quarta-feira, 10 de março de 2010

Um mundo melhor.... para quem?

"É possível mudar o mundo, uma pessoa de cada vez."
- Nelson Mandela

"Seja a mudança que você quer no mundo."
- Mahatma Gandhi

"Ernest Hemingway escreveu certa vez: 'O mundo é um lugar bom, e vale a pena lutar por ele.' ...concordo com a segunda parte."
- Detetive Sommerset, personagem de Morgan Freeman no filme Se7en, os Sete Crimes Capitais

Estava conversando com um amigo outro dia sobre política e falavamos da importância de cada pessoa tomar para si a responsabilidade de transformar nosso país e nosso mundo em um lugar melhor. Só que aí ele começou a dar uma série de exemplos e me dei conta de que ele (e cada um de nós) tem uma idéia do que as pessoas deveriam fazer para criar um mundo melhor, e que partimos de nosso próprio referencial, do que nós mesmos consideramos um mundo melhor.

No caso, se todos fizessem o que ele falou, pra mim seria um inferno pois seria um mundo robotizado e oprimido, ainda mais escravo de leis injustas e moralidades duvidosas... mas aí que está, essa é a minha opinião. Para ele seria um mundo mais organizado, limpo, justo, sem impunidades.

Não sei se minha visão ou a de meu amigo estão mais corretas, mas me fizeram começar a refletir. Todos (ou pelo menos a grande maioria) queremos um mundo melhor, mas seria interessante perguntar: Um mundo melhor... para quem? Para mim? Para minha família? Para aqueles que são iguais a mim (mesma profissão, mesmo bairro, cidade, país, time de futebol, mesma classe social, mesma "raça")?

E quanto aos "outros"? Sempre os outros atrapalhando tudo, não é? E quem são esses outros? Os diferentes, os excluídos, os marginais.

Na maioria das vezes, quando criamos um "mundo melhor" esquecemos da diversidade desses outros, e até como poderíamos? Se a diversidade do Ser Humano (em maiúsculas mesmo) é infinita? Mas se faz necessário ampliar nosso campo de visão e tentar enxergar esses outros no mundo melhor que desejamos criar. Senão corremos o risco de concordar com Foucault, para quem o marginal e o diferente não eram excluídos da sociedade, mas ocupavam um lugar já predeterminado para a existência da sociedade, eram parte do sistema incluídos em sua exclusão.

Demorei dois meses para escrever este texto e não sei se ele está completo, se consegui colocar nele tudo o que eu queria dizer e tudo que penso sobre o assunto (que nem sempre são a mesma coisa), mas irei postá-lo assim mesmo. Acho que é assim que construímos um mundo melhor, fazendo o melhor que podemos, fazendo o que acreditamos ser o certo, e lidando com as consequências de nossos atos, mas agindo sempre!