quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Mudanças...

"O Inferno são os Outros."
- Jean Paul Sartre

"Mas o que fazer com o Outro que reside em mim?"
- Sandro Quintana

Acho que não existe melhor época para falar de mudanças do que a virada de um ano.

Tecnicamente é apenas uma mudança de calendário, um número que se modifica na escrita da data. Simbolicamente, essas pequenas mudanças trazem a esperança e o desejo de grandes transformações em nossas vidas. Projetamos neste futuro nem tão longíquo todas as transformações que queríamos ter realizado ao longo do ano que se passou, mas que não aconteceram.

Por que é tão difícil mudar?

Ao longo de 2009 eu passei por várias transformações. Chego ao fim deste ano me sentindo outra pessoa, não sou mais o mesmo que eu era na virada de de 2008 para 2009. Emagreci cerca de 36kg, terminei minha faculdade de psicologia, estou cheio de projetos para o ano que vem, me sinto mais decidido do que nunca... Mas ao mesmo tempo estou cheio de medo e apreensões.
Não conheço esta pessoa que me tornei (ou melhor, que ainda estou me tornando). Seria muito mais fácil fingir que nenhuma transformação ocorreu, me render a compulsão alimentar e engordar de novo, continuar estudante e não tocar pra frente nenhum dos projetos profissionais que eu tenho. Será que seria mais fácil mesmo?

Einstein dizia que "uma mente que se expande para abrigar uma idéia nova nunca mais retorna ao seu tamanho original", com a vida é a mesma coisa, uma vez que iniciamos uma transformação, não há como voltar a atrás. É necessário seguir (em frente, pra direita, pra esquerda, pra qualquer lugar, menos pra trás) e ver aonde isso vai nos levar.

Essa incerteza, esse não-saber é que nos assusta, muitas vezes nos apavora diante da mudança. Nos tornamos um outro para nós mesmos. Quem é esta pessoa que reside em mim que agora quer eclodir? Porque ela não pode permanecer quieta enfurnada na caverna de minha psique onde ela viveu por tanto tempo? Ao mesmo tempo nos perguntamos como pudemos viver tanto tempo sem conhecer esta pessoa, sem conhecer a nós mesmos?

Da mesma forma que nos tornamos um outro para nós mesmos, nos tornamos um outro para os outros. Família, amigos, colegas de trabalho, muitas vezes não acolhem este outro como acolhiam quem nós éramos, e esta ausência de suporte muitas vezes alimenta nosso medo e nossa vontade de voltar atrás. Todos sempre torcem por nós, mas eles queriam que nós mudássemos apenas um aspecto, e não o todo que nos constitui, como se isso fosse possível. rs

Continuo em minha mudança, agora rumo a 2010, e quem sabe, apenas quem sabe, não descubro que ao me transformar, me torno cada vez mais quem eu sou?