sexta-feira, 5 de abril de 2013

Mera Coincidência


Uma das melhores formas de conduzir um povo é através do medo. Machiavel já dizia isso em seu "O Príncipe", manual da idade média para o exercício de poder de um governante. Nele, o autor diz que existem duas formas de controlar o povo, através do amor e do medo. Mas, ressalva Machiavel, o amor é muito inconstante e, por isso, ele recomenda que um governante controle seu povo através do medo, que é muito mais confiável.

Apesar deste recurso poder ser traçado antropologicamente desde os tempos das cavernas, quando as tribos se enfrentavam e se odiavam apenas por uma diferença física ou por possuírem diferentes rituais e cerimônias, um dos usos mais marcantes do governo do medo em nossa história data de meados do século passado, no fascismo que levou à Segunda Guerra Mundial. Cerca de apenas 70 anos de nosso presente.

O maior expoente desta prática foi Adolf Hitler, que em seus discursos pregava contra os ciganos, os judeus, os negros e os homossexuais como sendo a causa de todos os problemas de seu tempo, e que o povo deveria apoiá-lo em sua missão de limpar o mundo destes seres nocivos em nome de Deus. A população, abatida pela crise econômica e social que tocava o mundo na década de 30 do século XX, estava ávida por encontrar um culpado por sua miséria, e engoliu o discurso de Hitler sem uma única mastigada garantindo-lhe o poder para iniciar um dos períodos mais terríveis de nossa história recente.

Claro que tudo isso que escrevi aqui trata-se de mera informação histórica, e qualquer relação com pessoas atuais, como por exemplo deputados, senadores ou líderes religiosos, é mera coincidência.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Degustação de "O Guardião da Ceifadora de Almas"

Abaixo segue uma prévia do meu conto "O Guardião da Ceifadora de Almas", que sairá em breve na antologia "Destinos Fantásticos".



segunda-feira, 1 de abril de 2013

O Abril dos Tolos


Os povos antigos costumavam se guiar nos ciclos das estações através de um contato profundo e direto com a natureza. Desta forma, eles consideravam a renovação do ciclo solar como o início da primavera (no hemisfério norte, na mesma época em que ocorre o início do outono no hemisfério sul), ao invés de tentar encaixá-lo em um calendário artificial como fazemos hoje em dia.

Por causa disso, após a adoção de calendários como o gregoriano (que usamos até os dias de hoje) o "ano novo pagão" caia alguns meses depois do "ano novo cristão", mais ou menos no final de março ou início de abril.

Durante a idade média, quando os povos cristãos viam as festividades pelo início da primavera e de um novo ciclo solar, ou seja um ano novo, chamavam-nos de tolos. Com o passar dos anos e das gerações, essa troça se sofisticou, com os cristãos fazendo festivais que ridicularizavam os ritos pagãos (algo como um bullying medieval) e daí surgiu a expressão "April's Fool", Tolo de Abril.

Não sei ao certo como acabou se oficializando o dia primeiro de abril como o dia dos tolos e depois, em nossa cultura tornou-se o dia da mentira, mas originalmente nada mais era do que uma tentativa de desacreditar um povo e suas crenças. O fato de continuarmos a repetir tais comportamentos de desrespeito com as diferenças me faz perguntar: Quem é o tolo afinal?

PS: Isso não é uma piada de primeiro de abril.