sábado, 7 de setembro de 2013

Por que o transporte público é e sempre será uma porcaria?


Essa semana aqui no Rio de Janeiro temos visto uma sequência de problemas com o sistema de trens, mas as reclamações com o transporte público na cidade, no estado e no país não são de hoje, vide as manifestações de julho que eclodiram devido a questão dos aumentos abusivos.


A questão é que não é por causa de 20 centavos, é talvez por causa de 20 milhões ou até mais que os empresários do transporte, e aí podemos incluir trens, barcas, metrô e ônibus (normal ou BRT) lucram oferecendo um serviço porcaria.


Mas por que isso continua desse jeito, e continuará sempre?


Quanto dinheiro você acha que os empresários ganham com um transporte lotado, tão lotado que pessoas passam mal nele? Com certeza é muito mais do que ganhariam se este viesse com uma quantidade que seria confortável para os usuários.


Começou a fazer a matemática?


Então vamos mais além.


A utilização deste equipamento com uma capacidade muito acima do que é recomendado (e do que é aceitável, seja tecnicamente, humanamente ou legalmente) aumenta o seu desgaste ao ponto dele dar defeitos frequentes como os que tem sido noticiados, com isso se faz necessário trocar estes equipamentos e renovar as frotas. E aí vem o pulo do gato.


Como a exploração de transportes públicos pela iniciativa privada é uma concessão, para renovar a frota, ou fazer quaisquer reformas e melhorias, isso é realizado através de um requerimento ao Tribunal de Contas, ou seja uma boa parte da grana para este investimento vem dos impostos. Do meu bolso e do seu.


É isso mesmo. Você paga o imposto e mais a passagem para ficar em uma lata de sardinha cheirando suvaco com ar condicionado quebrado (quando tem). E adivinha quem enfia essa dinheirama toda no bolso?

Começando a entender porque a situação está assim e não tem a menor chance de melhorar?

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Bienal do Livro 2013 - 1o dia

29/8/2013

No momento que escrevo estas palavras estou sentado em um café dentro do Riocentro, aguardando o início de um debate com o tema: “Nobos tempos, novos escritores” e sinto meu coração acelerar ao pensar que sou um destes novos escritores.

Fiz o meu credenciamento como autor no site da bienal a cerca de uma semana, e desde então fiquei em um estado de ansiedade e agitação. É a minha primeira bienal como um autor publicado.

Por várias vezes fiquei imaginando que seria barrado na entrada, afinal sou apenas um contista, não tenho nem ao menos um livro com meu nome na capa (ainda!), mas isso tudo se mostrou uma fantasia da minha cabeça. A verdade é que eu só relaxei mesmo quando, após mostrar a minha credencial na entrada, o rapaz fez sinal para que eu entrasse.
Sempre foi tão bonito assim? Ou o meu olhar estava iluminado por estar ali em uma nova condição?

Dei-me conta agora a pouco que já faz pelo menos seis anos desde que eu pisava em uma bienal. E tenho a sensação de que os estandes estão mais arrumados, mais belos, os livros gigantes pendurados no estande da Novo Conceito são a coisa mais legal que eu vi até agora.

Enquanto caminhava minha bola foi baixando um pouco. Ninguém ali sabia que eu era autor. Não haveriam eventos para mim, eu não daria palestras nem autógrafos.

Ao chegar no estande da Saraiva, vi alguns terminais para inscrição no Publique-se, sistema de autopublicação criado por esta livraria/editora para fazer frente aos novos tempos e ao questionar alguns pontos duvidosos do termo de compromisso aos atendentes fui interpelado pelo próprio criador da plataforma com quem troquei alguns argumentos e que soube defender muito bem o seu peixe.

Saí de lá com a mesma sensação que me contaminou desde o meu credenciamento pela internet. Que se dane que ninguém ali soubesse que eu sou um autor, eu sabia! E ninguém poderia tirar isso de mim.

* * *

O Café Literário foi um pouco frustrante. Acabou sendo muito mais uma apresentação dos quatro autores envolvidos, que supostamente representariam a nova geração de escritores, mas fiquei com a sensação de que o tema proposto (“Novos tempos, novos escritores) não foi sequer arranhado.

Ao sair de lá, tentei chegar a tempo no Espaço Ziraldo para assistir a apresentação de uma peça cantada pelo Menino Maluquinho com histórias de dois livros de seu criador (Flicts e Bichinho da Maçã), mas quando consegui chegar lá (após me perder um pouquinho. rs) a apresentação já havia começado e fiquei sem graça de entrar no meio.
Decidi sair de lá e voltar para assistir um outro dia.

E ao sair dali, passei em frente ao estande da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil e fiquei vendo alguns dizeres nos murais explicativos lá e fui convidado por um expositor para entrar e conhecer o estande. Lá dentro, após ver alguns livros expostos, vi que este expositor (chamado Moisés, ou Musla, como ele explicou depois), estava em um papo animado com um rapaz e uma senhora, que se revelaram serem um padre chamado Lélio e sua mãe chamada Jussara, uma figura dourada com opiniões fortes e sem o menor medo de expressá-las.

Acabamos formando um grupo de debate que por umas duas horas trocou informações sobre religião, fanatismo, respeito, etc com a participação posterior de uma jovem muculmana chama Silvia e um outro expositor que eu não lembro o nome, mas que todos se referiram como o carioca (outros expositores eram de São Paulo, Minas, etc).

Saí de lá com um exemplar do Alcorão Sagrado e a sensação de uma deliciosa experiência de troca respeitosa de opiniões.

Depois disso, ao sair da Bienal, tirei a minha credencial de autor e sorri para ela, guardando-a com cuidado em minha bolsa. A primeira de muitas, assim espero.