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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Mil Faces de um RPGista - Dreadful 2 - Robert Hathaway


Jogo: Dreadful – The Hellhouse of Folly Hill
Sistema: Dread
Autoria: Sam Gundaker
Editora: Lost Dutchman
Experiência: Já mestrei Dread algumas vezes. Nunca nesse cenário em particular.
Livros usados: Dreadful – Three Ready Horror Scenarios for Dread

Já comentei aqui que eu sorteio os jogos para os quais eu vou criar para esse projeto. Também já comentei que as vezes eu burlo essa regra e escolho algum jogo que eu ache que tem muito a ver com a data em que ele será postado. Esse é o caso.
Dreadful é um livro que traz três cenários para o RPG Dread, também conhecido como o “RPG da torre de jenga” apesar dele não ser mais o único a usar esse tipo de mecânica. Dread é um RPG de terror, o meu favorito empatado com Bluebeard’s Bride. A torre de jenga quando cai, denota a morte da última pessoa a tocar na torre. É maravilhoso.
Bom, eu já fiz um personagem para um dos cenários apresentados aqui e, como hoje é dia do psicólogo (parabéns para mim) achei que era a hora de um RPG com um thriller psicológico ainda mais nesse que fala de terapia.
Em The Hellhouse of Folly Hill, os jogadores são parte de um grupo de terapia cujo terapeuta organizador do grupo decide levá-los a uma viagem em uma casa isolada e misteriosa para a realização de técnicas de construção de conexão. Tem tudo para dar certo, só que não, né!?
Tenho vontade de mestrar esse cenário em algum momento do futuro, mas teria que fazer algumas adaptações para tornar a coisa minimamente crível, além disso, acho que os questionários dos personagens podem ser melhorados, porque acho eles muito genéricos (em todos os três cenários desse livro, diga-se de passagem).

Então, vamos fazer um paciente mental.

Passo Único: Escolha um Questionário e o Responda. Dread não usa uma ficha de personagem, em vez disso os jogadores escolhem um dentre uma série de questionários para responder. As respostas ali determinam sua história e suas habilidades no jogo, e você pode responder o que você quiser, desde que não contradiga a pergunta. Então se uma pergunta diz que meu personagem usa alguma droga ilícita, ele usa uma droga ilícita, em geral eu só determino qual.
Os questionários desse cenário incluem o Terapeuta Cognitivista e uma série de arquétipos de pacientes. Fiquei feliz por não os definirem pelos seus transtornos, mas por figuras típicas em histórias desse tipo. São eles Sobrevivente de Traumas, Paciente em Recuperação, Cliente de Longa Data, Relutante e Recluso.
Em um primeiro momento pensei em pegar o Terapeuta, mas eu já faço isso na minha vida diária (apesar de não ser Cognitivista), também pensei em fazer um Sobrevivente de Traumas, mas isso bateria muito próximo, daí olhando as opções tive uma ideia para o Cliente de Longa Data, então vou escolher ele.

1. Você esteve em alguma forma de terapia ou outra por alguns anos para te ajudar a lidar com uma variedade de questões que podem tornar a vida difícil para você. Qual o seu objetivo com este grupo de terapia em particular?

Nessa altura da minha vida, participar de grupos como esse é mais uma atividade social do que um processo de autoconhecimento. Espero conhecer outras pessoas com seus sofrimentos particulares, como diz o ditado “a miséria gosta de companhia” e sofrer junto é melhor do que ficar em casa, olhando para o nada esperando o dia que eu finalmente vou pular da janela ou meter uma bala nos meus miolos.

2. Há muitas pessoas neste grupo que sofreram imensamente e isso é óbvio, quer as pessoas se abram sobre isso ou não. Você sente o desejo de tentar oferecer apoio emocional para elas ou você se preocupa que as necessidades delas impeçam que o terapeuta dê atenção às suas próprias questões?

Eu prefiro ajudar o quanto for possível. Tantos anos pulando de terapia em terapia me deixaram melhor ajustado do que esses jovens. E nosso terapeuta não pode dar conta de tudo, não é mesmo?

3. O que faria você parar de ir à terapia?

Talvez se um dia as vozes parassem. Mas elas já estão comigo a tantos anos que nem consigo imaginar como seria viver sem ouvi-las. Eu falo para os terapeutas a anos que elas pararam para eles não me encherem de remédios, mas elas nunca me abandonaram.

4. Qual o seu pesadelo mais recorrente?

O mesmo que eu tenho a mais de cinquenta anos, desde criança. Um demônio sai debaixo da minha cama e leva meu irmão menor que dormia na cama debaixo do beliche. Antes de mergulhar na escuridão debaixo da cama o demônio olha para mim e sorri, como se dissesse que viria me pegar em breve. As vozes têm me dito que esse dia está chegando, mas elas já dizem isso a muitos anos.
Meus pais diziam que eu nunca tive um irmão menor e por isso me levaram para o meu primeiro terapeuta.

5. Quão bem você funciona socialmente? Você é extrovertido e confortável de ter por perto ou é mais fechado e na sua? Você é reservado?

Eu sou bem sociável e comunicativo. Aprendi a mascarar o que eu vejo e o que eu ouço para não assustar as pessoas. Apesar que as vezes escapa alguma coisa. Ato falho, como Freud falava, né?! Mas aí eu faço uma brincadeira boba e as pessoas relevam.

6. O que você considera a sua característica mais positiva?

Eu sou bem perceptivo… ou talvez as vozes sejam e me avisem das coisas. A essa altura eu nem sei mais quando sou eu e quando são elas que enxergam algo.

7. Qual o seu nome? (Essa última não tem no livro, mas é meio óbvia que precisa ter)

Robert Hathaway, contador aposentado.

E é isso, pronto para começar a primeira sessão de terapia na Casa Infernal de Folly Hill.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Mil Faces de um RPGista - Dreadful - Beacon Killer - Penny Green


Jogo: Dreadful – The Beacon Killer
Sistema: Dread
Autoria: Sam Gundaker
Editora: Lost Dutchman Software Publishing
Experiência: Com Dread, bastante. Com esse cenário em particular, nenhuma. E acho ele confuso demais para me ver colocando ele na mesa. Talvez com algumas adaptações.
Livros usados: Apenas esse suplemento com os cenários. Nem mesmo o livro básico é necessário.

Dreadful é um livro com três novos cenários para o RPG Dread. Existem hoje alguns livros com esses cenários e eu gostei muito desses apresentados nesse livro e pretendo fazer um personagem para cada um deles como fiz com o cenário The Dread Geas of Duke Vulku.
Nesse primeiro cenário, The Beacon Killer, os jogadores são estudantes de jornalismo que resolvem, como parte de um projeto para a faculdade, uma pesquisa a respeito de um serial killer que teria vivido em uma cidadezinha próxima da faculdade cujas vítimas exibiam uma estranha marca pouco antes de serem mortas.
O jogo é bem interessante apesar de o texto ser um pouco confuso, o que vai me exigir algumas adaptações quando eu for mestra-lo.

Por ora, vamos fazer uma estudante de jornalismo.

Passo Um: Escolha um questionário. Em Dread os personagens são feitos respondendo uma série de perguntas em um questionário. Em todos os cenários de Dreadful os questionários são apresentados como arquétipos daquele estilo de horror. Depois de ter escolhido eu poderei responder as perguntas como eu quiser, desde que eu não contradiga a pergunta.
Quero dizer, se a pergunta for “Qual substância você é viciado e qual o seu medo das pessoas descobrirem?” eu não posso dizer (como já aconteceu em um jogo que eu mestrei): “Meu corpo é um templo e eu nunca usaria drogas”. Porque a pergunta AFIRMA que você é viciado em alguma coisa então você não pode contradizê-la. Uma forma de responder essa pergunta caso você não queria jogar com alguém que toma drogas poderia ser “Café! Eu bebo em quantidades absurdas e se as pessoas souberem que já me causou quatro úlceras podem pegar no meu pé para eu parar, mas eu não quero parar. Eu preciso de café para aguentar esse mundo escroto.” ou qualquer outra substância legalizada como cigarro, alcóol, calmantes, analgésicos, até algo bem surreal como doce de leite se você conseguir dar uma explicação legal está valendo.
Com base nessa amplitude de respostas eu tenho uma ideia para minha personagem e vou pegar o questionário da Inocente (The Naive) e vamos ver quão inocente ela realmente será. rs

Passo Dois: Responda as Perguntas. Vamos lá:

The Naive
1. How has the group tried to take advantage of your kindness or passivity already? Are their motivations easy to understand or do they seem chaotic and destructive for little reason?
1) Como o grupo já tentou tirar vantagem da sua gentileza ou passividade? As motivações deles são fáceis de entender ou eles parecem caóticos e destrutivos por pouca coisa?
R: Como sabem que eu sou rica, o grupo fica me colocando para pagar tudo para eles, mas eu não me importo. É muito fácil para mim perceber isso, é até divertido eles querendo me enganar e não percebendo que sou eu quem engano eles a anos.

2. You sometimes get treated like a child or a liability for your trusting nature. Is this a fair judgment?
2) Você algumas vezes é tratado(a) como uma criança ou um fardo pela sua natureza confiante. Esse é um julgamento justo?
R: As pessoas me tratam como uma criança e eu adoro. Porque assim todos estão muito empenhados em me proteger. O que eu acho totalmente justo para uma princesa como eu.

3. How has the culture of a prestigious university tried to change you? Are you resistant to the “survival of the fittest” culture intentionally or do you sometimes wish you could be more cold-hearted?
3) Como a cultura de uma universidade prestigiada tentou mudar você? Você está resistente à cultura da “sobrevivência do mais forte” ou você algumas vezes deseja que você poderia ser mais coração frio?
R: A Universidade tentou me tornar mais “responsável”, seja lá o que isso queira dizer. Eu não tenho tempo para fazer trabalhos ou estudar. E nem preciso, afinal posso pagar quem faça essas coisas para mim. As vezes a melhor forma de sobreviver não seja ser a “mais forte”, mas parecer frágil para que os mais fortes não te considerem uma ameaça… até ser tarde demais.

4. Something from your past makes you feel regret or guilt, and taught you a harsh lesson about the world. What was it?
4) Alguma coisa do seu passado te faz sentir remorso ou culpa e ensinou a você uma dura lição sobre o mundo. O que foi?
R: Eu tive um pequeno romance com um professor no ensino médio. Ele ameaçou me reprovar. Quando tudo veio a tona ele foi afastado por seduzir uma aluna inocente, mas eu fiquei com uma má fama e tive de mudar de colégio. Aprendi a tomar mais cuidado com meus rastros. Se fizesse de novo convenceria uma de minhas amigas, filmaria e chantagearia os dois para que meu nome nunca fosse envolvido.

5. What personality trait or characteristic do you consider to be your most virtuous?
5) Qual traço de personalidade ou característica você considera ser sua maior virtude?
R: Minha determinação. Eu sempre consigo o que eu quero. Não importa o custo. Não importa quem tenha de sofrer para isso.

6. What have you contributed to the group project so far? What do you stand to gain, specifically?
6) Como você contribuiu para o projeto de grupo até agora? O que você pretende ganhar disso, especificamente?
R: Sempre fui fascinada por serial killers. Eu contribui incentivando o grupo sutilmente a este tema e espero aprender mais sobre esses seres fascinantes. Quem sabe não pode ser uma escolha de carreira futura?

7) Qual o seu nome?
R: Penny Green.

E com isso a “inocente” Penny está pronta para aprender o máximo sobre o Assassino da Marca mesmo que isso custe a vida de um ou dois de seus amiguinhos de faculdade. 













quarta-feira, 15 de abril de 2020

RPG - Dread – Josias Carneiro


008

Jogo: Dread
Autoria: Epidiah Ravachol e Nathaniel Barmore
Editora: The Impossible Dream
Experiência: Já mestrei quatro vezes. Adoro!
Livros usados: Apenas o básico.

Dread é um RPG de terror e um dos sistemas mais originais que eu vi surgir nos últimos tempos. Seu grande diferencial é usar uma torre de blocos (cof cof jenga cof cof) no lugar de dados ou cartas para a resolução de ações e situações.
A tensão que isso cria alimenta a sensação que é perfeita para um jogo de terror.
Bom, vamos criar um personagem. Esse sistema não tem ficha nem valores, no lugar disso, ele trabalha com um questionário. O Host, como é chamado o mestre de jogo em Dread, cria um questionário para cada personagem e o jogador deve responder as questões respeitando a pergunta. O que isso significa? Que se uma pergunta diz que meu personagem é viciado em drogas, ele é viciado em drogas. As respostas dessas perguntas determinam tanto o que o personagem é capaz de fazer quanto sua personalidade.
Como não tem um questionário padrão que dependeria de cada aventura (e esse é um sistema voltado para oneshots), vou usar o questionário de exemplo do livro que coloca meu personagem no meio de um apocalipse zumbi.
Sem mais delongas, vamos lá!
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1) Antes do Apocalipse, que emprego você tinha em uma compania ponto-com, o que você você mais gostava sobre seu trabalho?
Eu era responsável por filtrar e avaliar conteúdo denunciado em uma rede social de alcance mundial. Passava horas e horas vendo o lado mais terrível e perverso da humanidade. Confesso que eu comecei a ter um certo prazer nisso e no fato de eu ter acesso a um conteúdo exclusivo que ninguém mais via.
2) O que você pensa sobre os outros te tratarem diferente porque você é o mais novo do grupo sem ser uma criança?
Deixe que pensem que eu sou uma criança. Assim eu consigo o que eu quero e consigo me safar mais facilmente.
3) Qual droga você está viciado agora e porque você mantém isso como um segredo?
Metanfetamina. Comecei a tomar ainda na faculdade para aumentar meu rendimento nas provas, depois no trabalho para render mais horas e ganhar mais dinheiro (e ver mais vídeos proibidos). Mas não sou viciado, não. Posso parar quando quiser. Isso não me controla. Eu só tomo porque me faz bem.
4) O impacto emocional do apocalipse é aliviado pelo fato que você agora está mais em forma que você jamais esteve, ou você se sente culpado por ter algum prazer com este fato?
Agora eu corro para caralho, né? Não fico mais enfurnado em casa com a cara no computador enchendo a pança de doritos e coca-cola. E é um senhor alívio conseguir correr dos mortos. Apesar que eu só preciso correr mais rápido do que o otário que ficar atrás de mim.
5) Quando você tem problemas para dormir, em qual memória agradável você foca?
Eu e minha namorada sobre um gramado olhando o pôr-do-sol enquanto acaricio os cabelos dela. Ainda vou reencontrá-la.
6) De todos os membros da família e amigos que você perdeu para os mortos nos primeiros dias do apocalipse, que você sente mais falta e por quê?
Minha avó. Ela quem cuidava de mim, me dava comida, limpava minha roupa. Era chata a beça dizendo que eu tinha de limpar meu quarto que já estava atraindo baratas e ratos. Foi triste ver vovó morrer, mas eu não podia fazer nada então saí correndo.
7) Você deixa os outros saberem do pico de adrenalina que você tem durante uma luta contra os mortos, como este pico afeta como você luta?
Bom, é meio que algo que dá pra ver, né? Eu adoro arrancar as cabeças dos desgraçados, olhar eles ainda se contorcendo e gemendo. Fico imaginando quem eles eram antes e isso me deixa ainda mais excitado. As vezes eu me arrisco só pra ter essa adrenalina. E se der merda, bom eu corro pra caralho!
8) Você depende dos outros para sobreviver por conta da falta de qual habilidade vital?
Apesar de agora estar mais em forma eu sou mais de um corredor do que de lutador. Além disso, é mais fácil fugir se tiver um monte de otários para ficarem entre mim e os mortos.
9) De quem você se sente mais próximo do grupo e que você acredita que não gosta de você?
(Aqui eu precisaria de outros personagens, mas vou trabalhar com arquétipos).
Acho que a médica tá afim de mim, eu sempre me faço de mais coitadinho e mais machucado perto dela para receber um carinho. Já o velho soldado fica em cima de mim. Acho que ele sabe mais sobre mim, sobre antes. Qualquer dia desses vai tomar um tiro “por acidente”.
10) O que você tem nos seus bolsos?
Um pote pílulas, uma faca, um chiclete meio velho mas que ainda dá pra mascar e uma foto minha e da minha namorada no campo vendo o pôr-do-sol. (a foto é uma daquelas fotos de modelos usadas por lojas em porta-retratos e está rasgada sem mostrar a cabeça do modelo).
11) Qual parte sua você considera mais embaraçosa?
Meus braços finos. Por isso uso casaco mesmo no calor.
12) No que você acha que você é melhor do que você realmente é?
Na verdade eu sou bom em muita coisa. Mas algo que eu sou muito bom mas ninguém acredita é em meter umas balas nas fuças dos mortos. E daí que eu preciso gastar um pente inteiro pros canalhas caírem? Isso só deixa a coisa mais divertida! Problema é de quem não sabe sair da frente na hora certa.
13) Qual o seu nome?
Josias Carneiro
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Que cara fudido das ideias que eu fiz! Ha ha ha. Deve ser divertido jogar com um personagem desses. Também desconfio que eu seria o primeiro a morrer.
Saudades de mestrar Dread, mas só depois da quarentena agora.