domingo, 31 de julho de 2016

Nosso Lugar




Esse texto foi inspirado por um post em um grupo que faço parte no Facebook.


O autor do post que me inspirou afirmava que somos determinados socialmente e que nos construímos através da sociedade em que nascemos e a partir das relações sociais que construímos.


Acredito que nascemos com uma série de predisposições, sejam ela fruto de uma alma, da genética ou de uma história socio-cultural que nos antecede, e a partir de nossas relações e de nossas escolhas frente a tudo isso, vamos “nos encontrando”. Algo como quando ouvimos uma música ou lemos um texto e dizemos que aquilo foi feito para nós, ou que representa algo que sempre pensamos ou sentimos, mas nunca conseguimos colocar daquela forma, com aquelas palavras.


E então é como se um grande “click” acontecesse e encontrássemos nosso lugar no Universo.


Nesse momento, de alguma forma, respondemos aquela pergunta primordial humana: “Quem sou eu?”


Mas será assim tão fácil?


É claro que não.


Porque o Universo está em constante movimento e, da mesma forma, também está o nosso lugar nele.


Então é uma busca que nunca termina, talvez nem na morte. Mantemos algumas certezas e continuamos, muitas vezes sem saber, na procura da resposta.


E a cada vez que a encontramos, é o momento de começar a buscá-la novamente.

domingo, 24 de julho de 2016

Os Outros

O ser humano é uma raça gregária. Sentimos, enquanto espécie, uma necessidade de nos relacionarmos, de compartilharmos experiências, expectativas e histórias.

Contraditoriamente, algumas vezes precisamos da solidão, para nos reconectarmos conosco e para processar o contato que vivemos com os outros. Há um limite para isso, entretanto, e a solidão excessiva pode ser massacrante. Não a toa é uma das formas de punição mais antiga e dolorosa da história da humanidade é justamente a solitária.

Precisamos da relação com o outro. Ele alimenta nossas almas como a comida e a bebida o fazem aos nossos corpos.

Algumas vezes, e curiosamente isso tem se tornado cada vez mais forte nesses tempos de comunicações instantâneas e redes sociais, buscamos a relação com um outro que seja como nós. Que tenha os mesmos gostos, as mesmas ideias, a mesma visão de mundo (e dos outros outros), até os mesmos defeitos. Fazemos isso em busca de uma validação de quem somos, ou de quem acreditamos ser. Não há nada de errado nisso.

O problema é quando restringimos nossas relações à outros que são o mesmo. E nos fechamos em nossas comunidades, grupos, congregações, excluindo  tudo e todos que podem ameaçar-nos. Vivendo relações que são apenas vivências narcísicas entre reflexos de espelhos infinitos.

Por que o outro, não o outro mesmo, mas o outro outro, nos ameaça tanto?

É porque este outro, o que difere de nós, reverbera no outro que existe em nós. Mostrando-nos que poderíamos ser diferente do que somos, ou do que pensamos que somos. E, nessas relação, vemos que poderíamos ser outros.

E são esses outros a quem realmente tememos.