segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Leituras 2023 - Semana 43



Leituras 2023 - Semana 43
68 Lidos
Lendo:
01 - Werewolf: The Apocalypse 5ed (RPG) - Justin Achilli & Karim Muammar - 69%
02 - Shibari For Beginners: The Step-by-Step Guide to Learn the Art of Japanese Bondage - 27%
03 - Brindlewood Bay (RPG) - Jason Cordova - 12%
04 - O Governo no Futuro - Noam Chomsky - 33%
05 - Clube Shadowlands - Mestres do Shadowlands 01 - Cherise Sinclair - 02% [006]

Contos, Poesias & Artigo*
- Deus Ex Machina - Deuses e Monstros - Vários Autores - 78% (05)
- Mulheres vs Monstros - Vários Autores - 65% (05)
- Ecos do Golpe - Vários Autores - 40% (08)
- Paranoia XP - Crash Priority (RPG) - Vários Autores - 03% [02] (08)
- Olhares Sobre a Formiga: Comunidade, escola e universidade em um encontro de saberes - 05% (13)
*Sendo lidos de forma não-linear. Os mais em cima foram lidos mais recentemente. O número entre ()s indica quantos contos/poesias faltam para terminar.

Lidos:
01 - Border, e agora? Do Diagnóstico ao dia a dia - Letícia Lopes
02 - The Dare: Call of Cthulhu Adventure (RPG) - Kevin A. Ross
03 - It Takes A Child To Raze A Village (RPG) - Matt Jones
04 - Como Educar Crianças para a Paz - Laura Perls
05 - Dreadful: Three Ready to Play Scenarios for Dread (RPG) - Sam Gundaker
06 - Laser & Feelings (RPG) - John Harper
07 - L5R 1e - Code of Bushido (RPG) - Ree Soesbee, Rob Vaux, John Wick e Pat Kapera
08 - Renewal & Riot (RPG) - Joan Nobile
09 - Vampire: The Masquerade V5 (RPG) - Jason Carl (org.)
10 - Hentai Ouji to Warawanai Neko Vol. 01 (Mangá) - Sagara, Sou & Okomeken
11 - Hentai Ouji to Warawanai Neko Vol. 02 (Mangá) - Sagara, Sou & Okomeken
12 - Hentai Ouji to Warawanai Neko Vol. 03 (Mangá) - Sagara, Sou & Okomeken
13 - Wise Women (RPG) - Aleksandra Brokman
14 - 7th Sea 1e - For the Sake of Change (RPG) - Les Simpsom
15 - SMH 2016 - Remoções no Rio de Janeiro Olímpico - Lucas Faulhaber & Lena Azevedo
16 - Black Silence (HQ) - Mary Gagnin
17 - Dangerous Times Zine (RPG) - Michael Bacon
18 - A luta esquecida dos negros pelo fim da escravidão no Brasil - Amanda Rossi Juliana Gragnani
19 - Mage: The Ascension 1e - Loom of Fate (RPG) - Chris Hind
20 - Parselings Core Rulebook (RPG) - Leo Cheung
21 - PoliEdro Position (RPG) - Daniel Capua
22 - Picking Up the Pieces (RPG) - Summer
23 - Transformers RPG Core Rulebook (RPG) - Ryan Costello, Gabriel Hicks, JF Sambrano, Bryan C.P. Steele, Elisa Teague, Eddy Webb
24 - GURPS MAGE - The Outside Place (RPG) - Steve Kenson
25 - Correntes de Veneno e Caos - Ana Cristina Rodrigues
26 - M20 - Mage Made Easy Advice from That Damn Mage Guy (RPG) - Satyros Phil Brucatto
27 - Goddess Save the Queen (RPG) - Carol Neves e Julio Matos
28 - I'm Sorry Did You Say Street Magic (RPG) - Caro Asercion
29 - Welcom to Global Dragon Egg Conservation Training Manual (RPG) - KuumatheBronze
30 - M20 Book of Secrets (RPG) - Satyros Phil Brucatto
31 - Goddess Saves the Queen Fastplay (RPG) - Carol Neves e Júlio Matos
32 - Rebel R - Jogo Rápido (RPG) - Júlio Matos
33 - Anos 20 (RPG) - Luís Heavy
34 - Amusing Genetic Copies (RPG) - Aaron Lins
35 - Fae's Anatomy - A Melodramatic Medical Mystery RPG (RPG) - Caleb Stokes
36 - Maid (RPG) - Ryo Kamiya
37 - Candela Obscura Quickstart Guide (RPG) - Spenser Starke & Rowan Hall
38 - Ôoo, Tia (RPG) - Ann Botticelli, Bruno Ricardo da Silva, Ginosik, Jorge Botticelli e Ton Botticelli
39 - Mídia em Luta (RPG) - Klint Finley
40 - Paper Girls Vol 01 (HQ) - Brian K. Vaughan
41 - Lankhmar - Cidade dos Ladrões (RPG) - Thomas M. Reid
42 - Paper Girls Vol 02 (HQ) - Brian K. Vaughan
43 - Paper Girls Vol 03 (HQ) - Brian K. Vaughan
44 - Paper Girls Vol 04 (HQ) - Brian K. Vaughan
45 - Paper Girls Vol 05 (HQ) - Brian K. Vaughan
46 - Paper Girls Vol 06 (HQ) - Brian K. Vaughan
47 - Meu Brinquedo Preferido (RPG) - Eduardo Caetano
48 - Dungeon World (RPG) - Sage LaTorra and Adam Koebel
49 - Faith e Força Futuro (HQ) - Jody Houser
50 - Republic (RPG) - Karl Larsson
51 - A Menina que Roubava Livros - Marcus Zuzak
52 - O que os donos do poder não querem que você saiba - Eduardo Moreira
53 - Predation (RPG) - Shanna Germain
54 - Dust Devils Corebook (RPG) - Matt Snyder
55 - Nana to Kaoru: Black Label (Mangá) Vol.1 - Amazume Ryuta
56 - Nana to Kaoru: Black Label (Mangá) Vol.2 - Amazume Ryuta
57 - Nana to Kaoru: Black Label (Mangá) Vol.3 - Amazume Ryuta
58 - Ryuutama - Atsuhiro Okada, Ayako Nagamori, Mariko Kobayashi, Mia Nekozuki, Ryutaro Matsukawa
59 - Nana to Kaoru: Black Label (Mangá) Vol.4 - Amazume Ryuta
60 - Nana to Kaoru: Black Label (Mangá) Vol.5 - Amazume Ryuta
61 - Nana to Kaoru: Last Year (Mangá) Vol.1 - Amazume Ryuta
62 - Nana to Kaoru: Last Year (Mangá) Vol.2 - Amazume Ryuta
63 - Nana to Kaoru: Last Year (Mangá) Vol.3 - Amazume Ryuta
64 - Nana to Kaoru: Last Year (Mangá) Vol.4 - Amazume Ryuta
65 - Nana to Kaoru: Last Year (Mangá) Vol.4 - Amazume Ryuta
66 - My Life With Master (RPG) - Paul Czege
67 - Economia do Desejo - A Farsa da Tese Neoliberal - Eduardo Moreira
68 - Something Wrong With This House (RPG) - Anna Landin & Jonah Baumann

Abandonados:
01 - Buddhism: A Beginners Guidebook (audiobook) - Sam Siv - 51%
02 - Legend of the Five Rings 4th Edition (RPG) - Shawn Carman, Robert Hobart, Jim Pinto & Brian Yoon - 27% [106]
03 - Objection! (RPG) - VoidKris - 43%

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Mil Faces de um RPGista - Fae's Anatomy - Dr. Buda (não aquele)


Jogo: Fae’s Anatomy – A Melodramatic Medical Mystery RPG
Autoria: Caleb Stokes
Editora: Hebanon Games
Experiência: Mestrei uma sessão online e quero mestrar outras.
Livros usados: Só o básico mesmo.

Quando eu falo que vivemos em um momento de ouro (ou mitril) do RPG são jogos assim que me vem a mente. Melodrama médico e fantasia, como um jogo que mistura essas duas coisas pode não ser bom!? Em Fae’s Anatomy os jogadores são provedores em um hospital que mistura magia, fadas, seres interdimensionais, viagem no tempo e o que mais brotar na imaginação do grupo.
Um dos jogadores atuará como o paciente, porque a proposta é que esse seja um jogo gm-less (a única coisa que eu acho que ele não consegue ser em sua proposta. O sistema é não aleatório baseado em uso de recursos para conseguir pistas e quando você fica sem recursos basta fazer uma cena de melodrama para recuperá-los.
Segundo o próprio autor, Fae’s Anatomy não é um jogo de investigação médica onde eventualmente teremos cenas melodramáticas. É um jogo de melodrama médico onde, por sorte, em algum momento, de algum jeito, curaremos alguém.
E é divertido pra k-7!
Com certeza colocarei na mesa outras vezes.

Mas, por ora, vamos fazer um provedor.

Passo Um: Sorteie Suas Especialidades. Essa é basicamente a única parte mecânica da criação de personagem. Eu recebo duas especialidades, uma super- e uma -natural. Para isso eu rolo 2d10 e comparo em duas tabelas. Se você estiver usando o aplicativo do site www.faesanatomy.com (o que eu recomendo) isso é sorteado automaticamente pelo sistema. Aqui vamos rolar os dados e ver no que dá.
Tirei um 7 e um 2. O que me dá um Psiquiatra Abençoado ou um Meio-Anestesiologista. Acho que vou com a primeira opção.
Ser um Psiquiatra me dá a habilidade de uma vez por jogo eliminar uma cena de Drama do Paciente (normalmente quando as coisas dão errado e nada anda) pelo Paciente realizando uma confissão emocionada que me dá uma pista para um diagnóstico.
Ser Abençoado me dá a habilidade de fazer outro jogador recuperar uma especialidade uma vez por jogo (efetivamente permitindo que este jogador a use duas vezes durante a sessão.

Passo Dois: Construa um Conceito. De posse das minhas Especialidades eu crio um conceito para meu personagem. Imagino ele como um Monge Iluminado, mas para torná-lo engraçado imagino ele também como um reclamão que está de saco cheio dos pequenos problemas humanos e louco para voltar para casa no final do turno e mergulhar em sua piscina de ouro celestial ou coisa do tipo. As cenas de melodrama dele poderiam envolver ele resistindo à tentações “mundanas”, ou se entregando totalmente mostrando que não está tão iluminado assim. O nome dele é Dr. Buda, sem nenhum parentesco envolvido (e ele pode se estressar se alguém apontar alguma “semelhança”) rs

Passo Três: Estabeleça Conexões. Eu escolho quem são o Crush, o Bestee e o Rival do meu personagem. Normalmente isso envolveria os outros personagens do grupo para estabelecer as relações do meu personagem com os deles e vice-versa. Como sou apenas eu, poderia pular essa parte, mas como esse post vai ficar curtinho desse jeito vou criar uns personagens para o Dr. Buda se relacionar.
Meu Crush é a Dra Orochi, uma Oni que trabalha como cirurgiã no hospital. Eu sei que é errado, mas algo nos tentáculos dela me atraem.
Meu Bestee é o interno Chico. Ele me lembra de mim mesmo em minha juventude como um escolhido para cuidar dos doentes e aliviar o sofrimento alheio. Pena que o tempo acaba por destruir esses sonhos, não é mesmo?
Meu Rival é a Dra Anjélica. Só porque ela é uma Seraphin especialista em diagnóstico, ela pensa que é mais iluminada do que eu? Absurdo! Não há ser mais iluminado, generoso e modesto nesse hospital do que a minha pessoa. Eu vou mostrar a ela, nem que eu o paciente tenha de morrer enquanto eu tento.

E é isso! Dr. Buda está pronto para abençoar as mentes de seus pacientes em busca de uma cura.
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Dr. Buda (Not That One)

Specialties:
Blessed
Psychiatrist

Crush: Dr Orochi
Bestee: Chico
Rival: Dr Anjélica

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Mil Faces de um RPGista - Candela Obscura Q - Jaffar Tales


Jogo: Candela Obscura Quickstart
Sistema: Forged in the Dark
Autoria: Spenser Starke & Rowan Hall
Editora: Darrington Press
Experiência: Li esse quickstart bem recentemente.
Livros usados: Apenas os arquivos do Quickstart que foram liberados.

Se você curte RPG e não esteve preso em outra dimensão nos últimos 10 anos sabe quem é são o grupo chamado Critical Role, o mais famoso grupo de streaming de jogos de RPG no mundo. E se você acompanhou as notícias da cagada da Wizards of the Coast com relação a Licença Aberta do D&D 5e talvez saiba que o pessoal do Critical Role anunciou que sua atual campanha será a última utilizando esse sistema e que, ao exemplo de outras empresas que ficaram indignadas com a jogada frustrada da WotC, lançará dois novos sistemas de RPG que guiarão seus streamings.
O primeiro desses sistemas é Candela Obscura, o qual já tem seu próprio show de streaming e lançou seu quickstart gratuitamente. O cenário é uma fantasia/terror pós-industrial focada em uma região que sobreviveu a uma guerra após descobrir o uso da eletricidade e utilizá-la para expulsar os invasores.
Os jogadores são membros da sociedade secreta do título que pesquisa eventos sobrenaturais e tenta impedir ou minimizar os danos que alguns desses eventos podem causar no mundo.
O sistema é Forged in the Dark, ou seja, baseado em Blades in the Dark que também é um sistema aberto, com algumas modificações que eu achei bem interessantes. Eles simplificaram os rolamentos de dados e criaram algumas mecânicas para o sistema de dano que eu achei muito boas.
Eu pretendia demorar mais para fazer um personagem desse jogo, mas foi o que saiu no sorteio, então vamos lá.

Vamos criar um investigador da Candela Obscura.

Passo Zero: Conceito. Como sempre eu gosto de começar com um conceito mesmo que o livro não cite esse passo. Acho que quero criar o típico estudioso que só agora começa a ir a campo. Alguém que conhece muito da teoria dos fenômenos sobrenaturais, mas nada da terrível realidade destes. Também quero me basear em Taliesin Jaffe, meu Critical Role preferido, então o nome do meu personagem será Jaffar Talles e terá um pouco do visual de Taliesin como inspiração.

Passo Um: Escolha um Papel. Os papéis são os típicos Playbooks para quem já conhece Blades in the Dark e outros jogos Powered by the Apocalypse. O quickstart traz cinco papéis (não sei se haverão mais no livro final) com escolhas limitadas em cada um. Fiquei em dúvida entre alguns, mas para meu conceito o Scholar é o encaixe perfeito.
Isso me dá um ponto em Control e dois em Focus (que são minhas Gilded Actions, o que me permite jogar um dado de cor diferente para, se eu escolher o resultado dele em um teste, recuperar pontos de Drive que eu use para essas duas ações), dois em Sway e Survey e também um em Read e Sense. Move, Strike e Hide ficam com zero.
Se fosse a versão final do jogo eu escolheria agora uma habilidade especial do meu papel, mas como esse é o quickstart minha única opção é Well-Read que me permite recuperar pontos do meu Drive de Intuition quando os gasto-os em um teste que falhou.
Agora eu escolho minha especialidade, no quickstart cada papel tem apenas duas opções, no jogo completo haverão outras. Minhas opções são Steel Mind ou Chemical Concotion. Apesar de o segundo ser mais útil, o primeiro tem mais a ver com meu conceito então fico com ele que me permitirá gastar pontos de Intuition para evitar danos mentais.

Passo Dois: Catalyst e Question. Preciso definir o Catalyst do meu personagem. O evento ou situações que o levaram a se juntar ao Candela Obscura e minha Question, a pergunta que ele busca responder ao longo da campanha.
Desde a infância Jaffar sempre teve muitos sonhos com símbolos e fenômenos sobrenaturais. Esses sonhos o impulsionaram a buscar o oculto e a Candela Obscura. Um desses sonhos é o que mais se repete. Nele, Jaffar está diante de um espelho e estica o braço para tocá-lo, seu reflexo faz o mesmo, mas, de repente, a mão de seu reflexo sai do espelho e agarra seu pescoço e ele acorda com falta de ar.
Então seu Catalyst é “O Oculto Sempre me Convocou” e sua Question é “Eu sou aquele diante do espelho ou aquele dentro do espelho?”. E vou deixar meu mestre imaginário brincar com isso. Rs

Passo Três: Connections, Gear e Marks. Os últimos passos eu não posso fazer sem um grupo ou demandam o início da primeira sessão de jogo.
Connections são minhas conexões com os membros do meu Círculo. Nesse Quickstart isso é feito fazendo perguntas aos meus companheiros de mesa. Como estou sozinho, não há muito o que fazer.
Gear é o equipamento e isso é decidido pelo Mestre de Jogo ao nos passar nossa missão.
Por fim, Marks são os danos físicos, mentais ou místicos do meu personagem. Jaffar viveu uma vida protegida… até agora.

E é isso. Jaffar Tales está pronto para descobrir os mistérios do oculto e conter o sangramento dos outros mundos para esse.

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Jaffar Tales
Scholar

Nerve Driver oo
Move
Strike
Control* o

Cunning Driver ooo
Sway oo
Read o
Hide

Intuition ooo o
Survey oo
Focus* oo
Sense o

Specialty: Professor
- Steel Mind

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Mil Faces de um RPGista - Meu Brinquedo Preferido - Zezinho e Hércules


Jogo: Meu Brinquedo Preferido
Autoria: Eduardo Caetano
Editora: Publicação Própria.
Experiência: Li as duas versões, ainda tentando entender alguns pontos das mecânicas, mas quero colocar na mesa em algum momento.
Livros usados: O arquivo disponibilizado pelo autor em seu site: https://rolistaindependente.wordpress.com/

Fui apresentado a esse RPG por um amigo (fala Luiz Felipe) que participou do financiamento coletivo para o lançamento da versão física dele. Ele me emprestou o livro por um tempo e depois encontrei esse arquivo que estou usando para montar esse personagem.
A proposta do jogo é até um pouco ambiciosa. Os jogadores são brinquedos de uma criança no estilo Toy Story, mas diferente de outros jogos com propostas parecidas (como Knights of the Underbed e Threadbare), nesse jogo os brinquedos são projeções dos recursos da criança para lidar com seus medos.
Nesse sentido o jogo me lembra um tanto de Girl Underground onde os jogadores giram ao redor de uma personagem compartilhada.
O sistema, nessa versão que estou usando, utiliza dominós como principal mecânica, com d6s como complemento para a pilha de inocência. É interessante que o sistema trabalha com uma mecânica de apostas, onde cada um dos envolvidos em um desafio (ou um jogador e o Moderador) puxam uma peça de dominó e revelam apenas metade da peça, desafiando um ao outro para continuar na aposta ou desistir. É uma mecânica interessante e constitui o terceiro sistema que eu conheço que usa dominós.

Vamos fazer um brinquedo.

Etapa Um: O Dono. Primeiro é preciso criar uma criança para ser o Dono dos brinquedos. Normalmente essa etapa é feita em grupo, mas aqui sou apenas eu. Vamos lá.

Passo Um: Idade. Essa talvez seja a informação mais importante do Dono (que eu cismo em chamar de a Criança). A idade determina quanto de Inocência (um recurso compartilhado entre todos os jogadores), de Medo (os desafios a serem enfrentados) e Pontos de Imaginação (um recurso individual que é necessário para a construção de conexões cognitivas – falo mais disso adiante).
Quero criar um garotinho de oito anos (uma idade significativa para mim), acho que o nome dele será João Vicente, mas só sua mãe o chama assim e só quando está brava com algo que ele fez, para todas as outras pessoas ele é o Zezinho.
Com oito anos Zezinho tem 5d6 de Inocência, 12 pontos para colocar em seus Medos e cada brinquedo terá 2 Pontos de Imaginação.

Passo Dois: Medos. Se estivesse em um grupo, seria o momento de um brainstorm pensando em quais medos Zezinho tem e como isso se reflete em seu Mundo Imaginário. Mas, novamente, sou apenas eu.
Não quero repetir os Medos do personagem exemplo do livro, então acho que vou começar com um medo de grandes concentrações de água. Zezinho quase se afogou quando era muito pequeno e isso se reflete em seu Mundo Imaginário com água brotando de todos os lados.
Para um segundo medo imagino que o irmão mais velho de Zezinho pegue muito no pé dele, mesmo sendo apenas poucos anos mais velho (talvez doze anos), ele zomba da “infantilidade” do irmão como só um pré-adolescente é capaz de fazer.
Para o último medo, acho que vou ficar com medo de cachorros. Talvez o irmão mais velho, Robson, ficou provocando Zezinho que um cachorro ia morder ele quando eram mais novos e isso ficou na mente do garoto.
No Mundo Imaginário isso pode aparecer com Robson sendo o senhor do Grande Mar Assustador e seus soldados serem um bando de cachorros raivosos.
Vou colocar cinco pontos no medo de água, quatro no medo do irmão (que tem um tanto de medo de desapontá-lo também) e três no medo de cachorros.

Passo Três: Potenciais. Potenciais são capacidades que o Dono possui mas não tem consciência e se ligam aos Traços dos brinquedos então vou deixar para criar um dos potenciais de Zezinho depois de criar meu brinquedo.

Etapa Dois: O Brinquedo.

Passo Um: Nome e Tipo. Existem seis tipos de brinquedos. Acho que no livro físico (meio que uma primeira edição desse jogo), só tinham três, mas posso estar enganado. O livro diz para sortear, mas eu já tenho uma clara ideia de qual eu quero então vou escolher um veículo. Na verdade quero fazer um caminhão de brinquedo chamado Hércules.

Passo Dois: Vantagem e Adjetivos. Veículos inspiram a busca por conhecimento e saber, diz o livro e essa é a minha vantagem. Não vi em lugar nenhum no que a Vantagem afeta o jogo, mas acho que é mais uma inspiração do que outra coisa.
Agora posso criar até quatro adjetivos que descrevem meu Brinquedo no Mundo Imaginário e que me permitem acessar dados extras da pilha de Inocência. Acho que vou roubar alguns do tipo Herói para compor meu personagem. Então escolho Corajoso, Resistente e Protetor.

Passo Três: Poder Super-Legal. Meu personagem pode ter um Poder Super-Legal (e eu adorei esse nome. rs) que é uma habilidade especial que ele pode usar uma vez por sessão para conseguir um sucesso automático. Para Hércules acho que ele tem sua caçamba onde ele pode carregar seus amigos, talvez tirando-os de uma situação de perigo. Eu preciso colocar uma limitação, mas acho que o fato de precisar ter a caçamba conectada já é uma limitação suficiente.

Passo Quatro: Defeito de Fábrica. Essa é uma desvantagem que meu personagem tem em uma determinada situação e que pode ser ativada por qualquer jogador (não apenas o Moderador, como o Mestre de Jogo é chamado aqui) uma vez por sessão e eu ganho pontos de imaginação em troca. Acho que Hércules tem uma das rodas solta e isso faz com que ele perca o controle quando vai muito rápido.

Passo Cinco: Traços. Um traço é uma habilidade que o brinquedo recebe de seu Dono e tem conexão com o Potencial. Então vamos fazer os dois agora. Acho que Zezinho é um menino muito retraído exceto quando vê alguém que ele gosta em perigo, nesse momento ele se coloca entre essa pessoa e o perigo (seja real ou, mais provável, imaginário) e, por isso, Hércules tem um Campo de Força que ele usa para proteger os outros. Ele não pode usar esse poder para proteger apenas a si, só quando usa para proteger os outros.

E é isso! Os personagens estão prontos, mas eu quero comentar mais um aspecto desse sistema antes de fechar essa postagem que são os mapas cognitivos. Ao longo do jogo, quando um brinquedo consegue realizar certos desafios ele pode gastar Pontos de Imaginação para acrescentar a peça de dominó usada em um mapa cognitivo, que possui uma ficha própria, onde você vai construindo caminhos (de dominós e metafóricos) para a Criança adquirir recursos que lhe permitam superar ou, ao menos, lidar com seus medos. A mecânica aqui está muito melhor desenvolvida e explicada do que no livro físico que eu li primeiro. Essa mecânica talvez seja o grande motivo pelo qual eu me interessei por esse jogo e que me faça colocá-lo em mesa.

Mas por agora, termino por aqui.
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Dono: João Vicente, Zezinho.
Idade: Oito anos.
Inocência: 5d6
Pontos de Imaginação de Cada Brinquedo: 2

Medos:
Água 5
Seu Irmão 4
Cachorros 3

Potencial: Proteger seus amigos se colocando entre eles e o perigo.

Brinquedo: Hércules
Veículo
Vantagem: Veículos inspiram a busca por conhecimento e saber
Adjetivos: Corajoso, Resistente e Protetor.
Poder Super Legal: Caçamba para Carregar Seus Amigos. Precisa estar conectada.
Defeito de Fábrica: Roda solta que o faz perder o controle quando vai muito rápido.
Traço: Campo de Força para Proteger os Outros

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Mil Faces de um RPGista - Rokugan d20 - Kakita Sakura


Jogo: Rokugan d20
Sistema: Dungeons & Dragons 3.5/ d20system
Autoria: Rich Wulf, Shawn Carman & Seth Mason.
Editora: Wizards of the Coast. Não sei se houve uma versão em português.
Experiência: Com a ambientação, muita. Com essa versão, praticamente nenhuma. Só li lá nos anos 2000, mas nunca cheguei a mestrar ou jogar já que preferia o sistema original do cenário.
Livros usados: O Player’s Handbook da terceira edição, o oriental adventures dessa edição e o próprio Rokugan Campaigh Setting.

Voltamos a Rokugan, mas agora com uma cara nova. Para quem não sabe, Legend of the Five Rings originalmente era um card game cujos campeonatos iam moldando a história do cenário. Nos anos 2000, no auge do D&D 3a edição, a Wizards of the Coast comprou os direitos do cardgame e, em conseguinte, do cenário. Foi uma época em que Rokugan ficou entulhado de magia e itens mágicos. Por quê? Porque Rokugan passou a ser o cenário oficial do “Oriental Adventures” do D&D, no lugar de Kara-Tur.
O interessante é que o RPG de L5R continuou nas mãos da AEG, que estava na sua 3a edição também. Os suplementos que saíram nessa época eram adaptados nos dois sistemas.

Então, mais uma vez, vamos criar um samurai.

Passo Zero: Conceito. Apesar de em D&D não funcionar criar conceitos antes de sortear ou montar os atributos básicos, vou seguir com meus modelos tradicionais porque já tenho algumas ideias para essa personagem. Estava entre fazer uma shugenja e uma courtier, mas vou optar pela segunda opção porque gosto de como adaptaram essa classe para o Rokugan d20. Foi a melhor versão de uma classe social para D&D que eu já vi.

Passo Um: Atributos Básicos. Bom, vamos rolar 4d6, ignorar o mais baixo seis vezes: 13, 16, 12, 14, 11, 14, bem mediano. Carisma é o atributo principal, então fica com o meu 16. Sabedoria e Inteligência são igualmente importantes como atributos secundários, então recebem os dois 14s. Deixo o 13 para Destreza, o 13 para Constituição e o 11 fica com Força que é o atributo menos útil para a personagem que estou criando.

Passo Dois: “Raça”. Coloquei entre aspas porque, apesar de haverem duas raças não-humanas em Rokugan, os Naga e os Nezumi, o grande foco do jogo é nos humanos, seus clãs e famílias. Já fiz um Leão, uma Phoenix e um Caranguejo. Dessa vez quero fazer uma Garça (e, sim, eu sei que a tradução oficial de Crane é Grou, mas eu já usava Garça lá em 1998 e acho mais temática essa tradução). O caminho óbvio seria fazer da família Doji, mas quero ver minhas opções...Acho que vou fazer uma Kakita… Kakita Sakura, porque ela sempre foi vista como um ser delicado como a flor de cerejeira. Isso me dá a opção de escolher entre samurai e courtier como minha classe preferida, escolho a segunda. Também começo com 3 de Honra, adiciono Perform como uma perícia de classe e escolho a segunda opção de equipamento inicial que me dá uma roupa da realeza e 150 koku (que é dinheiro para um K-Raio!).

Passo Três: Classe. Essa ambientação tem várias classes novas legais. Como disse antes, minha escolha é o Courtier. No primeiro nível eu tenho 6 hps, 40 pontos de perícia, proficiência com todas as armas simples e com a wakizashi, mas não sou proficiente com armaduras ou escudos. Eu começo também com as habilidades Wealth, que me dá mais 150 koku (50 x meu modificador de Carisma), grana que eu só posso gastar para ajudar meu clã; Recebo também Style and Grace que me dá um bônus de competência de +4 em todos os testes de perícias relacionadas à Carisma em interações sociais (ou seja, eu sou um monstro nessa área); e Talent, que aumentar qualquer Skill Focus que eu pegue para perícias baseadas em Carisma, Sabedoria ou Inteligência de +2 para +4.
Estou pensando se aumento o nível dessa personagem para 4 a fim de pegar umas habilidades especiais legais, mas vou deixar pra decidir isso no final.

Passo Quatro: Perícias. Como eu disse eu tenho 40 pontos para distribuir em perícias. Deixa eu ver a minha lista de perícias de classe pra ver quais me interessam: Bluff (Cha), Diplomacy (Cha), Gather Information (Cha), Knowledge (Etiquete) (Int), Knowledge (Nobility and Royalty) (Int), Listen (Wis), Perform (Cha), Read Lips (Int), Sense Motive (Wis), Tea Ceremony (Wis). Dez Perícias. Coloco 4 pontos (o máximo mesmo) em cada uma e pronto.

Passo Cinco: Feats. Eu começo com dois feats (um por ser humano) e vários dos feats aqui são adaptações das técnicas e/ou vantagens do L5R RPG. Eu gostaria de pegar ao menos um Skill Focus para poder me beneficiar do meu Talent. Também estou considerando se pego Void Use.
É! Vou de Void Use mesmo. No Oriental Adventures dessa edição esse feat substitui o feat racial dos humanos, inclusive. E como meu feat de nível 1, vou de Skill Focus em Diplomacy mesmo.

Passo Seis: Equipamento. Vou ficar só com o basic outfit com minha vestimenta real e meu 150 koku. Possivelmente outro jogador seria meu yojimbo (guarda-costas).

Passo Sete: Passos Finais. Eu começo com Honor 3 e escolho meu alinhamento. Acho que Neutral Good seria o melhor. Sakura é uma jovem que tenta ajudar os outros, mas coloca seu clã acima de todas as outras escolhas.

Acho que é isso.

Sakura está pronta para trilhar suas batalhas não no fio da espada, mas na corte onde vidas são decididas.

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Kakita Sakura
Human (Crane Clan)
Courtier 1

Str: 11 (0)
Dex: 13 (+1)
Cons: 13 (+1)
Int: 14 (+2)
Wis: 14 (+2)
Cha: 16 (+3)

Skills: Bluff (Cha) 7, Diplomacy (Cha) 11, Gather Information (Cha) 7, Knowledge (Etiquete) (Int) 6, Knowledge (Nobility and Royalty) (Int) 6, Listen (Wis) 6, Perform (Cha) 7, Read Lips (Int) 6, Sense Motive (Wis) 6, Tea Ceremony (Wis) 6.

Feats: Void Use, Skill Focus (Diplomacy)

Special Abilities: Wealth, Style & Grace, Talent

Equipment: Royal Vestiment e 300 koku.




quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Mil Faces de um RPGista - The Ward ACE - Trish Hammond


Jogo: The Ward – Acute Care Edition
Sistema: Powered by the Apocalypse
Autoria: Kevin “Chroma” Petker.
Editora: Magpie Publishing
Experiência: Com esse jogo em si, nenhuma ainda, mas já mestrei alguns PbtAs inclusive uma campanha de Pasion de las Pasiones que tem uma “pegada” similar.
Livros usados: O único que existe até o momento.

Uma das coisas que eu adoro nos sistemas Powered by the Apocalypse é a diversidade e temas que ele permite colocar em mesas de RPG. The Ward é um RPG sobre soap operas médicas estilo Plantão Médico, Grey’s Anatomy e Scrubs, entre outros.
O mais incrível é que além desse eu descobri outros dois RPGs com temáticas semelhantes.

Então, vamos criar uma médica.

Passo Zero: Conceito. Conforme fui lendo o livro, lembrei de uma série médica que eu assistir nos anos 80. Catei na internet pra ver se descobria o nome dela porque não lembrava o nome dela em português e não sabia em inglês. Só sabia que o personagem principal era interpretado pelo Neil Patrick Harris. Encontrei aqui: https://pt.wikipedia.org/wiki/Doogie_Howser,_M.D.
Na série, o personagem título, Doogie Howser é um garoto superdotado que se formou na faculdade de medicina aos dezesseis anos e tinha de equilibrar a vida como um médico interno e como um adolescente que está matriculado em uma “high school” para ter a experiência de ser um adolescente normal.
Então minha ideia é fazer uma personagem mais ou menos nesses moldes. Algo semelhante à personagem que Amber_Tambly interpretou em House MD, só que com uma postura mais positiva. Seu nome é Tiffany Hammond? Por quê? Não sei. Anotei esse nome para a personagem desse jogo a muito tempo atrás e não lembro como criei esse nome, mas vamos lá.

Passo Um: Escolha um Playbook. Como a maioria dos PbtAs eu escolho um playbook. Esse jogo só tem quatro opções. Até porque esse livro era pra ser só um “preview” do que seria o jogo completo que nunca foi lançado. As opções são: Intern, Nurse, Resident e Specialist. Como quero que Trish tenha acabado de sair da faculdade de medicina aos 17 anos acho que Intern é a melhor opção.

Passo Dois: Tags e dados demográficos. Agora eu escolho uma tag. Minha opções como intern são Genius, New (no sentido de Novato) e Optimistic. As três opções encaixam com minhas ideias para Trish, mas acho que Genius é a melhor para ela. Eu ganho uma especialidade extra por isso.
Nos dados demográficos eu literalmente marco isso, como se fosse um formulário em uma empresa.
Nome: Trish Hammond.
Gênero: Feminino.
Cabelo: Castanho escuro.
Olhos: Castanhos escuros.
Lentes Corretivas: Sim
(gosto da ideia dela usando lentes no colégio e óculos no hospital, algo meio Clark Kent/ Superman).
Idade: 17 (essa opção não aparece na ficha, mas dane-se).
Raça: Branca.
Status Marital: Solteira.
Parente mais Próximo: Amber Hammond, mãe.
Contato de Emergência: Amber Hammond, mãe.

Passo Três: Atributos. Os atributos desse jogo são: Brains, Guts, Heart e Nerve, e eu tenho -1, 0, 0 e +1 para distribuir. Deixa eu ver como os atributos se encaixam nos moves desse jogo.
Bom, já sei que eu quero o +1 em Brains que é o que eu rolo para Demonstrar Expertise para demonstrar exatamente que ela é uma superdotada.
Agora no que eu quero que Trish seja ruim para ganhar o -1? Olhando os moves, acho que agir profissionalmente é muito clichê, pelo contrário, acho que Trish acha fácil assumir uma posição profissional. O que me deixa com Fingir Competência e Demonstrar Compaixão ou Desprezo. Se o -1 for para o primeiro, ela é ruim em mentir se for no segundo ela tem dificuldade de se conectar com as pessoas para além do nível intelectual. Gosto do segundo. Imagino ela tendo que lidar com a dureza de dizer a alguém que uma pessoa querida não sobreviveu à cirurgia… segura a emoção!
Então ela tem -1 em Heart e os 0s vão para Guts e Nerve.

Passo Quatro: Especialidades. Agora eu pego duas especialidades, na verdade três porque Trish é uma Genius. Eu posso push (1), ou seja ganhar um +1, em qualquer teste que envolva uma das minhas especialidades. Especialidades são divididas em três “theatres”, locais onde elas se aplicam, são eles: Medical, Social e Personal.
Na área médica, acho que quero Neurology e Surgery. Acho que essas são as especialidades de Trish quando ela tem de lidar com pacientes.
Agora quero que a terceira Especialidade seja ou Social ou Personal. Algo para ela lidar fora do consultório ou da sala de cirurgia. Olhando a lista de sugestões acho que vou de Innocent. Trish sempre foi focada nos estudos então ela tem dificuldade de pegar certos duplos sentidos e sarcasmos.

Passo Cinco: Movimentos. Agora eu escolho um move do meu playbook. O primeiro do intern eu acho que já encaixa bem. Harsh Lessons. Toda vez que um outro personagem se dá ao trabalho de diminuir, humilhar ou ridicularizar Trish, ela ganha um bônus de +1 no próximo rolamento de dados. Imagino ela sofrendo um bocado por ser adolescente (sem falar na questão do machismo, é claro) e mostrando quem ela é para algum babaca.

Passo Seis: Vícios. Nesse jogo todos os personagens têm um vício. Uma forma que eles usam pra reduzir o estresse (mais ou menos os pontos de vida desse jogo). Não necessariamente é um vício em drogas, bebida ou coisas similares. Mas é algo que demanda tempo e me dá uma penalidade de -1 quando eu ajo contrário aos meus vícios.
No caso de Trish tenho duas possibilidades: O ela viciada em se trancar com um livro ou é viciada em cultura pop adolescente. Gosto mais da segunda opção porque é algo que tenderá a aparecer mais e dará mais chance dela ser desconsiderada por ser “apenas uma menina” (o que me dará mais chance de usar o Move acima).

Passo Sete: Conexões. Como muitos PbtA, The Ward tem regras para criar conexões iniciais entre os personagens. Há dois moves que usam o modificador de suas conexões. No caso eu faria uma série de perguntas aos outros jogadores para determinar a relação com cada um deles e os modificadores de conexão correspondentes. Como sou só eu, vou considerar que Trish ainda não formou conexões com ninguém do hospital, nem positivas nem negativas então todas as conexões começam com 0.
Também um outro jogador (com quem eu tenho a Conexão mais baixa) escolheria um apelido para a minha personagem. Novamente, como sou só eu, vou escolher eu mesmo. Vou ficar com o mais óbvio e dizer que o apelido de Trish é Carne Fresca, tanto por ser nova no hospital quanto por ser muito nova de idade mesmo.

E é isso. Trish está pronta para viver uma vida dupla enquanto salva vidas no hospital da nossa soap opera.
___________________________________________________

Trish Hammond
Intern
Genius

Female, Age 17, White, Brown Hair, Brown Eyes, Corrective Lenses, Single

Next of kin: Amber Hammond, mother.

Brains +1
Guts 0
Nerve 0
Heart -1

Specialties: Neurology, Surgery, Innocent

Moves: Harsh Lessons.

Addictions: Teen Pop Culture.

Connections: All 0




Nickname: Fresh Meat.

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Mil Faces de um RPGista - Freak Legion - Bart Spencer


Jogo: Freak Legion – A Player’s Guite to Fomori
Autoria: Bill Bridges (org.)
Editora: Black Dog Game Fantasy (o selo “adulto” da White Wolf Publishing).
Experiência: Cheguei a mestrar uma sessão desse jogo nos anos 90.
Livros usados: Esse suplemento e talvez eu pegue o livro básico do Werewolf: The Apocalypse para pegar algumas informações.

Freak Legion é um suplemento para Werewolf: The Apocalypse que foca por um lado na PENTEX, a megacorporação que adianta a agenda da Wyrm destruindo as florestas tropicais, gerando poluição, negando aquecimento global e vacinas (lembra alguém?); por outro lado o livro traz as regras para aqueles que, voluntariamente ou não, servem à Pentex e a Wyrm, os Fomori, mortais que foram infectados pela grande corruptora.
Se você quiser usar esse suplemento de forma mais “leve” pode encarar como um supers com um lado de corrupção. Lembro que joguei assim nos anos 90. Hoje, com os anos de experiência e conhecimento (e reposicionamento político) faria um jogo completamente diferente se voltasse a colocar na mesa.
Por fim, tenho certeza que esse livro foi uma das inspirações para Deviant: The Renegades, a última linha lançada para o cenário do Chronicles of Darkness.

Vamos criar um Fomori.

Passo Um: Conceito. Primeiro posso decidir se meu personagem será um funcionário da Pentex ou uma vítima de seus produtos. Acho que vou na primeira opção. Quero um funcionário modelo, não necessariamente um soldado ou coisa do tipo, talvez um tipo mais burocrático. Alguém que é uma vítima mas não tem consciência de que é uma vítima. Seu nome é Bart Spencer.
Eu posso escolher um Breed de Fomori ou decidir fazer um único. Vamos de único que é mais divertido.
Para fechar meu conceito eu escolho uma Nature e um Demeanor. Pensei em Bureaucrat ou Director logo e cara. Mas pensei agora que isso poderia ser seu Demeanor, a face que ele expõe ao mundo. A imagem de alguém controlado e organizado. Acho que para a Nature vou colocar Bravo, ou seja no fundo ele vive irado e tentando rebaixar aqueles que considera como inferiores.

Passo Dois: Atributos. Esquema padrão do Velho Mundo das Trevas, só com um 6/4/3. Acho que vou Pegar Físico como primário, Social como secundário e Mental como terciário. Bart não é nenhum gênio, mas ele sabe disfarçar bem.
Nos atributos físicos distribuo dois em cada um, deixando cada um com três pontos.
Nos atributos Sociais vou colocar um para cada e o ponto que sobra vai para Manipulation.
Por fim, os atributos mentais eu acho que vou colocar um em cada mesmo.

Passo Três: Habilidades. Aqui são 11/7/4 para priorizar e distribuir. Acho que Talents primário, Knowledges secundário e Skill como terciário.
Nos Talents: Alertness 1, Athletics 2, Brawl 2, Dodge 2, Intimidation 2 e Subterfuge.2.
Nos Knowledges: Bureaucracy 3, Computer 3, Law 3.
Nos Skills: Drive 2, Firearms 2 e Stealth 1.

Passo Quatro: Vantagens. Primeiro tenho cinco pontos para Backgrounds e mais um em Resources por ser funcionário da Pentex. Com certeza quero Rank um ou dois. Acho que dois bate mais com ele. Vou colocar mais um ponto em Resources, aumentando para dois. O que me deixa com meus últimos dois pontos. Acho que vou colocar os dois em Aliados, representando uma espécie de “costas quentes” que Bart tem para livrá-lo de problemas dentro da empresa.
E aí chegamos nos Poderes. Eu começo com zero pontos porque preciso pegar Taints para ter Poderes. Eu posso escolher ou rolar numa tabela. Vamos deixar o caos falar. Rolo 88 que me dá “Ugly as Sin”, apesar de gostar do nome, isso me dá poucos pontos (1) e não combina com a ideia que tenho para esse personagem. Vamos rolar de novo e ver o que sai. Tirei 25, Crusties. É, o destino quer que Bart seja feio mesmo. Isso deixa esse personagem com uma pele que vai descascando constantemente e me dá três pontos.
Vamos rolar na tabela de Poderes e ver o que sai. Tirei 31, Frog Tongue. A ideia de Bart ser um “língua grande” é divertida e custa 3 pontos. Vamos rolar mais uma vez e fazer algumas escolhas. Saiu 28, Eyes of the Wyrm que me permite mostrar os terrores de Malfeas às minhas vítimas… gostei! Vou pegar esse em vez da língua de sapo.
Poderia continuar rolando ou escolhendo, mas quanto mais poderoso for um Fomori, mais descartável ele vai se tornando por conta da quantidade e da severidade dos Taints que ele tem.

Passo Cinco: Toques Finais. Eu começo com Willpower 3 e tenho 21 “freebie points”.
Hummm… na verdade, não estou gostando desse personagem. Então vou retornar ao passo anterior e deixar pra lá as tabelas aleatórias e escolher uns taints e poderes para o Bart.
Começando com os taints, acho que vou manter o “crusties”, mas também quero pegar Teledementia, que é uma espécie de telepatia, só que filtrada pela wyrm. Ou seja, Bart só ouve os piores pensamentos das pessoas ao seu redor, ou os pensamentos são cobertos de camadas de medo e ódio, então um pensamento de “ele está bem?” vira um “nossa, esse cara é muito nojento.” O que pode gerar uma paranóia interessante nesse personagem. Além desses eu também quero o taint Worms, com ele meu estômago está repleto de vermes que se multiplicam continuamente e eu preciso “colocar pra fora” uma vez por dia senão eles começam a me devorar por dentro.
Bom, isso me deixa com onze pontos para comprar poderes. Eu quero manter Eyes of the Wyrm, mas deixa Tongue’s Frog pra lá. Eu quero Berserker, que dá Rage ao meu personagem, e também Stomach Pumper, que permite meu personagem uma espécie de “ataque de vômito”, combinado com o taint de Vermes fica bem interessante (aliás é o personagem exemplo da história que abre o livro). Isso me deixa com 2 pontos, mas não tem nenhum poder desse custo que me interesse. Eu pegaria Garras, mas precisaria de mais um ponto de Taint… espera aí, acho que vou pegar Noxious Breath que faz meu personagem exalar um cheiro de cigarro que todos ao seu redor ficarem com vontade de fumar, mesmo que nunca tenham fumado na vida.
Bart Spencer é um funcionário da Pentex que tem problemas de pele, acha que todo mundo está contra ele, tem o pior caso de azia do mundo, é um fumante inveterado que enxergar o pior do mundo e faz os outros terem a mesma visão além de ter problemas com raiva. Ou seja, é um perfeito agente corporativo.

Daí voltamos aos freebie points. Eu gasto nove logo para aumentar a Rage de Bart para 10. Quero aumentar o Brawl e o Dodge dele pra 4, o que custa oito pontos. O que me deixa com quatro pontos de sobra.

Acho que vou gastar com Habilidades mesmo. Colocando Alertness pra 2 e Subterfuge para 3, o que gastar meus últimos quatro pontos.

Pronto! Bart Spencer está pronto para batalhar sua subida na escada empresarial. Quem sabe ele não é próximo funcionário do mês?

________________________________________________________

Bart Spencer
Nature: Bravo.
Demeanor: Director.

Attributes:
Strength 3, Dexterity 3, Stamina 3
Charisma 2, Manipulation 3, Appearance 2
Perception 2, Intelligence 2, Wits 2

Abilities:
Talents: Alertness 2, Athletics 2, Brawl 4, Dodge 4, Intimidation 2 e Subterfuge.3.
Skills: Drive 2, Firearms 2 e Stealth 1.
Knowledges: Bureaucracy 3, Computer 3, Law 3.

Backgrounds: Allies 2, Rank 2, Resources 2

Taints: Crusties, Teledementia, Worms

Powers: Berserker, Eyes of the Wyrm, Noxious Breath, Stomach Pump

Willpower: 3
Rage: 10


quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Mil Faces de um RPGista - Comrades - Yelena Piotrkova


Jogo: Comrades – A Revolutionary RPG
Sistema: Powered by the Apocalypse
Autoria: W. M. Akers
Editora: Auto-publicado.
Experiência: Li o livro. Espero um dia colocar em mesa.
Livros usados: Só o básico e o arquivo de playbooks separado.

Desde o início deste ano eu tenho sorteado a ordem dos jogos os quais eu faço personagens para esse projeto. Então essa sequência de três jogos começada em 10 Workers United, passando agora por Comrades e terminando em Freak Legion foi totalmente na sorte. Por que digo isso? Porque são três jogos com propostas socialistas/comunistas ou ao menos de uma crítica anticapitalista. Se eu tivesse planejado isso, não seria tão bom. Rs
Em Comrades, os jogadores são membros de uma célula revolucionária buscando derrubar a estrutura da sociedade e renovar o modelo dentro de uma proposta comum a todos. O cenário pronto que vem no livro é similar à Rússia pré-Revolução, mas o jogo pode ser passar em um cenário inspirado na França Pré-Revolução Liberal, ou em um cenário de ficção científica ou fantasia (como um reino onde dragões demandam a produção dos vassalos, por exemplo).

Então, vamos criar uma revolucionária.

Passo Um: Escolha um Playbook. Entre os playbooks, penso em pegar Patron ou Artist, ao mesmo tempo acho o Mystic interessante. Só que uma revolução não acontece sem o apoio da classe trabalhadora. Logo, vou pegar o Worker.
Daí, já começou a se formar um conceito de personagem. Yelena Piotrova era uma camponesa no interior de Khresht (o cenário modelo do livro) até que, assim como outros camponeses, ela foi expulsa de suas terras por grandes latifundiários aliados ao Imperador (se isso parece familiar, você não foi um mau aluno de história). Dessa forma Yelena foi forçada a vir para a cidade grande onde compôs uma nova classe trabalhadora de um indústria ainda incipiente. Ela passa a trabalhar em uma fábrica de tecelagem, mas as condições desumanas de trabalho vão gerando um sentimento de revolta que a fará se unir ao grupo revolucionário.
Preenchendo a primeira página do playbook eu já decidi o nome da personagem, para aparência eu acho que Yelena é uma mulher já vivida e com alguns cabelos brancos que se veste de forma bem sóbria e simples e sua personalidade é de alguém cansada de ser jogada para um lado e para o outro como se fosse um objeto ou um animal.

Passo Dois: Atributos. Comrades é um PbtA de “primeira geração”, então os atributos são bem genéricos e tentam abarcar muita coisa. Diferente dos PbtAs mais recentes que costumam ter atributos e moves mais alinhados a proposta do jogo. Aqui temos: Body, Mind, Spirit e Guile; e a opção de distribuir +2, +1, -1 e -1 neles.
Acho que Spirit é o mais importante para Yelena, então leva o +2, Mind fica com o +1, o que deixa Body e Guile com os -1. Ela já não é tão mais forte como um dia foi (ou talvez ela não seja tão inclinada a agir com violência) e a vida no campo não lhe conferiu certa “malandragem”.

Passo Três: Moves. Agora eu posso escolher dois moves do playbook do Worker. Eu vejo Yelena atuando mais como uma pessoa acalentadora, o coração do grupo, alguém que usa sua experiência pessoal para trazer um novo olhar aos revolucionários. Nesse sentido acho que os moves Professional Opinion e Union Brothers são os que mais se encaixam com ela. Gostei também de Plain Spoken, mas acho que seria melhor pegar mais a frente, conforme Yelena for perdendo a paciência com frivolidades de outros revolucionários.

Passo Quatro: Caminhos da Revolução. O jogo traz uma mecânica de Pathways to Revolution, onde a cada sessão os jogadores testam para ver se avançaram em um “track”. Se em algum momento um desses Pathways chegar a cinco a revolução acontece e a campanha termina. Eu lembro vagamente de ter lido que o grupo começava com um desses Caminhos no nível um, mas não estou encontrando agora. Como seria uma decisão de grupo, deixo o voto de Yelena para os caminhos da Organização ou da Camaradagem.

E é isso! Yelena está pronta para organizar as classes trabalhadoras para a tomada dos meios de produção.
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Yelena Piotrkova
Worker

Body -1
Mind +1
Spirit +2
Guile -1

Moves: Professional Opinion e Union Brothers.

domingo, 10 de setembro de 2023

Leituras 2023 - Semana 36


Leituras 2023 - Semana 36
65 Lidos
Lendo:
01 - Economia do Desejo - A Farsa da Tese Neoliberal - Eduardo Moreira - 62% [60]
02 - Werewolf: The Apocalypse 5ed (RPG) - Justin Achilli & Karim Muammar - 11% [035]
03 - My Life With Master (RPG) - Paul Czege - 79% [50]
04 - Shibari For Beginners: The Step-by-Step Guide to Learn the Art of Japanese Bondage - 13%

Contos, Poesias & Artigo*
- Deus Ex Machina - Deuses e Monstros - Vários Autores - 78% (05)
- Mulheres vs Monstros - Vários Autores - 65% (05)
- Ecos do Golpe - Vários Autores - 40% (08)
- Paranoia XP - Crash Priority (RPG) - Vários Autores - 03% [02] (08)
- Olhares Sobre a Formiga: Comunidade, escola e universidade em um encontro de saberes - 05% (13)
*Sendo lidos de forma não-linear. Os mais em cima foram lidos mais recentemente. O número entre ()s indica quantos contos/poesias faltam para terminar.

Lidos:
01 - Border, e agora? Do Diagnóstico ao dia a dia - Letícia Lopes
02 - The Dare: Call of Cthulhu Adventure (RPG) - Kevin A. Ross
03 - It Takes A Child To Raze A Village (RPG) - Matt Jones
04 - Como Educar Crianças para a Paz - Laura Perls
05 - Dreadful: Three Ready to Play Scenarios for Dread (RPG) - Sam Gundaker
06 - Laser & Feelings (RPG) - John Harper
07 - L5R 1e - Code of Bushido (RPG) - Ree Soesbee, Rob Vaux, John Wick e Pat Kapera
08 - Renewal & Riot (RPG) - Joan Nobile
09 - Vampire: The Masquerade V5 (RPG) - Jason Carl (org.)
10 - Hentai Ouji to Warawanai Neko Vol. 01 (Mangá) - Sagara, Sou & Okomeken
11 - Hentai Ouji to Warawanai Neko Vol. 02 (Mangá) - Sagara, Sou & Okomeken
12 - Hentai Ouji to Warawanai Neko Vol. 03 (Mangá) - Sagara, Sou & Okomeken
13 - Wise Women (RPG) - Aleksandra Brokman
14 - 7th Sea 1e - For the Sake of Change (RPG) - Les Simpsom
15 - SMH 2016 - Remoções no Rio de Janeiro Olímpico - Lucas Faulhaber & Lena Azevedo
16 - Black Silence (HQ) - Mary Gagnin
17 - Dangerous Times Zine (RPG) - Michael Bacon
18 - A luta esquecida dos negros pelo fim da escravidão no Brasil - Amanda Rossi Juliana Gragnani
19 - Mage: The Ascension 1e - Loom of Fate (RPG) - Chris Hind
20 - Parselings Core Rulebook (RPG) - Leo Cheung
21 - PoliEdro Position (RPG) - Daniel Capua
22 - Picking Up the Pieces (RPG) - Summer
23 - Transformers RPG Core Rulebook (RPG) - Ryan Costello, Gabriel Hicks, JF Sambrano, Bryan C.P. Steele, Elisa Teague, Eddy Webb
24 - GURPS MAGE - The Outside Place (RPG) - Steve Kenson
25 - Correntes de Veneno e Caos - Ana Cristina Rodrigues
26 - M20 - Mage Made Easy Advice from That Damn Mage Guy (RPG) - Satyros Phil Brucatto
27 - Goddess Save the Queen (RPG) - Carol Neves e Julio Matos
28 - I'm Sorry Did You Say Street Magic (RPG) - Caro Asercion
29 - Welcom to Global Dragon Egg Conservation Training Manual (RPG) - KuumatheBronze
30 - M20 Book of Secrets (RPG) - Satyros Phil Brucatto
31 - Goddess Saves the Queen Fastplay (RPG) - Carol Neves e Júlio Matos
32 - Rebel R - Jogo Rápido (RPG) - Júlio Matos
33 - Anos 20 (RPG) - Luís Heavy
34 - Amusing Genetic Copies (RPG) - Aaron Lins
35 - Fae's Anatomy - A Melodramatic Medical Mystery RPG (RPG) - Caleb Stokes
36 - Maid (RPG) - Ryo Kamiya
37 - Candela Obscura Quickstart Guide (RPG) - Spenser Starke & Rowan Hall
38 - Ôoo, Tia (RPG) - Ann Botticelli, Bruno Ricardo da Silva, Ginosik, Jorge Botticelli e Ton Botticelli
39 - Mídia em Luta (RPG) - Klint Finley
40 - Paper Girls Vol 01 (HQ) - Brian K. Vaughan
41 - Lankhmar - Cidade dos Ladrões (RPG) - Thomas M. Reid
42 - Paper Girls Vol 02 (HQ) - Brian K. Vaughan
43 - Paper Girls Vol 03 (HQ) - Brian K. Vaughan
44 - Paper Girls Vol 04 (HQ) - Brian K. Vaughan
45 - Paper Girls Vol 05 (HQ) - Brian K. Vaughan
46 - Paper Girls Vol 06 (HQ) - Brian K. Vaughan
47 - Meu Brinquedo Preferido (RPG) - Eduardo Caetano
48 - Dungeon World (RPG) - Sage LaTorra and Adam Koebel
49 - Faith e Força Futuro (HQ) - Jody Houser
50 - Republic (RPG) - Karl Larsson
51 - A Menina que Roubava Livros - Marcus Zuzak
52 - O que os donos do poder não querem que você saiba - Eduardo Moreira
53 - Predation (RPG) - Shanna Germain
54 - Dust Devils Corebook (RPG) - Matt Snyder
55 - Nana to Kaoru: Black Label (Mangá) Vol.1 - Amazume Ryuta
56 - Nana to Kaoru: Black Label (Mangá) Vol.2 - Amazume Ryuta
57 - Nana to Kaoru: Black Label (Mangá) Vol.3 - Amazume Ryuta
58 - Ryuutama - Atsuhiro Okada, Ayako Nagamori, Mariko Kobayashi, Mia Nekozuki, Ryutaro Matsukawa
59 - Nana to Kaoru: Black Label (Mangá) Vol.4 - Amazume Ryuta
60 - Nana to Kaoru: Black Label (Mangá) Vol.5 - Amazume Ryuta
61 - Nana to Kaoru: Last Year (Mangá) Vol.1 - Amazume Ryuta
62 - Nana to Kaoru: Last Year (Mangá) Vol.2 - Amazume Ryuta
63 - Nana to Kaoru: Last Year (Mangá) Vol.3 - Amazume Ryuta
64 - Nana to Kaoru: Last Year (Mangá) Vol.4 - Amazume Ryuta
65 - Nana to Kaoru: Last Year (Mangá) Vol.4 - Amazume Ryuta

Abandonados:
01 - Buddhism: A Beginners Guidebook (audiobook) - Sam Siv - 51%
02 - Legend of the Five Rings 4th Edition (RPG) - Shawn Carman, Robert Hobart, Jim Pinto & Brian Yoon - 27% [106]
03 - Objection! (RPG) - VoidKris - 43%

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Mil Faces de um RPGista - 10 Workers United - Jéssica, Amanda e Débora


Jogo: 10 Workers United
Autoria: Christopher Grey
Editora: Ennead Media Production.
Experiência: Li e achei bem interessante. Espero um dia colocar na mesa.
Livros usados: O único que existe.
Esse jogo surgiu a partir de uma notícia do mundo real. Em setembro de 2019 a Kickstarter (a maior empresa de financiamento coletivo do mundo, caso você tenha acabado de chegar de Marte) demitiu uma série de funcionários que estavam tentando sindicalizar (union em inglês) os trabalhadores da empresa para lutar contra abusos e garantir mais direitos trabalhistas.
O autor então fez esse jogo, colocou em financiamento coletivo direcionando todo o dinheiro obtido para ajudar a financiar a fundação desse mesmo sindicato.
Tá, Sandro, essa história é interessante, mas sobre o que é esse jogo?
É sobre trabalhadores tentando se organizar para conseguir uma posição de poder diante da direção da empresa. Sentiu o nível de Inception aqui? Rs
O sistema se baseia em Ten Candles (um dos maiores sucessos do kickstart entre jogos indies), mas sem as velas e com a mecânica invertida. Em vez dos jogadores começarem com dez dados e irem perdendo um a cada cena, eles começam com um dado e vão ganhando dados a cada cena, representando sua organização e o poder acumulado até conseguirem a sindicalização.

Vamos construir umas trabalhadoras.

Passo Um: Charter. O primeiro passo é dado pela Companhia, que é o Mestre de Jogo nesse RPG. A Companhia define o que a empresa é! Isso é chamado de Charter. Uma vez por sessão a Companhia pode usar isso para anular o sucesso dos jogadores em uma ação. Algo como evocar que os funcionários “vistam a camisa da empresa”, ou ameaçando-os de demissão, ou qualquer outra estratégia sacana que empresas usam para diminuir a capacidade de organização dos trabalhadores.
Deixa eu pensar em uma empresa aqui…
Acho que posso pegar o primeiro exemplo do livro e montar uma empresa cujo Charter é “Software como um serviço”, talvez seja uma empresa estilo uber ou ifood.

Passo Dois: Descrições de Trabalho. Aqui a Companhia define quais posições ela precisa para funcionar, os jogadores poderão escolher um desses empregos. A Companhia pode usar essa descrição para exigir que um jogador re-role todos os seus sucessos, mas só uma vez por personagem.
Vejamos:
- Engenheiro de Software
- Chefe de Marketing
- Supervisor de Depósito
- Coordenador de Entregas
- Representante com os Clientes.
Acho que está bom.

Passo Dois e Meio: Escolhendo sua Função. Aqui é o momento em que os jogadores escolhem suas funções dentro da empresa. Isso não terá nenhum efeito mecânico, mas será importante para a narrativa.
Como já fiz em outros jogos aqui, vou fazer mais de uma personagem. Talvez duas ou três. Isso será importante mais a frente.
Minha primeira personagem se chama Jéssica e é a Engenheira de Software da empresa.
Minha segunda personagem se chama Amanda e é a Supervisora de Depósito.
Por fim, minha terceira personagem se chama Débora e é a Coordenadora de Entregas.
Por que só mulheres? Porque historicamente foram as mulheres quem começaram a se organizar politicamente para as grandes mudanças dos últimos séculos.

Passo Três: Perícia. Agora, cada personagem escolhe uma perícia, escreve em um cartão e coloca na sua frente. Uma perícia pode ser usada para anular o uso de um Charter, de uma Descrição de Trabalho ou para re-rolar todos os seus 1s. Ela só pode ser usada uma vez por jogo também.
A perícia de Jéssica é Planejamento a Longo Prazo.
A perícia de Amanda é Liderança e Organização.
A perícia de Débora é Oratória.
Assim, Débora é alguém que pode falar com as pessoas, Amanda é uma líder e Jéssica terá a capacidade de ver os problemas antes que apareçam. Gostei da combinação.

Passo Quatro: Breaking Point. Esse é o limite de um personagem. Representa algo a ser conseguido antes que essa personagem possa se organizar fazendo parte do sindicato. Deve ser sempre escrito como “Eu não participarei da organização até que…”. Esse Limite pode ser usado para re-rolar todos os dados uma vez por jogo. Uma personagem pode nunca participar da organização do sindicato mesmo que este obtenha sucesso em se formar.
Para Jéssica: “Eu não participarei da organização até que outros façam.”
Para Amanda: “Eu não participarei da organização até que eu seja discriminada.”
Para Débora: “Eu não participarei da organização até que alguém seja demitida.”

Passo Cinco: Solidariedade. Esse é o ponto em que se faz necessário montar mais de uma personagem. Cada personagem escolhe outra personagem e escreve uma característica positiva sobre aquela pessoa. Essa habilidade pode ser usada para que o alvo da sua Solidariedade possa re-rolar todos os seus dados. Como sempre, essa habilidade só pode ser usada uma vez por sessão.
Jéssica tem Solidariedade por Amanda quem ela acha que “É responsável até demais”
Amanda tem Solidariedade por Débora quem ela acha “Comunicativa e divertida”.
Débora tem Solidariedade por Jéssica quem ela acha “Inteligente e Sagaz”.

E é isso. Minhas três trabalhadoras estão prontas para começarem a se organizar e exigirem os seus direitos e de todos os trabalhadores em sua Companhia. Diferente de Ten Candles, 10 Workers United não arruma as habilidades em uma pilha, em vez disso os cartões são colocados um do lado do outro podendo ser usados pela Companhia ou pelas trabalhadoras na ordem que melhor lhes aprouver.
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Company
Charter: Software as a Service

Jéssica
Job Description: Software Engineer
Skill: Long Term Planning
Breaking Point: I will not organize until others do.
Solidarity: Amanda – “She is too much responsible.”

Amanda
Job Description: Warehouse Supervisor.
Skill: Leadership/Organization
Breaking Point: I will not organize until I am discrimanted against.
Solidarity: Débora – “Communicative and easy going.”

Débora
Job Description: Shipping Manager.
Skill: Public Speaking.
Breaking Point: I will not organize until someone is fired.
Solidarity: Jéssica – “Intelligent and wise”.