terça-feira, 20 de março de 2012

A Criança no Espelho

E hoje eu vejo no espelho,
um rosto há muito esquecido.
Um sorriso inocente,
que eu dava como perdido.
Se antes eu olhava para o adulto,
que um dia eu seria,
hoje é meu eu criança
que me espreita,
cheio de alegria.
Que eu possa atender aos anseios desta criança,
que em meu peito adormece.
Meu Deus,
eu te faço essa prece.
Que a alegria de viver dela me contagie,
e nunca o reverso.
Pois, como adulto sou cheio de prosa,
mas quando criança, era cheio de verso.
Seus sonhos eu não realizei,
ainda assim sorri para mim.
O que me diz que no total,
não tive uma história tão ruim.
Espero, um dia, estar ao seu lado,
olhando através do espelho.
Quando formos bisbilhotar,
um eu bem mais velho.
E da mesma forma que ela me faz hoje,
quero brindar-me com um sorriso.
Dizendo “Parabéns,
você seguiu o caminho preciso.”

quinta-feira, 15 de março de 2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

Jogo Criativo - Suspense e Cotidiano

Jogo Criativo - Suspense e Cotidiano

Ele olha para a sua vítima indefesa sobre a mesa e pega a faca segurando firme. Há um leve brilho na lâmina quando ela reflete o seu rosto.
O primeiro golpe é forte e firme. Existe uma urgência, um desejo que move seu atos. Os golpes se tornam mais suaves, quase cirúrgicos, mas ainda assim são golpes tremidos, instáveis, ansiosos.
A vítima se tinge de vermelho com os golpes dele. Ele para e admira sua obra. Se levanta para pegar algo que havia esquecido, deixando a vítima exposta as moscas. Logo uma se aproxima, imaginando que teria um banquete, mas é afugentada por ele que agita o objeto antes esquecido, um grande rolo de papéis.
Ele se senta, e toca sua vítima, sentindo a expectativa do que está por vir.Um ruído de algo se quebrando seguido por um gemido abafado.
Um simples pensamento lhe vem a mente "Que delícia começar o dia com uma torrada com geléia de morango enquanto leio o jornal!"

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Para os que não entenderam patavinas:
Gosto de criar esses pequenos jogos criativos como experimentos para aprimorar a minha habilidade como escritor. A proposta aqui foi tentar criar suspense ao descrever uma cena cotidiana, no caso uma pessoa passando geléia de morango em uma torrada e depois sentando para ler o seu jornal.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Jogo Criativo - Três Palavras (1)

Jogo Criativo - Três Palavras (1)

Ano passado, eu propus no facebook um pequeno jogo criativo aos meus amigos do facebook. Cada um que quisesse participar colocava nos comentários 3 palavras quaisquer e eu tinha que tentar escrever alguma coisa com elas em até 3 parágrafos. Resolvi alguns dias atrás recuperar esse joguinho, até para terminar os que eu não fiz, então quis também compartilhar com as pessoas que acompanham aqui o blog os resultados deste pequena brincadeira criativa, e fica uma dica interessante para os que sofrem de bloqueio criativo.

Palavras enviadas por minha amiga Priscila Magalhães: Água, Casa, Carinho

Havia uma velha CASA ao lado do rio
Ao lado da CASA havia um moinho
A ÁGUA empurrava o moinho
O moinho fazia CARINHO no rio...

Palavras enviadas por minha amiga Nelice Simão: Barulho, Pipoca e Cacareco

O velho carango hoje tinha uma cor infefinida pela tinta descascada, seu motor que um dia roncava sem BARULHO, hoje só estoura e PIPOCA.
Ele sabe que os outros carros falam dele. Chamam ele de calhambeque, CACARECO, pedaço de ferro velho.
Talvez ele só precise de alguem que descubra o velho ronco do seu motor...

Palavras enviadas por meu sobrinho Giovane Cella: Gárgula, Boina, Travesso.

Em uma pequena vila, havia um garoto TRAVESSO, que infernizava a vida de todos. Roubava frutas, amarrava latas no rabo dos gatos, caçava passarinhos. Não havia quem pudesse controlá-lo. Sempre que viam ele chegando com sua BOINA vermelha todos na cidade já sabiam que teriam problemas.Até o padre da cidade ficava enlouquecido com o menino de boina, e avisava que um dia o castigo viria de cima.
Certo dia, o garoto de boina cortou caminho pelo velho cemitério da cidade, e resolveu armar mais uma travessura e fazer xixi nos túmulos. Mal começara e sentiu alguem lhe empurrar jogando-o ao chão. Levantou-se de repente olhando ao redor e não viu ninguem. Percebeu que sua boina tinha caído de sua cabeça, mas não a encontrava. Quando a viu, levou um susto.
A boina estava na cabeça de uma GÁRGULA, em cima de uma velha cripta, mais de 3 metros de altura, não havia como ela ter chegado ali. E o que fez o sangue do menino gelar foi que a gárgula olhava diretamente para ele, sua língua para fora em sua direção, o dedo de uma das mãos levantado como que dizendo "não".
O menino correu para casa e nunca mais foi travesso e também nunca mais cortou caminho pelo cemitério. Sua boina vermelha continua adornando a cabeça de uma velha gárgula no meio do cemitério que sorri satisfeita.

domingo, 4 de março de 2012

Paciência e Perseverança

Conta o dito popular que a paciência é uma virtude, e que deve ser cultivada. Confesso que a minha morreu sem dar flores ou frutos, nem ao menos folhas. Nunca tive muita paciência, essa coisa de ficar esperando as coisas acontecerem parado.

Não é que eu não espere que coisas aconteçam. Eu espero! Tenho sempre a esperança de coisas boas acontecerem, para mim e para as pessoas ao meu redor, assim como para o mundo. Mas odeio a ideia de ficar parado sem fazer nada sem saber o que fazer para que elas ocorram.

Entretanto, tenho aprendido que, ação sem o momento certo se tornam energia desperdiçada. Algumas vezes é preciso parar, não de uma forma passiva, mas ativamente observando o mundo ao meu redor, buscando perceber o melhor momento e a melhor forma de agir. Sempre tentando alinhar a minha vontade, as minhas necessidades, e o movimento do mundo.

Os orientais chamam isso de "wu wei", "seguir o fluxo". Observar o fluxo da vida e seguir com ele, ao invés de lutar contra ele, o que só gera sofrimento e dificuldades.

Até o momento, esta mudança de postura tem me trazido muitos benefícios e crescimento, alimentando a esperança que eu citei lá em cima. E me permitindo perceber em problemas, oportunidades de agir de forma diferente.

Talvez eu nunca aprenda a ser paciente, mas acho que estou aprendendo a ser perseverante...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Palavras no caminho...

Escrever é meio como um vício, uma droga.
As primeiras doses você não sente nada, mas com o tempo cada dose vai se tornando insuficiente e se faz necessário tomar doses maiores e maiores.
A diferença é que a droga envolve colocar algo estranho para dentro, e escrever envolve colocar algo estranho para fora.