quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sorteio 100 Likes

Para comemorar os 100 "curtir" na minha página do facebook (https://www.facebook.com/sandroquintanaescritor) eu decidi sortear um exemplar de cada uma das duas antologias que participo, junto com dois livretos feitos por mim com contos meus. O formulário de participação é este aí embaixo, e é preciso residir no Brasil.



Boa sorte a todos!

a Rafflecopter giveaway

PS: É a minha primeira experiência com o rafflecopter, então eu espero que dê tudo certo.

Você gosta de azeitona?

"Eu sou maior do que todos os meus rótulos."
- Michael White

Você  gosta de azeitona?

Sim, estou perguntando isso a você. Você que está lendo isso agora.

Você gosta de azeitona?

Imagino uma grande diversidade de respostas, além dos vários "sim" e "não", há a possibilidade de "apenas verdes", "apenas pretas", "só na pizza", "não gosto, mas como", etc.

Mas e se eu tivesse aqui comigo um vidro de azeitonas e te perguntasse "Você gosta destas azeitonas?"

A resposta não viria tão fácil, não é?

Afinal, você não sabe como são estas azeitonas.

Ao olhar o rótulo, você poderia ter diversas informações sobre elas, se são pretas ou verdes, com caroço ou sem caroço, qual a empresa que as coloca em conserva e as distribui, quantas calorias, proteínas, gorduras e sódio elas possuem. Mas saber disso tudo responderia a minha pergunta? Você gosta dessas azeitonas?

Então, o que seria necessário para obter uma resposta?

Seria necessário que você abrisse o vidro, pegasse a azeitona, sentisse a sua textura em contato com a sua pele, seu formato, seu cheiro. E por fim, colocasse em sua boca e absorvesse o seu sabor.

Sabor este que pode ser ácido, amargo, pungente, picante, salgado, adocicado, e uma outra infinidade de sabores diferentes. Só aí você poderá dizer se gosta ou não destas azeitonas.

Com as pessoas é a mesma coisa.

Enquanto ficamos apenas em seus rótulos, coletando informações, podemos dizer se gostamos do rótulo, mas não das pessoas. Apenas quando nos abrimos para conhecer as pessoas, para nos relacionarmos com elas e nos darmos conta das sensações que elas nos causam é que podemos verdadeiramente dizer o que achamos delas.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A Revolução Sem Rosto

O movimento que começou algumas semanas atrás e tem gerado manifestações por todo o Brasil e ao redor do mundo ainda precisará conseguir um nome nos livros de história. Não é apenas por causa de 20 centavos, e nem é o Movimento do Passe Livre, como a mídia tem tentado direcionar, apesar destas terem sido as sementes que iniciaram tudo.

Nem é o movimento algo ligado a partido ou contra qualquer partido, apesar de muitos tentarem puxar a sardinha para a sua brasa ou canalizar as chamas para queimar o adversário.

Nesta necessidade de um nomenclatura, alguns usam o nome do MPL, outros chamam de "Primavera Brasileira", em uma associação com os movimentos populares no oriente médio, há ainda as milhares de hashtags que se espalham pelas redes sociais buscando por um nome, o mais comum sendo #MudaBrasil.

Mas a verdade é que esta é uma Revolução Sem Nome.

Esta é uma Revolução Sem Rosto.

E é sem rosto porque tem milhões de rostos. Milhões de pessoas que emprestam o seu rosto a um movimento que clama por mudanças. Em uma expressão da singularidade humana em meio a uma coletividade.

Somos os rostos que vão a rua, gritar "Sem Violência", carregando cartazes cada um com seus ideais e filmando o que realmente está acontecendo e a mídia não quer mostrar.

Somos os rostos na janela, atuando como testemunhas, aplaudindo e liberando wi-fi para que a verdade alcance o mundo.

Somos os rostos que em frente a uma tela de computador, compartilham vídeos e relatos, disseminando informação, esclarecendo, comentando.

Somos os rostos de outros países, que se tornam nesse momento um pouco brasileiros, assim como nós nos tornamos um pouco canadenses, turcos, sírios, russos, portugueses e argentinos. Pois nosso clamor vai além das fronteiras.

E cada rosto empresta ao movimento sua voz, que de uma forma ainda difusa em uma cacofonia ensurdecedora para os governantes se unem em um brado retumbante:

BASTA!


Um Futuro Cada vez Mais Presente

João vai ao consultório do psicólogo, e começa a falar já em lágrimas:

- Eu vim aqui, porque meu pai morreu...

O psicólogo o interrompe:

- Antes de começarmos, você trouxe o seu encaminhamento médico?

- Encaminhamento?

- É! Antes de poder atendê-lo eu preciso de um encaminhamento feito por um médico dando o seu diagnóstico que irá conduzir o meu trabalho.

- Mas, mas, eu não tenho.

- Então não posso fazer nada.

- Mas, eu estou com uma tristeza tão profunda, uma melancolia, uma sensação de vazio profunda.

- Aí que você se engana. Você precisa ir em um médico para que ele possa atestar que você tem tristeza, melancolia ou vazio. Dessa forma fica muito vago, é preciso um diagnóstico preciso e isso só um médico pode fazer.

- Mas já tem mais de duas semanas que isso aconteceu e ...

- Aí já é um transtorno de humor. Mas por favor, não fale pra ninguém que eu disse isso. Eu posso ser preso por exercício ilegal da medicina. Vá a um médico e pegue o seu encaminhamento.

João conseguiu marcar o médico apenas três meses depois, sobrecarregado com pessoas que procuravam tratamentos psicológicos, fonoaudiológicos, fisioterápicos, etc. Após dez minutos saiu com uma prescrição de rivotril duas vezes por dia e dez sessões de psicoterapia, com indicação para retornar quando acabasse, tanto o rivotril quanto a terapia, para que o médico avaliasse se precisava de mais.

Este é o futuro que a Lei do Ato Médico e o DSM-V nos acena. E está cada vez mais presente nos planos de saúde e serviços públicos.