criativo - Três Palavras (1)

Jogo Criativo - Três Palavras (1)

Ano passado, eu propus no facebook um pequeno jogo criativo aos meus amigos do facebook. Cada um que quisesse participar colocava nos comentários 3 palavras quaisquer e eu tinha que tentar escrever alguma coisa com elas em até 3 parágrafos. Resolvi alguns dias atrás recuperar esse joguinho, até para terminar os que eu não fiz, então quis também compartilhar com as pessoas que acompanham aqui o blog os resultados deste pequena brincadeira criativa, e fica uma dica interessante para os que sofrem de bloqueio criativo.

Palavras enviadas por minha amiga Priscila Magalhães: Água, Casa, Carinho

Havia uma velha CASA ao lado do rio
Ao lado da CASA havia um moinho
A ÁGUA empurrava o moinho
O moinho fazia CARINHO no rio...

Palavras enviadas por minha amiga Nelice Simão: Barulho, Pipoca e Cacareco

O velho carango hoje tinha uma cor infefinida pela tinta descascada, seu motor que um dia roncava sem BARULHO, hoje só estoura e PIPOCA.
Ele sabe que os outros carros falam dele. Chamam ele de calhambeque, CACARECO, pedaço de ferro velho.
Talvez ele só precise de alguem que descubra o velho ronco do seu motor...

Palavras enviadas por meu sobrinho Giovane Cella: Gárgula, Boina, Travesso.

Em uma pequena vila, havia um garoto TRAVESSO, que infernizava a vida de todos. Roubava frutas, amarrava latas no rabo dos gatos, caçava passarinhos. Não havia quem pudesse controlá-lo. Sempre que viam ele chegando com sua BOINA vermelha todos na cidade já sabiam que teriam problemas.Até o padre da cidade ficava enlouquecido com o menino de boina, e avisava que um dia o castigo viria de cima.
Certo dia, o garoto de boina cortou caminho pelo velho cemitério da cidade, e resolveu armar mais uma travessura e fazer xixi nos túmulos. Mal começara e sentiu alguem lhe empurrar jogando-o ao chão. Levantou-se de repente olhando ao redor e não viu ninguem. Percebeu que sua boina tinha caído de sua cabeça, mas não a encontrava. Quando a viu, levou um susto.
A boina estava na cabeça de uma GÁRGULA, em cima de uma velha cripta, mais de 3 metros de altura, não havia como ela ter chegado ali. E o que fez o sangue do menino gelar foi que a gárgula olhava diretamente para ele, sua língua para fora em sua direção, o dedo de uma das mãos levantado como que dizendo "não".
O menino correu para casa e nunca mais foi travesso e também nunca mais cortou caminho pelo cemitério. Sua boina vermelha continua adornando a cabeça de uma velha gárgula no meio do cemitério que sorri satisfeita.

domingo, 4 de março de 2012

Paciência e Perseverança

Conta o dito popular que a paciência é uma virtude, e que deve ser cultivada. Confesso que a minha morreu sem dar flores ou frutos, nem ao menos folhas. Nunca tive muita paciência, essa coisa de ficar esperando as coisas acontecerem parado.

Não é que eu não espere que coisas aconteçam. Eu espero! Tenho sempre a esperança de coisas boas acontecerem, para mim e para as pessoas ao meu redor, assim como para o mundo. Mas odeio a ideia de ficar parado sem fazer nada sem saber o que fazer para que elas ocorram.

Entretanto, tenho aprendido que, ação sem o momento certo se tornam energia desperdiçada. Algumas vezes é preciso parar, não de uma forma passiva, mas ativamente observando o mundo ao meu redor, buscando perceber o melhor momento e a melhor forma de agir. Sempre tentando alinhar a minha vontade, as minhas necessidades, e o movimento do mundo.

Os orientais chamam isso de "wu wei", "seguir o fluxo". Observar o fluxo da vida e seguir com ele, ao invés de lutar contra ele, o que só gera sofrimento e dificuldades.

Até o momento, esta mudança de postura tem me trazido muitos benefícios e crescimento, alimentando a esperança que eu citei lá em cima. E me permitindo perceber em problemas, oportunidades de agir de forma diferente.

Talvez eu nunca aprenda a ser paciente, mas acho que estou aprendendo a ser perseverante...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Palavras no caminho...

Escrever é meio como um vício, uma droga.
As primeiras doses você não sente nada, mas com o tempo cada dose vai se tornando insuficiente e se faz necessário tomar doses maiores e maiores.
A diferença é que a droga envolve colocar algo estranho para dentro, e escrever envolve colocar algo estranho para fora.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Anarquia é viável?

A Anarquia é viável?

"Se desejas testar o caráter de um homem, dê-lhe poder."
- Abraham Lincoln

"O Inferno são os outros."
- Jean-Paul Sartre

"Mas, se o bastante de nós sonhar...
Se mil de nós sonharmos...
...poderemos mudar o mundo.
Nós podemos sonhá-lo de novo!"
- Neil Gaiman, Um Sonho de Mil Gatos

É algo engraçado quando falo para as pessoas que sou anarquista. Elas me olham de um jeito estranho e invariavelmente vem a frase "Você não tem cara de anarquista!", que costuma vir acompanhada de alusões a depredações, roubos, saques, etc. E lá vou eu explicar que anarquia não é nada disso, isso se chama vandalismo, por mais que esses vândalos se digam anarquistas.

Sou tão anarquista que nunca li nenhum texto de nenhum autor clássico anarquista, por isso, se esperam que eu os cite aqui, sinto desapontá-los. Na verdade, não sinto não, estou apenas dizendo isso para ser educado. Mesmo algumas pessoas já tendo me dito que as minhas ideias são similares a de alguns destes autores, não tive a oportunidade, nem a real vontade de procurá-los.

Anarquia, simplesmeste significa "não governo", ou melhor dizendo, a ausência de um estado de poder, de uma autarquia superior que comanda nossos deveres e direitos perante a sociedade. Só que toda ausência precisa ser preenchida, e na anarquia o preenchimentos somos todos nós. Isso! Nós! Ou essa estranha entidade chamada de "sociedade".

Cabe a cada indivíduo participar diretamente da promoção do bem-estar da sociedade como um todo, por saber que ao fazer isso ele também está se beneficiando. Parece uma ideia um tanto utópica para você que está me lendo neste momento, eu imagino. E tambem imagino que neste momento você está pensando que existem pessoas que não se importam com os outros, que diante de tal estado irão usar da força e do poder para dominar os outros. Mas e você? Você se importa com os outros? O que você tem feito para ajudar os outros? Para tornar o mundo ao seu redor um lugar melhor? Agora, pense bem, quantas vezes você exerceu alguma forma de poder ou força para conseguir aquilo que quer, sem se preocupar com os outros? Então, de quem você está falando mesmo? Dos outros? Ou de você mesmo?

A verdadeira anarquia exige uma confiança no ser humano, e na sua capacidade de crescimento. Crescimento esse que não é para uma direção específica, mas um desenvolvimento de cada ser humano como ele é! E isso requer, além de confiança, um respeito a si mesmo e a diversidade desta figura estranha que chamamos coletivamente de "outro".

É muito mais fácil deixar que outros tomem o poder, que ditem as regras e julguem o certo e o errado. Que eles nos protejam do outro! Que eles nos protejam de nós mesmos. E é assim que são formados todos os governos, pela aquiescência e permissividade dos governados. E tal qual Poncio Pilatos, lavamos nossas mãos, chamando aqueles que permitimos que nos governassem de ladrões, corruptos, interesseiros, mas nada fazendo para mudar isso. Novamente nos eximimos da responsabilidade, outra característica necessária para uma verdadeira anarquia, e talvez a mais temida de todas.

Em resumo, para uma verdadeira anarquia, uma ausência de um estado soberano, é necessário que recuperemos a fé no ser humano, tanto este a quem chamamos de "eu", quanto aquele que chamamos de "outro". É verdade que nos últimos tempos, esta criatura não tem nos dado muitas provas de confiança, respeito, ou responsabilidade, mas é disso que se trata a fé, acreditar, mesmo diante de provas em contrário.