Jogo: For the Queen.
Autoria: Alex Roberts
Editora: Evil Hat Productions na primeira edição. Darrington Press na segunda.
Experiência: Joguei uma vez com meu amigo Diego. Quero jogar mais vezes com grupos maiores.
Livros usados: Nenhum! Hahaha Porque não tem livro, só um baralho de cartas.
For the Queen é um RPG sem mestre e não aleatório, quase um storytelling game, com uma história muito específica. Uma rainha decidiu fazer uma jornada longa e perigosa para firmar uma aliança com um poder distante e os jogadores são os acompanhantes escolhidos a dedo por ela porque sabe que é amada por eles. O jogo termina quando a carta “A Rainha Está Sob Ataque. Você a Defende?” e a história é terminada a partir da resposta que todos os jogadores dão a essa pergunta.
O jogo é realizado a partir de um baralho de cartas com perguntas que servem de prompts para ir definindo tanto a história da jornada quanto a história pregressa entre seu personagem e a rainha.
Então, vamos criar um defensor da rainha.
Passo Um: Crie sua Rainha. O jogo traz 25 images que servem de inspiração para criarmos a nossa rainha. Indo desde a clássica rainha fofinha de contos de fadas, rainhas tradicionais em seus tronos imponentes, rainhas piratas, até rainhas digitais e cibernéticas. Acho todas as imagens muito legais e, por isso, vou sortear uma e ver o que surge. Sorteei a rainha 17, que é uma figura com inspiração japonesa ou chinesa. Agora seria o momento que, como um grupo, nós discutiríamos quem é essa rainha, como é o reino, etc. Mas sou só eu, então deixa eu pensar um pouco aqui.
O nome da Rainha é Tie Tian’e, Cisne de Ferro em chinês. Ela é uma líder diplomática e militar de uma pequena província no norte da China feudal. A jornada é para encontrar um representante do governo imperial para firmar a soberania da província contra os mongóis ao norte.
Passo Dois: Defina o Seu Personagem. Criar o personagem é basicamente jogar o jogo. Então depois de embaralhar as cartas e colocar em algum lugar no meio a carta “A Rainha está sob Ataque” eu saco a primeira carta e esta diz: “Quando foi a última vez que você teve a atenção exclusiva da Rainha? Você tem esperanças de ter um momento como esse novamente?”.
Essas perguntas me fazem pensar que meu personagem é alguém com acesso exclusivo a rainha, talvez uma pessoa de confiança ou até alguém íntimo dela. Penso nele como um amigo de infância que foi colocado desde a infância como um protetor da pequena princesa. Seu nome é Tiebi, Pena de Ferro.
Respondendo a pergunta, a última vez que eu tive a atenção exclusiva da Rainha foi pouco antes de nossa jornada, quando ele expressou suas apreensões a respeito desta e dos perigos que nos esperam. Tiebi tem esperanças de que a Rainha o escute e tome os devidos cuidados.
Passo Três: O Jogo Continua. A partir daqui a criação do personagem continua junto com o jogo, que vai acrescentando mais prompts tanto para construir a relação com a Rainha, a história da jornada e a relação entre os personagens. Tanto PCs,quanto NPCs.
Vou puxar mais três cartas para demonstrar isso e construir um pouco mais a história de Tiebi.
A primeira carta que eu tiro é “Se você deixar ou for removido do serviço da Rainha para que vida você retornaria?” e minha resposta é nenhuma. Tiebi foi criado para ser o protetor da Rainha. Se ela o mandasse embora ou morresse ele não teria mais nada para chamar de vida.
A segunda carta que eu tiro é “Você algumas vezes pensa em um membro da comitiva como o favorito da Rainha. Quem? O que faz você pensar isso?” e acho que Tiebi se vê como o membro mais importante dessa comitiva, mas será que ele se vê como o favorito da Rainha? Acho que não. Quem poderia ser esse favorito? Se eu estivesse jogando com um grupo eu poderia elencar o personagem de outro jogador e relatar como Tiebi olha para ele com desconfiança e talvez até ciúmes da atenção que recebe da Rainha. Acho que vou deixar dessa forma.
E a terceira e última carta que vou tirar aqui pergunta “Você arrumou para a Rainha ser emboscada nesta jornada. O que eles te ofereceram?”. Eita! Que plot twist carpado. Hummm… Acho que Tiebi fez um acordo com as forças imperiais chinesas para que ela seja poupada. Ele vê toda essa jornada como um erro. O Império é muito maior do que sua pequena província e lutar contra eles é a garantia da morte para sua protegida. Então ele decidiu traí-la para o próprio bem dela (creepy, eu sei). A dúvida é se, quando o ataque vier, as forças imperiais irão se manter leais ao contrato que fizeram e se Tiebi irá permitir que todos ao seu redor morram por seu amor a Rainha, sabendo que ela nunca o perdoará.
Mas por ora, nossa história termina por aqui.